Saruman

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 Saruman o Branco foi o Chefe da Ordem dos Magos, era sábio e poderoso; porém, também era orgulhoso e foi corrompido pelo desejo em obter o Um Anel e foi seduzido pela vontade e poder de Sauron. Ele criou exércitos, maquinários e buscou expandir seu poder. Todavia, no final as obras de Saruman foram desfeitas por um poder maior do que ele poderia imaginar e ele acabou por ser morto pelas mãos de um de seus próprios servos.

Saruman era originalmente um Maia conhecido como Curumo. Os Maiar eram espíritos que ajudavam e serviam aos Valar nas Terras Imortais e Curumo era um dos Maiar de Aulë, o Vala cujo domínio eram as substâncias das quais a terra era feita. Aulë é um ferreiro e mestre de ofícios e trabalhos habilidosos, e dele Curumo obteve muito conhecimento. Sauron também havia sido um Maia de Aulë, porém se corrompeu com o mal e procurou estabelecer seu domínio sobre a Terra-média, de modo que os Valar decidiram enviar emissários para se oporem a ele. Curumo foi escolhido por Aulë e ele se tornou um dos Istari, ou Magos. A missão dos Magos era auxiliar os povos livres da Terra-média em sua luta contra Sauron sem procurarem por dominação ou poder para si próprios.

 

 

Curumo foi para a Terra-média por volta do ano 1.000 da Terceira Era e é tido como o primeiro dos Magos a desembarcar no continente, embora de acordo com outras fontes Yavanna, esposa de Aulë, pediu para que Curumo levasse consigo outro mago que ficou conhecido como Radagast, o Castanho.

Curumo foi chamado Saruman pelos Homens, dentre os quais ele passou a maior parte de seu tempo, e os Elfos o chamavam de Curunír. Como os outros Magos, ele tomou a forma de um velho homem. Saruman era alto e de um porte nobre, seus cabelos eram negros no começo e, embora tenham se tornado brancos com o passar do tempo, as raízes e algumas mechas permaneceram negras. Saruman tinha uma bela voz e uma sutil maneira de falar, a qual ele poderia usar para persuadir os outros. Seu manto era branco, significando que ele era o maior dentro da Ordem dos Magos.

 Em seus primeiros anos na Terra-média, Saruman fez várias jornadas pelas terras, indo até Rhûn no Extremo Oriente com os Magos Azuis. Porém, ao contrário destes, retornou para o oeste da Terra-média. Em 2463, o Conselho Branco foi estabelecido e formado pelos principais Magos e Elfos – incluindo Saruman, Gandalf, Elrond, Galadriel e Círdan. Sua principal preocupação era o poder maligno que ocupava a fortaleza de Dol Guldur na Floresta das Trevas, o qual eles temiam ser Sauron. Quando tiveram que escolher um líder para o Conselho, Galadriel indicou Gandalf, porém ele se recusou e Saruman se tornou o chefe do Conselho Branco.

Saruman se tornou ressentido e invejoso de Gandalf ao descobrir que ele era mais forte, embora mais humilde, e que possuía grande influência entre os povos da Terra-média. Saruman também estava ciente de que Gandalf havia recebido Narya, um dos Três Anéis dos Elfos, e isso tornou Saruman particularmente invejoso pois ele considerava os Anéis de Poder a sua principal área de estudos. Saruman estudou muito a história dos Anéis e sua forjadura e finalmente até mesmo usou de suas habilidades de artífice para fazer Anéis de menor escala de poder. O principal interesse de Saruman era o paradeiro do Um Anel – o Anel Governante forjado por Sauron que havia sido tomado por Isildur e perdido nos Campos de Lis, onde Isildur foi morto. Saruman fez várias visitas aos arquivos de Minas Tirith e aprendeu tudo o que ele podia sobre Isildur. Dentre os pergaminhos descobertos por Saruman havia um escrito pelo próprio Isildur no qual ele descrevia o Anel e a inscrição gravada nele.

Nos arquivos, Saruman também aprendeu sobre os palantíri, ou Pedras Videntes – objetos que poderiam ser usados para obter informação e comunicar uns com os outros mesmo em longas distâncias. Saruman descobriu que havia um palantir na Torre de Orthanc em Isengard, uma fortaleza no Desfiladeiro de Rohan na porção mais ao sul das Montanhas Nevoentas. Embora Isengard ficasse em Rohan, ela pertencia a Gondor, porém a sua guarda se tornou elaxada com o tempo e, em 2759, após os Carroceiros terem sido expulsos de lá pelos Rohirrim, Saruman se ofereceu para morar em Isengard, reparar e manter suas defesas. Assim foi que as Chaves de Orthanc lhes foram entregues por Beren, o Regente de Gondor. No mesmo ano, Saruman compareceu à coroação do Rei Fréalaf de Rohan levando presentes e louvando o valor dos Rohirrim. Rohan havia acabado de passar por uma invasão de Terrapardenses logo após o Grande Inverno. Nos duros anos que ainda viriam eles lucraram muito com sua nova amizade com Saruman e ficaram contentes por terem um Mago de grande poder morando na fortaleza em sua fronteira oriental. Saruman também se tornou amigo de Barbárvore, o mais velho dos Ents residentes na Floresta Fangorn. Saruman andava pelas florestas e conversava com Barbárvore e com ele aprendeu muitas coisas, embora ele mesmo não compartilhasse de nenhuma de suas informações em troca.

 O Conselho Branco se encontrou novamente em Valfenda em 2851 e Gandalf relatou que ele havia estado em Dol Guldur e descoberto que o mal que lá habitava era, de fato, Sauron. Gandalf ainda recomendou que o Conselho Branco atacasse imediatamente Dol Guldur, porém Saruman foi contrário à essa atitude, dizendo que ao Conselho que ele acreditava que o Um Anel havia sido levado pelas águas do Anduin até o Mar, de onde não poderia ser recuperado, e que sem ele Sauron não teria como recuperar a sua força. O Conselho concordou em esperar e observar, embora Gandalf ainda estivesse preocupado. Na verdade, Saruman havia começado a procurar pelos Campos de Lis pelo Um Anel na tentativa de tomá-lo pra si, pois durante o seu longo estudo sobre o Anel de Sauron, ele havia sido corrompido pela armadilha de seu poder e pretendia ocupar o lugar de Sauron que agora era visto por ele como um rival no desejo de dominar a terra. Saruman acreditava que se encontrasse o Anel ele seria capaz de o usar para estabelecer a ordem da maneira que ele achava melhor e governar o mundo dos Homens.

Saruman acreditava que se Sauron permanecesse em Dol Guldur, o Anel poderia se revelar enquanto procurava voltar para seu Mestre. No entanto, em 2939, Saruman descobriu que Sauron também estava vasculhando os Campos de Lis à procura do Anel. Novamente Gandalf propôs um ataque contra Dol Guldur no encontro seguinte do Conselho em 2941 e dessa vez Saruman concordou. Foi através das invenções de Saruman que o ataque foi bem sucedido e Sauron abandonou Dol Guldur. O que o Conselho não sabia era que Sauron havia se preparado para o ataque e ele voltou para a sua primeira fortaleza em Mordor e lá começou a juntar suas forças. Declarou-se abertamente em 2951 e dois anos depois o Conselho Branco se encontrou pela última vez. Descobriram que Sauron estava ávidamente procurando pelo Anel e mais uma vez Saruman lhes disse que o Anel estava no leito do Mar e que Sauron nunca o encontraria.

De fato nem Saruman e nem Sauron jamais encontraram o Anel nos Campos de Lis. Saruman encontrou a corrente que havia sido usada com o Anel, assim como a Elendilmir, um símbolo da realeza do Reino do Norte, que Isildur usava quando foi morto, e escondeu esses itens em Orthanc junto com outros tesouros que ele havia encontrado, porém o Anel já havia sido levado. Gollum, uma criatura que havia sido um Hobbit antes de encontrar o Anel e ser dominado por ele, o levou para as profundezas das Montanhas Nevoentas onde ele acabou sendo descoberto por outro Hobbit chamado Bilbo Bolseiro. Saruman não tinha conhecimento da descoberta de Bilbo, embora estivesse ciente do interesse de Gandalf nos Pequenos e suspeitasse de tudo o que Gandalf fizesse. Saruman visitou o Condado sob um disfarce, mas temia ser descoberto por Gandalf; enviou então agentes a Bri e à Quarta Sul para descobrirem o que pudessem sobre o interesse de Gandalf no Condado.

Saruman também havia secretamente começado a fumar a erva de fumo do Condado, embora ele publicamente recriminasse o uso delas por Gandalf. Ele comprava a erva de fumo das plantações dos Justa-Correias e Sacola-Bolseiros e ele usou dessa conexão para corromper alguns deles para espionarem os outros Hobbits.

Após a última reunião do Conselho Branco, Saruman se isolou em Isengard. Ele havia recebido Isengard para ser um tenente do Regente e guardião da torre, porém agora ele havia tomado a torre para si e começado a reforças suas fortificações e nesse processo ele destruiu os belos jardins de Isengard cavando poços que ele encheu com forjas e maquinários bélicos. Para alimentar seus fogos, Saruman emitiu ordens aos seus escravos para derrubarem a Floresta Fangorn.
Saruman começou a construir seu próprio exército, recrutando Homens da Terra Parda que odiavam Rohan, e também reuniu Wargs e Orcs em suas fileiras. Dentre esses Orcs estava uma raça especial de Uruk-hai que eram maiores e mais fortes do que os Orcs comuns e ainda conseguiam suportar a luz do sol. Havia também um número de Homens a serviço de Saruman que aparentavam ter sangue de Orc em suas veias e essas raças poderiam ser o resultado das experiências de cruzamento entre Orcs e Homens feitas por Saruman. Era dito que Saruman alimentava seus Uruk-hai com a carne de Homens.

Por volta do ano 3000, Saruman começou a usar mais frequentemente o palantir. Primeiramente, havia apenas tido visões de lugares longínquos ou eventos na pedra de Orthanc, porém finalmente entrou em contato com outro palantir, a pedra de Ithil que estava na Torre Negra de Sauron. A integridade de Saruman havia diminuído pelo abandono de seus princípios morais em sua busca por poder, e assim ele ficou vulnerável à dominação da vontade superior de Sauron. Não foi preciso muito tempo para que Saruman se sentisse compelido a reportar-se a Sauron através do palantir. Os usuários do palantir se comunicavam através do pensamento, e é bem possível que Sauron tenha descoberto mais de Saruman do que esse pretendia revelar.

Saruman continuou com seu plano de expandir seu poder, começando pela conquista de Rohan, o mais forte aliado de Gondor, até mesmo porque isso também beneficiaria os planos de Sauron para a conquista da Terra-média. Os Uruk-hai de Saruman desceram das Montanhas Nevoentas e devastaram os cavalos dos Rohirrim enquanto os Orcs de Sauron atacaram Rohan vindos do leste. Saruman recrutou um Homem de Roham chamado Gríma para ser seu agente na corte do Rei Théoden de Rohan. Gríma se tornou o conselheiro de Théoden e logo começou a exercer sua influência sobre o Rei a favor de Saruman. Em 3014, Théoden adoeceu, provavelmente como resultado dos venenos e poções administradas por Gríma. Como um dos efeitos, Théoden aparentou ter envelhecido prematuramente e sua capacidade de julgamento se tornou comprometido, tornando-se cada vez mais dependente dos conselhos de Gríma. Era a intenção de Saruman enfraquecer Théoden e assim deixar Rohan pronta para um ataque decisivo.

Acima de tudo, Saruman desejava encontrar o Um Anel, que ele ainda esperava declarar como seu. Tinha quase certeza de que Gandalf estava ciente do paradeiro do Anel e de que alguma forma os Hobbits do Condado estavam envolvidos nessa trama. Os espiões de Saruman relataram que os Guardiões do Norte estavam vigiando de perto o Condado e, em 3001, essa gurda havia sido dobrada. No verão de 3018, Saruman descobriu que os Nove Nazgûl haviam deixado Mordor e estavam procurando pelo Anel que estava em posse de uma pessoa chamada Bolseiro no Condado, e então resolveu armar uma armadilha para Gandalf e arrancar dele o que ele sabia; enviou Radagast com uma mensagem para Gandalf dizendo que os Nazgûl haviam sido soltos e que ele deveria ir para Isengard o mais depressa para que pudessem discutir sobre o assunto. Gandalf chegou em Isengard em 10 de julho do mesmo ano e Saruman estava usando abertamente um Anel que ele havia criado e revelou a Gandalf que ele não era mais Saruman, o Branco, e sim Saruman, o de Muitas Cores, e seu manto agora era de todas as cores e matizes.

Saruman então propôs a Gandalf que eles se juntassem e governassem o mundo dos Homens e que o meio para isso seria uma aliança com Sauron.

“Um novo Poder se levanta. Contra ele, as velhas alianças e políticas não nos ajudarão em nada. Não há mais esperança nos elfos ou na agonizante Númenor. Esta então é uma escolha diante de você, diante de nós. Podemos nos unir a esse Poder. Seria uma sábia decisão, Gandalf. Existe esperança por esse caminho. A vitória dele se aproxima, e haverá grandes recompensas para aqueles que o ajudarem. Enquanto o Poder crescer, os que se mostrarem seus amigos também crescerão; e os Sábios, como você e eu, poderão, com paciência, vir finalmente a governar seus rumos, e a controlá-lo. Podemos esperar nossa hora, podemos guardar o que pensamos em nossos corações, talvez deplorando as maldades feitas incidentalmente, mas aprovando o propósito final e mais alto: Conhecimento, Liderança, Ordem; todas as coisas que até agora lutamos em vão para conseguir, mais atrapalhados que ajudados por nossos amigos fracos e inúteis. Não precisaria haver, e não haveria, qualquer mudança em nossos propósitos, só em nossos meios.” A Sociedade do Anel: “O Conselho de Elrond”.

Quando Gandalf rejeitou sua proposta, Saruman sugeriu que ele poderia substituir Sauron se eles tomassem o Um Anel para eles, e pediu para Gandalf revelar-lhe sua localização. Mais uma vez Gandalf se recusou e Saruman então o aprisionou no pináculo de Orthanc.

 Com Gandalf fora do caminho, Saruman esperava ser capaz de encontrar o Portador do Anel e assim enviou vários agentes para viajarem entre Isengard e o Condado. Porém antes dos agentes de Saruman reportarem seus avanços, Gandalf escapou, sendo resgatado do topo de Orthanc em 18 de setembro por Gwaihir, o Senhor do Vento, que havia ido até Isengard levando notícias a pedido de Radagast sem saber que Gandalf era mantido prisioneiro lá.

Pouco depois o Senhor dos Nazgûl foi a Isengard, enviado por Sauron que já estava ciente da captura de Gandalf. Sobre essa visita existem diferentes fontes: em uma delas, o Nazgûl chegou dois dias após a fuga de Gandalf e Saruman usou sua Voz para persuadir o Senhor dos Nazgûl de que ele não sabia sobre a localização do Anel, mas que Gandalf sabia e que deveriam procurar por ele nas proximidades de Isengard. Em vez de Gandalf, o Nazgûl acabou por encontrar Gríma, que lhe revelou que Saruman estava escondendo o que sabia; de acordo com outra fonte, Saruman apenas descobriu que Gandalf havia escapado quando o Nazgûl chegou, mas ele fingiu que Gandalf havia acabado de lhe dizer a localização do Condado. O Nazgûl acabou por descobrir através de um Sulista que Saruman sabia muito mais do que ele havia revelado.

Em ambos os casos, Saruman se encontrou em uma posição incômoda, pois ele era um traidor descoberto de ambos os lados. Saruman pensou que ele ainda tivesse tempo para encontrar o Anel pois acreditava que o Portador do Anel ainda não havia deixado o Condado, porém o Sulista vesgo foi confrontado pelo Nazgûl e forçado a lhe prestar serviço. Do agente de Saruman, o Nazgûl descobriu que um Hobbit chamado Bolseiro vivia na Vila dos Hobbits e eles começaram sua incansável caçada a Frodo Bolseiro assim que o Portador do Anel começou sua fuga para Valfenda.

 

Enquanto isso, Saruman começou a avançar seu plano para conquistar Rohan, pois Gandalf havia ido à Edoras após ter escapado para avisar ao Rei Théoden mas acabou sendo expulso de lá pelos conselhos de Gríma. Saruman declarou soberania sobre as terras de Rohan e fechou o Desfiladeiro de Rohan e companhias de Orcs portando seu emblema da Mão Branca começaram a causar problemas aos Rohirrim. Os espiões de Saruman continuaram a sua caçada ao Portador e, em 8 de Janeiro de 3019, um bando de Crebain passou pela Sociedade em Azevim. É bem provável que esses pássaros estivessem a serviço de Saruman e reportaram suas notícias sobre o progresso do Portador rumo ao sul. Em 18 de janeiro do mesmo ano, mensageiros de Moria chegaram a Isengard e reportaram que a Sociedade havia passado por Moria e estava indo em direção ao sul e então Saruman enviou batedores liderados por Ugluk para interceptá-los.

Em Rohan, as forças de Saruman estavam encontrando uma resistência dos Rohirrim liderados por Théodred, filho do Rei, e Éomer, sobrinho do Rei. Saruman então decidiu que Théodred deveria ser eliminado e, em 25 de fevereiro, enviou uma companhia com ordens para matar o filho do Rei. Na Primeira Batalha dos Vaus do Isen, a posição de Théodred foi impiedosamente atacada e ao final dela ele foi morto. Porém, Saruman cometeu um erro estratégico que lhe custaria caro ao não mover imediatamente sua invasão ao Folde Oriental, em parte por causa da força de resistência liderada por Grimbold e Elfhelm.

 No dia seguinte, Uglúk e sua companhia chegou ao Amon Hen onde a Sociedade estava acampada. Saruman havia ordenado a Uglúk que matasse todos menos os Pequenos, que deveriam ser levados para Isengard vivos e incólumes. A companhia de Uglúk capturou Meriadoc Brandebuque e Peregrin Tûk e matou Boromir de Gondor que tentava defender os Hobbits. Um Orc de Mordor chamado Grishnakh queria levar os Hobbits para Sauron, porém Uglúk venceu a disputa e levou os seus prisioneiros para Isengard. Nos limites da Floresta Fangorn, em 28 de fevereiro, a companhia de Uglúk foi cercada por Cavaleiros de Rohan liderados por Éomer e no amanhecer do dia seguinte os Cavaleiros atacaram, matando todos eles. Mas o pior para Saruman foi o fato de que Merry e Pippin escaparam para a Floresta Fangorn, onde eles conheceram Barbárvore, que vinha sendo incomodado pela destruição desenfreada de suas árvores por Saruman. A chegada de Merry e Pippin fez com que os Ents se levantassem e tomassem uma atitude em relação ao que acontecia à Floresta.

Saruman não estava ciente do que havia acontecido aos seus Uruk-hai e estava tão desesperado por obter o Anel que ele mesmo foi até os limites de Fangorn uma noite em fevereiro, onde foi avistado por Gimli, Aragorn e Legolas. Saruman encontrou as carcaças de sua companhia, porém ele não sabia se eles estavam lhe levando o Anel e se estavam, o que lhe havia acontecido. Temendo que os Rohirrim houvessem tomado posse do Anel, Saruman retornou à Isengard e lançou o ataque contra Rohan. Antes do anoitecer de 2 de março, Saruman enviou uma porção de suas forças para interceptar os Rohirrim na Segunda Batalha dos Vaus de Isengard, na qual os Rohirrim ofereceram uma resistência ferrenha, porém à meia-noite Saruman liberou todo o contingente de Isengard: um exército de milhares de Orcs, alguns montados em Wargs, assim como Homens, alguns da Terra Parda e outros que pareciam ter sangue de Orc em suas veias. Os defensores do Vau do Isen foram divididos e espalhados enquanto o exército de Saruman continuou até chegarem à fortaleza do Abismo de Helm, onde o Rei Théoden havia buscado refúgio.

Saruman estava em seus portões assistindo suas tropas deixarem Isengard; porém, quando a última companhia havia passado, os portões foram repentinamente atacados por Ents. Saruman não havia previsto que os Ents se voltassem contra ele e ele não tinha idéia de como lidar com essa antiga força da natureza. Os Ents derrubaram os muitos de Isengard e Saruman refugiou-se em Orthanc, perseguido por Tronquesperto, um Ent cujas sorveiras haviam sido destruídas pelos Orcs de Saruman.

Saruman se trancou em sua torre, a qual os Ents eram incapazes de destruir, e de lá atacou os Ents com fogo líquido e vapores saídos dos poços cavados no jardim de Isengard. Os Ents se enfureceram e começaram a se atirar contra Orthanc e Saruman respondeu com uma risada sinistra, o que fez com que os Ents se tornassem calmos e determinados, desviando as águas do Isen para Isengard e os fogos de Saruman foram apagados e sua sujeira lavada.

Ao amanhecer de 4 de março, o exército de Saruman foi derrotado na Batalha do Abismo de Helm graças à precisa chegada dos reforços reunidos por Gandalf e uma floresta de Huorns enviados por Barbárvore. Muitos dos Homens de Saruman se renderam e receberam misericórdia; seus Orcs, porém, fugiram para dentro da floresta de Huorns e nenhum deles foi visto com vida novamente.

Gandalf e o Rei Théoden foram então para Orthanc dialogar com Saruman e este tentou persuadir Théoden a juntar-se a ele usando o poder de sua Voz.

“As pessoas que escutavam aquela voz desavisadamente mal conseguiam depois reportar as palavras que tinham ouvido; e quando conseguiam titubeavam, pois pouca força restava nelas. A maior parte do que conseguiam lembrar era o prazer que sentiram ao ouvir a voz falando, e que tudo o que ela dissera parecera sábio e razoável, despertando neles um desejo de, mediante um acordo rápido, parecerem sábios também. Quando outras vozes falavam, pareciam por contraste rudes e grosseiras; e se se opusessem à voz o ódio se acendia no coração dos que estavam sob o efeito do encanto. Para alguns o encanto durava apenas enquanto a voz lhes falava, e quando ela se dirigia aos outros eles sorriam, como os homens fazem quando percebem o truque de um ilusionista diante do qual os outros ficam pasmos. Para muitos, apenas a voz era o suficiente para mantê-los cativos; mas para
aqueles que eram seduzidos por ela o encantamento perdurava mesmo quando estava longe, e eles continuavam escutando a voz suave sussurrando e incitando-os. Mas ninguém ficava impassível; ninguém conseguia recusar seus pedidos e seus comandos sem um esforço de mente e de vontade, enquanto seu mestre tivesse controle dela.”
As Duas Torres: “A Voz de Saruman”.

Entretanto, Théoden não foi enganado ao se lembrar da crueldade do exército de Saruman e ele percebeu que Saruman era apenas uma ferramenta nas mãos de Sauron. Quando Théoden rejeitou a proposta, Saruman voltou sua atenção a Gandalf, porém esse apenas riu e lhe deu a escolha de descer de sua torre e abandonar sua aliança com Sauron. Saruman teve um momento de incerteza, mas o orgulho e o ódio venceram e ele recusou a oferta; então Gandalf se revelou como Gandalf, o Branco, quebrou o cajado de Saruman e o expulsou da Ordem dos Magos e do Conselho Branco. Saruman então voltou a se trancar em Orthanc.

 Gríma atirou o palantir do alto da torre e Pippin o apanhou. Saruman se enfureceu quando ele descobriu o que Gríma havia feito, pois agora ele não tinha meios de se comunicar com Sauron. Um Nazgûl alado já estava a caminho de Isengard a fim de descobrir o que Saruman estava tramando. Quando Pippin olhou no palantir, Sauron pensou que Saruman estava mantendo o Portador prisioneiro. Mais tarde, ainda no mesmo dia, Aragorn olhou na pedra de Orthanc e confrontou Sauron, atraindo a atenção do Inimigo para o retorno do herdeiro de Isildur e incidentalmente aliviando Saruman da ira de Sauron.

Saruman permaneceu prisioneiro em Orthanc vigiado pelos Ents. Em 25 de março de 3019, o Anel foi destruído e o reino de Sauron caiu em ruínas. Barbárbore permaneceu em sua vigilância por vários meses após a tomada de Isengard e deu detalhes da queda de Sauron a Saruman, usando grandes palavras até que Saruman se cansou. O poder de Saruman havia decrescido bastante desde que seu cajado havia sido quebrado, mas ele ainda tinha a sua Voz e com ela ele foi capaz de usar da relutância de Barbárvore em manter aprisionado qualquer ser vivente e acabou por convencê-lo de que não era mais uma ameaça a ninguém. Saruman foi libertado em 15 de agosto e então ele entregou as Chaves de Orthanc para o velho Ent e seguiu para o norte com Gríma.

Em 28 de agosto, Saruman e Gríma foram interceptados por Gandalf e os Hobbits, junto com Galadriel, Celeborn e Elrond a caminho dos Portos Cinzentos. Gandalf e Galadriel ofereceram ajuda a Saruman, mas esse a recusou e ele tripudiou ao ver que os Três Anéis dos Elfos haviam perdido seu poder quando o Um Anel havia sido destruído. Saruman se enfureceu ao ver os Hobbits parecendo prósperos e seguros sob a proteção de Gandalf e então decidiu lhes ensinar uma lição; foi até o Condado com Gríma, chegando em 22 de setembro. Muitos de seus agentes já estavam por lá atendendo uma convocação de Lotho Sacola-Bolseiro, um dos Hobbits que Saruman havia corrompido. Lotho havia se proclamando Condestável do Condado, porém os Homens do Chefe estavam encarregados do Condado, e eles estabeleceram uma série de Leis injustas. Quando o verdadeiro mestre dos Homens, Saruman, chegou, ele assumiu como Chefe. Lotho foi esfaqueado até a morte enquanto dormia por Gríma, a mando de Saruman.

Saruman buscava vingança pela destruição de Isengard tentando arruinar o Condado. Os Homens do Chefe começaram a destruir e queimar aleatoriamente casas, árvores e fazendas. O Novo Moinho foi usado para algum propósito industrial e O Água se tornou poluído com lixo. Saruman se mudou para a casa de Frodo em Bolsão e encheu os jardins com mais lixo. As provisões se tornaram mais escassas e o Chefe mais impiedoso, e os Hobbits que haviam sido aprisionados nos Tocadeados eram frequentemente espancados.

Frodo, Sam, Merry e Pippin retornaram ao Condado em 30 de outubro. Saruman soube de sua chegada e enviou uma mensagem à casa do Condestável no Sapântano para que eles fossem detidos e levados a ele. Porém os quatro Hobbits se adiantaram a seus captores e seguiram pelo Beirágua, onde eles convocaram os Hobbits a se erguerem contra os Homens do Chefe. Na Batalha de Beirágua em 3 de novembro, os Hobbits derrotaram os Homens do Chefe e os expulsaram do Condado. Frodo então foi até Bolsão e encontrou Saruman. O Mago se regozijou ao ver a destruição que ele havia causado e alguns dos Hobbits pediram por sua morte, porém Frodo declarou que a vida de Saruman deveria ser poupada e ordenou que ele deixasse o Condado imediatamente. Saruman tentou apunhalar Frodo, e mesmo assim Frodo não permitiu que os outros matassem o Mago caído.

“Saruman se pôs em pé e encarou Frodo. Havia um olhar estranho em seus olhos que mesclavam espanto, respeito e ódio. “Você cresceu, Pequeno — disse ele. Sim, você cresceu muito. É sábio e cruel. Roubou a doçura de minha vingança, e agora parto amargurado, em divida para com a sua clemência. Odeio você e sua demência! Bem, vou embora e não o incomodarei mais. Mas não espere de mim que lhe deseje saúde e vida longa. Não terá nenhuma das duas coisas. Mas isso não será por obra minha. Estou apenas prevendo.” O Retorno do Rei: “O Expurgo do Condado”.

 

Saruman se preparou para partir e ordenou que Gríma o acompanhasse, porém Frodo disse que ele poderia ficar se desejasse. Saruman revelou então que Gríma havia matado Lotho e quando Gríma respondeu que havia apenas seguido ordens de Saruman, esse caçoou dele e o chutou no rosto. Gríma então pulou sobre Saruman e lhe cortou a garganta. Dessa forma Saruman morreu e seu espírito deixou seu corpo, para nuca mais voltar à Terra-média ou Terras Imortais, de onde ele havia vindo.

 

“Para o assombro dos circunstantes, ao redor do corpo de Saruman formou-se uma névoa cinzenta que, subindo lentamente a uma grande altura qual a fumaça de uma fogueira, pairou sobre a Colina como um vulto pálido e amortalhado. Por um momento vacilou, olhando para o Oeste; mas do oeste veio um vento frio, e o vulto se curvou, e com um suspiro dissolveu-se em nada.

Frodo olhou para o corpo com pena e terror, pois enquanto olhava pareceu que de repente longos anos de morte se revelavam nele, e o corpo encolheu, e o rosto enrugado transformou-se em trapos de pele sobre um crânio hediondo.” O Retorno do Rei: “O Expurgo do Condado”.

 

 Nomes e Títulos

Sauman, o Branco:

O nome Saruman significa “homem habilidoso”. Esse era o seu nome na língua dos Homens do Norte. Em inglês antigo, a palavra searu significa tanto “arte, habilidade, esperteza” quanto “truque, emboscada, plano, traição”. A cor de Saruman era originalmente branca e ele vestia mantos brancos.

 

Curunír:

Curunír significa “aquele com recursos engenhosos” ou “homem habilidoso ou artífice” em Sindarin. O elemento curu significa “habilidade, artífice” e nír é uma forma derivada de dir, uma terminologia masculina. Também era chamado de Curunír ‘Lân, onde ‘Lân deriva de glân, que significa “branco”.

 

Curumo:

Curumo é o equivalente em Quenya de Curunír. Esse é o nome pelo qual Saruman era conhecido como um Maia.

 

Mensageiro Branco:

Quando Saruman chegou na Terra-média ele era conhecido como o Mensageiro Branco pois era um mensageiro dos Valar e vestia um manto branco.

 

Chefe da Ordem dos Magos:

Saruman era o Chefe da Ordem dos Magos, que também incluía Gandalf, Radagast e os Magos Azuis.

 

Chefe do Conselho Branco:

Após a formação do Conselho Branco – composto pelos principais Elfos e Magos – Saruman se tornou o Chefe do Conselho Branco.

 

Saruman o Sábio:

Saruman era chamado por muitos, e se chamava, Saruman, o Sábio.

 

Saruman o fazedor de Anéis:

Saruman também referia a si mesmo dessa forma por ele ter feito ao menos um Anel de Poder menor.

 

Saruman de Muitas Cores:

Saruman abandonou sua cor original em favor de mantos multicolores que assumiam diversas cores aos olhos dos expectadores.

 

‘Branco!’, zombou ele. ‘Serve para começar. O pano branco pode ser tingido. Pode-se escrever sobre a página em branco; a luz branca pode ser decomposta.”  A Sociedade do Anel: “O Conselho de Elrond”.

 

 Chefe:

Saruman foi para o Condado em setembro de 3019 T.E. e assumiu como Chefe no lugar de Lotho Sacola-Bolseiro.

 

Charcote:

Saruman era chamado de Charcote por seu povo em Isengard assim como pelos Homens do Chefe no Condado. Saruman pensou que esse fosse um termo de afeição, porém isso provavelmente era derivado do Órquico para “homem velho”.

 

 

Fonte:
The Thain’s Book