A Terra-média é realmente vasta?

thiago_tizzot.jpgUma das coisas que mais me impressionou na obra de Tolkien desde a primeira vez que a li foi a Terra-média. Sua vastidão e como era possível apenas uma pessoa ter escrito e criado tanto sobre um mundo imaginário. A história de seus povos, a geografia, mitologia, linguistica. Por Eru está tudo lá. Pequenos detalhes que fazem uma diferença brutal para o leitor. Impressão que tenho é a seguinte:

 

 

"A Lua já vinha alta no céu quando o professor Tolkien colocou as provas corrigidas de lado, socou o fumo no cachimbo e o acendeu. A fumaça subia lentamente e enchia o ar do pequeno escritório, seus olhos ardiam de sono, mas a mente fervilhava. Não poderia dormir agora. Ainda precisava para o Anel. Pegou seus manuscritos. Os hobbits tinham escapada de Bri com a ajuda de Aragorn e seguiam viagem. Caminhavam por uma trilha quando de repente uma colina surgiu no horizonte. De repente Tolkien parou. Puxou a fumaça de seu cachimbo e depois exalou-a. Pensou, que colina seria esta? Consultou seu mapa, resgatou da memória sua mitologia e a resposta apareceu clara como uma manhã sem nuvens.Topo do Vento. O volta sua atenção para o papel e escreve. Os homens do Oeste não viveram aqui, embora nos seus últimos dias tenham defendido as colinas por um período, contra o mal que vinha de Angmar. Esta trilha foi feita para servir os fortes ao longo das muralhas. Mas muito antes, nos dias do Reinado do Norte, construíram uma grande torre de observação no Topo do Vento, que chamavam de Amon Sûl. Ela foi queimada e destruída, e nada mais resta agora, a não ser um círculo em ruínas, como uma coroa grosseira sobre a cabeça da velha colina. Conta-se que Elendil ficava ali olhando, à espera de Gil-galad que vinha do Oeste, nos dias da Última Aliança. O professor Tolkien guardou o manuscrito e foi deitar-se, era tarde e amanhã seria um dia difícil."

Você só pode estar brincando. De onde ele tira tudo isso? Um diálogo trivial de A Sociedade do Anel, poderia ser apenas mais uma colina, mas não para Tolkien. Tudo tem uma história, é assim em um mundo real. E a coisa não para por ai, Angmar, Elendil, Gil-galad, Última Aliança. Todas estas referências tem uma longa história. Tudo documentado e desenvolvido. E nem vou entrar em detalhes do trecho de poema que Sam recita logo depois da fala de Aragorn.

Tolkien realmente é único.

Realizaremos agora um teste nesta coluna para comprovar se a habilidade de Tolkien em criar mundo era tal genial como dizem. Este teste terá a ajuda do Dr. Robert Foster e seu “The Complete Guide to Middle-Earth”. O teste consiste em abrir o livro aleatoriamente e escolher o primeiro verbete que aparecer. A partir deste verbete iremos constatar em quantos verbetes seguiremos em frente. Por exemplo:

Frodo: hobbit sobrinho de Bilbo… -> que nos leva a Bilbo: hobbit que viajou com Thorin Escudo de Carvalho… -> que nos leva a Thorin: anão que lutou na batalha de Azanulbizar… -> que nos leva a Azanulbizar e assim por diante.

O objetivo é descobrir quantas vezes é possível fazer esta relação, comprovando o quanto é desenvolvido a Terra-média.

Vejamos, abro o livro em Frumgar.

Frumgar: Homem, Chefe dos Éothéod. Em 1977 da Terceira Era ele liderou os Éothéod para o norte a partir de suas terras natais entre o Gladden e a Carrock para a terra chamada de Éothéod.

Vejamos para onde iremos daqui da próxima vez.