Tolkien n' Roll – Parte IV

banner_lothloryen_p.jpgHey Folks

Dando prosseguimento ao assunto Tolkien + rock n’ Roll eis que surge a hora de abordar um pouco da vasta influência que as obras da Terra Média exercem em bandas clássicas de rock n’roll.
Para começar, resolvi me ater nessa coluna à talvez maior representante do Rock clássico de todos os tempos: O Led Zeppelin.

 

Este grupo para quem não conhece ou não viveu na Terra nos últimos 30
anos pelo menos, é uma banda de rock britânica conhecida mundialmente
por sua discografia lançada entre fins dos anos 60 e toda a década
seguinte. Se essa referência é pouca, talvez a palavra “Stairway to
Heaven” traga alguma lembrança aos leitores.

Como muitos sabem, o Led possui em sua discografia algumas referências claras ao mundo Tolkieniano. Essas influências podem ser claramente notadas em músicas como Ramble On e  Battle of Evermore, como sugerem os trechos abaixo:

Ramble On:

 “a minha é uma história que não pode ser contada
Minha liberdade eu guardo com apreço
Como nos anos passados, em dias de outrora
Quando a magia enchia o ar
Foi nas profundezas mais obscuras de Mordor
Conheci uma garota tão atraente
Mas Gollum, aquele maligno, se aproximou sorrateiramente
E fugiu com ela, ela, ela… .yeah”

Battle of Evermore:

“ dor da guerra não pode exceder
A aflição da seqüela
Os tambores irão sacudir as muralhas do castelo
Os espectros do anel cavalgam de preto
Seguem cavalgando”

Apesar de os dois exemplos trazerem referências claras, o que mais me chamou atenção foi a mistureba lírica de Ramble On. Ao analisar a letra, fiquei extremamente maravilhado com a capacidade que os caras tiveram de  entrelaçar um tema tão denso quanto Mordor e Gollum com seus arroubos de paixonite aguda por uma garota atraente (e o melhor de tudo é que o Gollum ainda sai como o garanhão cafajeste). Diante de uma junção de temas tão díspares, me recordei de uma das perguntas feitas pelos leitores do Valinor ao Lothlöryen que era mais ou menos assim: “Vocês não acham que é uma ambigüidade a banda se chamar Lothlöryen e tocar Metal?”


Bom, diante do exemplo de elasticidade lírica (mas que diabos de expressão é essa!!!) apresentado pelo Led Zeppelin, acho que cabe dizer que tanto o Rock n’ Roll (e o metal como uma de suas vertentes) e a mitologia de Tolkien tem justamente como pontos fortes essa desenvoltura ao fundir temas que parecem tão distantes, mas que acabam casando perfeitamente.


Concluindo, acho que não existe ambigüidade dentro do Rock e bandas que se prendem a estilos específicos estão fadadas à repetição de sua obra em exaustão, o que com o tempo leva ao fracasso (com exceção do ACDC, é claro!!!).


O Led Zeppelin tem como ponto forte de sua carreira justamente a forma como exploravam elementos de estilos musicais tão diferentes ao rock n’ roll como música celta, havaiana, country, reggae etc., sempre agregando tudo isso de forma magistral ao seu estilo musical principal que sempre foi o Rock n’ Roll. Do ponto de vista lírico, só se entende a força de uma influência Tolkieniana ao contexto do Zeppelin, justamente se antes o ouvinte conseguir captar a proposta de liberdade musical que permeia toda a carreira do grupo.


Com certeza o Zeppelin é o maior exemplo de Rock “helenístico” da história pois soube agregar outras culturas musicais ao seu próprio som e em contrapartida influenciar toda uma geração de bandas que surgiram após eles, assim como Tolkien o fez em sua área.

É nóis!!!