Gil-Galad

Gil-Galad
Gil-Galad foi o Alto-Rei dos Noldor na Terra-Média durante a Segunda Era, e um dos mais notáveis Elfos da história de Arda. Habitou no reino de Lindo, nas costas da Terra-Média, durante a maior parte da sua vida, e ficou famoso pela sua sabedoria, valentia, e a amizade com Elendil, que escapou à destruição de Númenor e fundou os reinos de Arnor e Gondor. Mais tarde, Gil-Galad e Elendil viriam a opor-se a Sauron, e juntos derrotariam o Senhor Negro, embora tal ato de bravura lhes tenha custado as vidas.

 

(Há controvérsias em relação ao parentesco de Gil-Galad, uma vez que Tolkien chegou a descrevê-lo como filho de até três pais diferentes e nunca esclareceu completamente o assunto até à sua morte. Será usada neste texto a versão que hoje em dia é aceita como correta – que Gil-Galad era filho de Orodreth – apesar de Fingon ser mais conhecido como seu progenitor, pois esta foi a versão usada por Christopher Tolkien na compilação de O Silmarillion. Para saber mais sobre o assunto, leia este texto).

Gil-Galad era filho de Orodreth, e portanto neto de Finarfin e bisneto de Finwë, o primeiro Alto-rei dos Noldor. Nasceu na Terra-Média por volta do ano 445 da Segunda Era. Foi chamado à nascença de Ereinion, mas viria a adoptar o nome Gil-Galad, que significa “luz de estrela”. Durante os primeiros anos da sua vida habitou com a sua família em Hithlum, a norte de Beleriand, durante o reinado de Fingolfin.

No ano 455 dessa Era, ocorreu a Batalha da Chama Súbita, e Morgoth espalhou caos, destruição e guerra por todo o continente. No final da batalha, FIngolfin, em desespero, desafiou Morgoth para um duelo e foi morto, passando o título de Alto-Rei para Fingon. Gil-Galad ainda era uma jovem criança nesta altura, e foi enviado para os Portos de Falas, na costa sul de Beleriand, onde vivia Círdan.

Mais tarde, durante a Batalha das Lágrimas Incontáveis, em 472, em que se perdeu grande parte dos exércitos dos Noldor, Fingon foi morto pelo Balrog Gothmog, tornando-se Alto-Rei o seu irmão Fingon, senhor de Gondolin. No ano seguinte, as forças de Morgoth os Portos de Falas. Muitos elfos foram mortos ou escravizados, mas Círdan e Gil-Galad conseguiram escapar com alguns. Navegaram para sul e estabeleceram-se na Ilha de Balar. Mantiveram um pequeno posto perto da Foz do Rio Sirion.

Turgon foi morto em 510 quando as hostes de Morgoth descobriram Gondolin e tomaram a Cidade Escondida de assalto, passando o título de Alto-rei dos Noldor para Gil-Galad, o quinto desde o início da linhagem, com Finwë.


Em 539, o posto na Foz do Sirion pelos filhos de Fëanor, que, sob a influência do Juramento de seu pai, reclamavam as Silmarils, agora na posse de Elwing. Gil-Galad e Cirdan enviaram os seus navios para tentar impedir o ataque, mas tarde demais. Os Elfos que sobreviveram juntaram-se a Gil-Galad na Ilha de Balar.

Morgoth viria a ser derrotado durante a Guerra da Ira, quando os Poderes do Oeste finalmente decidiram auxiliar os povos da Terra-Média, após a intervenção do marinheiro Eärendil. Todavia, Beleriand foi devastada pelas grandes batalhas, ao ponto de ficar submersa nas águas do oceano. Muitos Elfos optaram por ir viver para as Terras Imortais, mas não menos preferiram continuar a habitar a Terra-Média, incluindo Gil-Galad, que se tornou seu líder. A derrota de Morgoth marcou o fim da Primeira Era.

Gil-Galad estabeleceu-se em Lindon, uma região costeira a oeste das Montanhas Azuis, tudo o que restava de Beleriand. O reino estendia-se ainda um pouco para leste, até ao Rio Lune, e para norte, até ao Pequeno Lune. Elrond, filho de Eärendil, e Cirdan estavam entre os Elfos que vivam com Gil-Galad.

A extremo norte da região era chamado de Forlindon, e era aí que Gil-Galad vivia. O extremo sul – a sul do Golfo de Lune – era o Harlindon. É possível que Celeborn tenha governado um feudo em Harlindon em nome de Gil-Galad, nos primeiros anos da Segunda Era. Cirdan vivia nos Portos Cinzentos, um porto no Golfo de Lune fundado no primeiro ano da Segunda Era, de onde os Elfos podiam partir para as Terras Imortais.

No ano 600 da Segunda Era, barcos vindos de Númenor atracaram nos Portos Cinzentos. Gil-Galad deu as boas-vindas ao seu capitão, Veandur, e forjou-se uma amizade entre os Elfos de Lindon e os Homens de Númenor. Em 725, Veantur trouxe o seu neto até aos Portos Cinzentos para conhecer Gil-Galad e Cirdan. Aldarion tornou-se amigo dele, e ao longo dos anos fez várias viagens até à Terra-Média.

Aldarion ofereceu sementes da árvore-mallorn que crescia em Númenor a Gil-Galad, mas como elas não cresciam em Lindon, este deu-as a Galadriel, que viria a plantá-las em Lothlórien.

Gil-Galad fez de Aldarion um dos seus conselheiros. O conhecimento que Aldarion tinha dos Homens e das suas línguas foi útil a Gil-Galad, a quem o então herdeiro ao trono e mais tarde rei de Númenor sempre trazia informações importantes.

Gil-Galad estava ciente de que um servo de Morgoth estava a ganhar poder no leste da Terra-Média. Não partilhou isto com Aldarion, mas enviou uma carta ao pai deste, Tar-Meneldur, rei de Númenor, informando-o dos seus medos. Tar-Meneldur estava indeciso em relação a preparar o seu povo para a guerra e enviar a ajuda pedida por Gil-Galad. Passou a coroa – e esta decisão – para o filho, mas por volta da altura da subida ao trono de Aldarion, Númenor ainda não tinha capacidade para combater este mal crescente. Quando a filha de Aldarion, Tar-Ancalime, lhe sucedeu, ela cessou a ajuda a Gil-Galad.

A força maligna que crescia na Terra-Média era Sauron, antigo tenente de Morgoth. Em 1200 da Segunda Era, Sauron assumiu um disfarce de aparência justa e amigável e tentou entrar em Lindon. Chamou a si próprio Annatar, Senhor dos Presentes, e afirmou ser um emissário dos Valar. Gil-Galad não sabia que este era Sauron, mas não confiou nele de qualquer forma e mandou-o embora. Enviou também avisos a outros reinos élficos, que no entanto não lhe deram ouvidos. Os Elfos de Eregion acolheram Sauron, e, sob as suas instruções, começaram a forjar os Anéis do Poder.

Sauron regressou a Mordor mais tarde e por volta de 1600 forjou o Anel do Poder, com o intuito de controlar os outros Anéis e aumentar o seu poder e influência. Os Elfos de Eregion aperceberam-se dos intentos de Sauron e viram que tinham sido enganados. Esconderam os Três Anéis, que tinham sido feitos sem a ajuda de Sauron, enviando-os aos Elfos mais sábios. Em 1693, Gil-Galad recebeu Vilya e Narya. Passou Narya para Cirdan e guardou Vilya para si, passando-o eventualmente para Elrond.

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Mas era tarde de mais para deter Sauron, e este, declarando guerra aos Elfos, lançou as suas hostes, secretamente treinadas em Mordor, sobre Eregion. Gil-Galad enviou ajuda, através de Elrond, nas estava largamente ultrapassado em números. Eregion foi arrasada e Sauron roubou todos os Anéis do Poder que encontrou lá. Os Três continuavam escondidos, embora Sauron adivinhasse que alguns ou todos estavam na posse de Gil-Galad.

Gil-Galad enviou um pedido de ajuda a Númenor. Tar-Minastir, governante do reino na altura, enviou um exército de Homens, mas a frota principal foi atrasada. Sauron alcançou a fronteira de Lindon em 1700. Gil-Galad conseguiu impedi-lo de avançar para além do Rio Lune, até que a frota de Númenor finalmente chegou e as tropas do Senhor Negro foram obrigadas a recuar. A principal hoste de Sauron foi derrotada na batalha do Gwathlo em 1701. Elrond foi cercado em Rivendell por outro dos exércitos de Sauron, mas Gil-Galad veio em seu auxílio e juntos derrotaram a última das forças inimigas.


Depois desta guerra, foi reunido um um Conselho. Gil-Galad apontou Elrond, que foi viver para Rivendell, como seu vice-regente. O vale, sobranceiro às Montanhas Nebulosas, tornou-se a principal cidade élfica na zona leste de Eriador. Gil-Galad permaneceu no oeste, em Lindon. Nos séculos que se seguiram à derrota de Sauron, a influência de Gil-Galad na região aumentou e expandiu-se em direção a noroeste da Terra-Média.

Com o passar do tempo, azedaram as relações entre os Homens de Númenor e os Elfos. Muitos Numenorianos invejavam os Elfos devido à sua imortalidade e à possibilidade de viajarem até às Terras Imortais, ressentindo-se da decisão de Elros, que optara pela raça humana e a mortalidade, e acusando os Valar de os preterirem. A maior parte parou de viajar até Lindon. Evitavam as costas a noroeste, onde reinava Gil-Galad, e começaram a concentrar as suas atenções para sul, em busca de riquezas e novas conquistas. Mas um pequeno grupo de Numenorianos, conhecidos como os Fiéis, continuaram amigos dos Elfos e mantiveram uma relação de amizade com Gil-Galad.

A ganância do povo de Númenor viria a impulsionar a sua decadência. Em 3319, Sauron persuadiu Ar-Pharazôn, então rei de Númenor, e que tinha convencido a torná-lo seu conselheiro, a viajar para Aman e desafiar os Valar, o que viria a resultar na Queda de Númenor, engolida pelas águas do oceano. Os Fiéis, conduzidos por Elendil, conseguiram escapar à destruição da ilha. Elendil desembarcou em Lindon, e tornou-se amigo de Gil-Galad. Os sobreviventes de Númenor fundaram dois reinos, Arnor, em Eriador, a leste de Lindon, governado por Elendil, e Gondor, no sul, governado pelos seus dois filhos Isildur e Anárion.

Gil-Galad construiu as Torres Brancas nos Montes das Torres para Elendil. Na torre mais alta da construção, Elostirion, Elendil guardou uma das sete palantir, as Pedras da Visão, chamada de pedra de Elendil, e que olhava para oeste, dizendo-se que conseguia avistar Aman.

Em 3429, Sauron, que entretanto havia recuperado muito do seu poder, atacou Gondor, defendido a muito custo por Isildur e Anárion. No ano seguinte, face a esta grande ameaça, Gil-Galad e Elendil formaram uma aliança, que viria a ser conhecida como a Última Aliança de Elfos e Homens, e uniram os seus exércitos para defrontar Sauron, Gil-Galad conduziu as suas hostes para leste, a partir de Lindon. O seu arauto era Elrond, e Cirdan também o acompanhou na campanha. Para as batalhas, Gil-Galad usava cota-de-malha brilhante e um elmo, e empunhava a grande lança Aeglos numa mão e um escudo de prata com estrelas brancas na outra.

Elendil aguardava por Gil-Galad na Torre de Amon Sûl, no Cume do Tempo, tendo assistido de lá à sua chegada. Prosseguiram então para Rivendell, em 3431, e o exército que juntaram era a maior força vista na Terra-Média desde que a Hoste dos Valar atacara Morgoth, e nada como ela voltaria a ser visto.

“ – Lembro-me do esplendor das suas bandeiras –disse [Elrond] – recordaram-me a glória dos Tempos Antigos e as hostes de Beleriand, tantos e tão grandes príncipes e cheges guerreiros estavam reunidos.”
O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel: O Conselho de Elrond

Os exércitos da Última Aliança atravessaram as Montanhas Nebulosas e marcharam para sul, ao longo do rio Anduin. Gil-Galad convocou os Elfos Silvestres das florestas ao longo do grande rio, e a ele juntaram-se as forças de Amdir de Lothlórien e Oropher da Floresta Verde.

Em 3434, chegaram à grande planície que antecede o Portão Negro de Mordor. Aí a Última Aliança enfrentou o grosso do exército de Sauron, na maior peleja da Era, a Batalha de Dagorlad, com grandes baixas para ambos os lados. Mas a Aliança conseguiu uma vitória indiscutível e Gil-Galad e Elendil entraram em Mordor e cercaram Barad-dûr, a fortaleza de Sauron. O duro cerco durou sete anos, e durante as lutas constantes com orcs e outras criaturas do Senhor Negro morreram muitos Elfos e Homens, incluindo Anárion.

Por fim, o próprio Sauron desceu da sua torre. No sopé do Monte da Condenação, lutou com Gil-Galad e Elendil. O rei élfico pereceu sob a mão negra de Sauron, que queimava como fogo, e Elendil também foi morto, mas juntos conseguiram derrubar o adversário e destruir o seu corpo físico. Isildur, filho mais velho de Elendil, cortou o Um Anel da mão de Sauron. O sacrifício de Gil-Galad, embora heróico, não conseguiu o seu objetivo, uma vez que o espírito do servo de Morgoth perdurou, escondeu-se durante muitos anos, planeando em segredo o seu regresso.

Não houve um Alto-rei depois de Gil-Galad, que não teve herdeiros. Mas a memória do maior Elfo da Segunda Era nunca foi esquecida, e os seus feitos são recordados por todos em lenda e canto.

Cronologia

Primeira Era
c. 450 – Gil-Galad nasce em Beleriand.
455 – Gil-Galad é enviado para os Portos de Falas quando a Batalha das Chamas Repentinas começa.
472 – Morte do seu pai Fingon na Nirnaeth Arnoediad.
473 – Os exércitos de Morgoth atacam Falas e o povo de Gil-Galad, juntamente com o de Círdan, é obrigado a recuar para a Ilha de Balar.
510 – Gil-Galad tornar-se Alto Rei dos Noldor depois da morte de Turgon no cerco a Gondolin.
545-590 – Morgoth é derrotado na Guerra da Ira pelos exércitos dos Valar. Gil-Galad permanece na Terra-Média e se estabelece em Lindon.

Segunda Era
1 – Os Portos Cinzentos são criados.
600 – Gil-Galad acolhe o primeiro barco de Númenor que chega à Terra-Média.
883 – Gil-Galad envia uma carta para Tar-Meneldur, rei de Númenor, expondo-lhe os seus receios de que um servo de Morgoth pode estar a ganhar poder na Terra-Média.
1200 – Sauron tenta entrar em Lindon mas Gil-Galad se recusa a tratar com ele. Apesar das suas advertências, os Elfos de Eregion acolhem-no.
1600 – Sauron forja o Um Anel.
1693 – Começa a guerra entre os Elfos e Sauron. Gil-Galad recebe Narya e Vilya para que os Anéis fiquem seguros.
1695 – As forças de Sauron invadem Eriador. Gil-Galad envia Elrond para Eregion, de forma a defender a região.
1697 – Eregion é destruída. Elrond é obrigado a recuar com o resto dos Noldor e encontra o refúgio de Imladris.
1700 – Os exércitos de Sauron assolam Eriador e chegam às fronteiras de Lindon. Tar-Minastir envia uma grande armada de Númenor para ajudar os Elfos.
1701 – Sauron é derrotado na Batalha do Gwathlo e foge de Eriador. Gil-Galad aponta Elrond como seu sucessor.
3319 – Ar-Pharazôn ataca Valinor mas a sua frota é destruída. Queda de Númenor. Elendil e o seu povo escapam a tempo e desembarcam em Lindon. Elendil torna-se amigo de Gil-Galad.
3320 – Os reinos de Arnor e Gondor são fundados. Sauron regressa a Mordor.
3429 – Sauron volta a erguer-se e ataca Gondor.
3430 – Elendil e Gil-Galad formam a Última Aliança entre Elfos e Homens.
3431 – O exército da Última Aliança reúne-se em Valfenda.
3434 – As forças de Sauron são derrotadas em Dagorlad. Início do cerco a Barad-dûr.
3441 – Sauron é derrotado por Elendil e Gil-Galad, que morrem. O espírito de Sauron foge e esconde-se. Fim da Segunda Era.


Nome
Gil-Galad é um nome sindarin e significa algo como “luz de estrela” ou “estrela de radiância”. O elemento Gil significa “estrela”, enquanto que Galad deriva de calad que significa “luz”. Este não era o nome original dele; diz-se que lhe foi dado porque o brilho da sua armadura e escudo de prata podia ser visto de longo, embora outras fontes afirmem que era o brilho dos seus olhos.


Outros nomes
Ereinon: É o nome de nascimento de Gil-Galad e significa “descendente de reis”. O elemento erein deriva de erain, que se traduz para “reis , e ion significa “filho”.
Artanáro
Rodnor
Alto-rei dos Noldor: Gil-Galad foi o sexto e último dos Altos Reis dos Noldor, depois de Finwë, Fëanor, Fingolfin, Fingon e Turgon; reinou durante toda a Segunda Era.


Fontes
The Thain’s Book – Gil-Galad
The Complete Tolkien Companion, , J. E. A. Tyler
O Silmarillion – Akallabêth, J. R. R. Tolkien
O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel, Livro II, Capítulo II: O Conselho de Elrond, J. R. R. Tolkien
O Senhor dos Anéis – Apêndice B: A História dos Anos, J. R. R. Tolkien