O Livro Negro de Arda – Capí­tulo 5

Continuamos a publicação da fanfic O Livro Negro de Arda, agora com o Quinto Capítulo: Criações da Solidão. Os demais capítulos podem ser encontrados aqui.
 
 

PARTE PRIMEIRA. O CORAÇÃO DO MUNDO
CRIAÇÕES DA SOLIDÃO. O COMEÇO DOS TEMPOS

…Os homens não virão até aqui – até a terra noturna das geleiras eternas, o imortal reinado do frio para onde ele se retirou, atormentado pela dor de Arta. Mundo vivo e jovem, que os Valar domavam, refazendo-o de acordo com a vontade e com os planos de Eru. Simplesmente como uma afiada faca corta o corpo de uma criança. Ele tentou falar, não o ouviam. Ele tentou mostrar-lhes – aqui, vejam, pois mundo existe, ele espera somente o toque das suas mãos, vocês estão despedaçando o vivo… Eles não viram. Ele falava – vocês estão matando a sua música, porque esta música – é a sua música! Eles não entendiam. Ele implorava – a quem – a quem ou a que vocês desejam adular? – vocês sacrificam os seus planos, o mais sagrado do santuário das suas almas?! Eles viraram-se contra ele. A guerra, na qual não havia vencedores. E ele quase não tinha mais forças.

Também os Valar não virão até aqui – às montanhas na fronteira do reino da noite eterna de inverno. Somente a Coroa no céu: sete – fragmentos de gelo, uma – chama clara.

Helgor – Montanhas de Gelo. Helgor – amargo gelo. Helgor, tristeza.

Montanhas, coroadas por torres, como talhadas no gelo da noite eterna. Somente mais tarde este primeiro refúgio do Vala Escuro será chamado de Utumno; agora ninguém sabe sobre ele, e ele vaga, solitário, pelas salas subterrâneas. Novamente – só.

Eles tornaram-se criações da sua solidão – aqueles, a quem os nórdicos mais tarde chamarão de Espíritos do Gelo. Ele deu-lhes o corpo de neblina gélida e asas de tempestade de neve, vestes de chamas de gelo cintilantes e frias estrelas dos olhos, pureza cristalina dos pensamentos e vozes semelhantes ao sussurro dos pedacinhos delicados de gelo e ao tinir dos galhos congelados. De alguma maneira, eles pareciam humanos, mesmo que a aparência e a essência deles fossem outros.

Se os Espíritos do Gelo conhecem o amor, eles deviam amavam o criador deles. Eles raramente apareciam na morada dele – mais freqüentemente ele é que ia até eles, e o estranho mundo cintilante que eles criavam e do qual faziam parte presenteava-o com breves minutos de sossego, e a solidão o atormentava menos.

Eles eram sábios e belos. Mas eles não eram humanos.