Imagine só… SdA com 9 horas

Pois bem, vou começar falando de filme mas suas consequências são muito mais abrangentes. Pois imagine que estou lendo uma mensagem de um colega, que afirmava que seria inviável transpor com fidelidade "O Senhor dos Anéis", pois para isso seriam necessárias 6 horas de filme.
 
Foi quando me veio a questão:Ora, existe um filme alemão chamado "Berlin-Alexanderplatz" que no cinema teve 9 ou 7 horas de duração.
Suponhamos que o cinema europeu, que tem um andamento mais lento e menor compromisso com cifras, se propusesse a produzir a obra de Tolkien? Imaginem só que máximo. Direção do Lars Lars von Trier ou um daqueles loucos dinamarqueses que só fazem filme cabeça.

O Senhor dos Anéis redefiniria o Dogma95. Sem efeitos especiais, sem atores famosos, sem trilha sonora e falado em seu idioma original: Sindarin.Nove horas de filme!!! Em élfico, finalmente aguém comprenderia os filmes do Dogma. A academia ia desprezar o filme que só ganharia uma indicação para oscar de filme estrangeiro. Em compensação, os festivais de Cannes, Berlin e Veneza se renderiam a "apoteose intimista do ano".

Porém, o filho do Tolkien ia odiar.

A gente ia tirar a maior onda, pois a nova intelectualidade ia reconhecer o quanto Tolkien pode ser "muderno", contestador e visceral. Então deixariamos de ser tachados de nerds, pra sermos chamados de descolados.

Íamos frequentar os lugares mais sofisticados com honrarias, e seríamos figurinhas fáceis em mesas de debates sobre arte contemporânea. O RPG seria elevado ao staus de arte conceitual e a Bienal seria invadida por instalações que reproduziriam as sensações policromáticas da Terra Média.

Porém, o filho do Tolkien ia odiar.

O Gerald Thomas ia aparecer com a camisa da Valinor e ia encenar sua nova versão teatral do SDA, tendo o metrô de São Paulo como pano de fundo(sim ele começaria pelas Duas Torres pois o tempo cronológico é imaginário). O Matias Suzuki ia falar mal mas ia adorar, enquanto o filho do Tolkien ia odiar.O Fausto Fawcet ia compor uma música…não, um espetáculo multimídia. Caetano ia dizer que sempre achou os elfos muito belos, muito lindos.

Carlinhos Brown ia dizer que na verdade eles eram negros, e o Luis Mota ia falar que todos eram homossexuais. O filho do Tolkien ia odiar. Elba Ramalho ia dizer que era uma elfa. Xuxa e Tiazinha iam acreditar. E a gente, putz, ia ficar de saco cheio de Tolkien e ia entrar pro fã clube do Harry Potter, junto com o filho do Tolkien que que ia adorar.

Bom pensando bem, deixa pra lá…