Tolkien n’ Roll – Parte III

Hey Folks, lothloryen.jpg

De volta com a explosiva mistura Tolkien mais Rock n’ Roll, peço licença aos leitores desta coluna para abordar alguns aspectos da influência da Terra Média na temática e  modo de composição do Lothlöryen.

Para os que não estão tão habituados ao som, o Lothlöryen é a banda de Folk Metal em que participo como compositor e guitarrista desde seu início em 2002.

Como todos podem perceber, o próprio nome do grupo já carrega uma forte influência Tolkieniana, influência essa, crucial para a concepção da sonoridade contida nas músicas da banda.

Mas até que ponto a  Terra Média de fato influencia na sonoridade e temática de uma banda, no caso o Lothlöryen?

 
Resolvi abordar esse tema já nessa coluna, devido às questões que nos foram direcionadas pelos leitores da Valinor durante o mês de outubro, assim como os questionamentos que tem se repetido em várias entrevistas realizadas com a banda ao longo do ano e as afirmações que encontramos em resenhas sobre nosso trabalho. Tudo isso me despertou uma imensa vontade de tentar esclarecer a forma como abordamos o mundo de Tolkien em nosso próprio universo.

Vamos lá: Desde que comecei a escrever essa coluna tenho procurado me aprofundar mais em relação ao universo das Tolkien-based bands, que é a maneira como comumente tem sido citadas aqui as bandas que se utilizam da mitologia de J.R. em seu som. Nessa pesquisa pude notar no trabalho de várias dessas bandas a tentativa de recriar histórias contidas nos livros de Tolkien, como por exemplo, o Blind Guardian, Summoning, Battlelore entre tantas outras. Porém, percebi também, que algumas dessas bandas consideradas Tolkien-based simplesmente citaram alguns personagens da obra aleatoriamente em algumas de suas canções de sua extensa discografia, como no caso do Led Zeppelin ou do próprio Burzum, banda que abordei na coluna passada, considerada Tolkien-based muito mais pelo nome e influência da obra tolkieniana na vida de seu mentor, do que propriamente na musicalidade e temática abordada pelo “grupo”.

No caso do Lothlöryen, o mundo de Tolkien tem sido sim um companheiro valoroso de nossas canções, porém, não inseparável. Temos abordado ao longo de nossos álbuns aspectos da Terra Média como a força perturbadora (e magnética) do olho de Sauron, a cobiça pelo Um Anel ou a forma como viviam e celebravam os Hobbits muito mais como metáforas para outros assuntos do que propriamente uma tentativa de se recriar uma história já existente. A Terra Média nos oferece um pano de fundo incrível para tratarmos de assuntos inerentes ao ser humano e o mundo real como por exemplo: A Pertubação mental e o inferno psicológico gerado por ela ( o olho de Sauron e Mordor), a insanidade em sua forma mais poética( a cobiça pelo Um Anel) a apologia pela necessidade de se sonhar e não se apegar tanto ao materialismo (os Hobbits e seu modo de vida) etc.

Porém, como disse, o mundo de Tolkien é um companheiro valoroso, mas não inseparável. Já abordamos em nossa pequena (ainda) discografia temas como Inquisição, a visão da Igreja Medieval sob o aspecto humanista de Erasmo de Rotterdam, a teoria dos Whormholes(ou buracos de minhoca) abordadas na física quântica entre tantos outros temas abstratos como tristeza, loucura, coragem etc.

O que é preciso deixar claro é que apesar de o Lothlöryen não ser a primeira nem a última banda a explorar essa temática tão rica, temos tentado fazê-la de uma maneira diferente, criando nossa própria linguagem a partir dela e não apenas reproduzindo o que centenas de outros grupos já tem feito ao longo das últimas décadas.

Aos que chegaram até essa linha, agradeço pela licença concedida para falar de nossa temática. Não é intenção dessa coluna vender o peixe mas sim enquadrar corretamente o Lothlöryen como uma banda Tolkien-based com sua devida liberdade poética de expressão.
Até a próxima coluna.

É nóis!!!

Link: www.myspace.com/lothloryenband