O Grifo de Avalon

A VISITA DE VIVIANE
CAP.I

Era uma bela manhã em Mirkood. A alvorada nascera de céu azul e limpo, e os pássaros cantavam alegremente.

Na boxe de Orion, Legolas escovava o cavalo, todo satisfeito. De súbito, algo chamou a atenção do cavalo; Thranduil acabava de entrar, e trazia consigo um pano preto e uma rédea. Chegou-se ao pé do filho e deu-lhe o estranho equipamento:
-Quero ver se te safas com estes arreios. – disse Thranduil, enquanto o filho fazia uma cara de «cruz-credo!».
Relutante, o jovem elfo lá colocou o pano no dorso de Orion e a rédea sem freio e sem cabeçada na boca do corcel. Em seguida montou. Até que era fácil!!

 

Em seguida, o rei disse ao filho para se dirigir para o picadeiro. Assim fez Legolas:
-Agora vais a galope, sem volteio!! – ordenou o rei (volteio é quando o cavalo anda primeiro a passo no picadeiro, para não acontecer o que vamos ver já a seguir).

Ora o bom Orion, como não tinha feito o reconhecimento, desatou num galope desenfreado, sem que nada o parasse. Ia tão depressa como Ciclone, quando este ia a fugir dos javalis.
Na garupa do cavalo, Legolas, mal se aguentava; não tinha estribos para se apoiar, não tinha arção para se segurar (o arção é a parte da frente de uma sela), e não tinha freio para travar!! Do lado de fora, Thranduil ria-se.
O pobre elfo, começando a irritar-se, deu o maior puxão da sua vida à rédea, Orion empinou-se e depois travou. Thranduil parou de se rir:
-E se não tivesses rédea? Como é que fazias? Está na altura de montares como um elfo, meu menino, não como um humano!! Amanhã, à mesma hora, aqui, sem sela, sem freio!! – ralhou o rei. Que pai chato que ele tinha!!!

Depois de aparelhar o cavalo devidamente, Legolas decidiu dar um passeio na floresta. Trotava calmamente, e assim trotou durante horas e horas. Mais tarde, quando já a noite vinha, ele apercebeu-se de que já não estava em Mirkood e sim na Escócia. ‘Já que é assim, vou para Camelot! Aqui é que eu não fico!!!’, pensou Legolas, satisfeito por ter surgido uma boa ocasião para se escapar aos treinos impostos pelo pai, Avançou, então, pelas grandes planícies escocesas fora.

Então, quando estava quase a alcançar a estrada para Camelot, à sua frente, num belo cavalo branco de olhos castanhos, apareceu uma fada; era alta e magra, de pele alva e olhos verdes. Tinha cabelo longo e liso, castanho como a casca dos carvalhos. Era ela Viviane, a Fada do Lago de Avalon:
-Legolas filho de Thranduil, peço-te que me ajudes, pois o meu tempo está a passar; vai a Camelot, e pede aos Cavaleiros mais puros que lá houver para desvendarem, rápido, este enigma. A resposta vai conduzi-los a Avalon, onde terão de enfrentar uma besta que para lá foi. Escuta bem;

Pelo meio dos carvalhos caço;
Tenho dentes de aço;
Vivo na montanha Branca,
Muitos me temem,
Só de ouvirem o meu nome já tremem.
Animal nobre sou,
E quem me domar,
Comigo deve ficar.

– em seguida, Viviane desapareceu. Legolas, muito estupefacto, galopou então para Camelot.

Que estranha visita!!
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A ESTRADA PARA AVALON
CAP.II

Mal chegou a Camelot, pediu para ver os cavaleiros do rei.

Dennis, o rapaz que estava de serviço aos cavalos, conduziu o princepe élfico até á enfermaria. Lá encontrou todos os cavaleiros em volta de uma cama, onde estava deitado Bors, e a sue lado estava sentada uma rapariga que o elfo desconhecia. Estavam-se todos a rir, e isso era sinal de que Lancelot tinha feito das dele:
-Olha quem chegou!!! Já conheces a Sheradan? – indagou Maria, vendo o elfo aproximar-se:
-Não, mas o que é que te aconteceu? – questionou Legolas, olhando Bors:
-Isto foi fruto de uma paixão… – suspirou Lancelot, com as caras engraçadas que ele tinha o jeito de fazer. Bors não lhe achou muita piada –‘Tava a brincar! Tudo começou à duas semanas atrás; o Bors andava na floresta, todo distraído, e encontrou esta rapariguita aqui. – e Lancelot apontou para Sheradan. A rapariga era alta e era maciça (não digo gorda porque ela não era gorda), tinha cabelo preto e olhos azuis – Então o senhor Bors apaixonou-se por ela – Bors atirou-lhe a almofada -… Puf!!… e trouxe-a para aqui. Então uns dias depois tivemos de ir para patrulha, e o Bors pela primeira vez recusou-se a ir – Bors tentou levantar-se para dar uma chapada em Lancelot, mas foi impedido pela rapariga -… e nós perguntámos-lhe por quê, mas ele emburrou e não nos disse. Quer dizer, disse à Maria, e ela disse-nos o porquê. Mas tivemos de o amarrar ao cavalo e arrastar o cavalo dele. Ora na batalha ele estava no mundo da Lua, foi atingido, e agora está aqui… – terminou Lancelot –O Borsizinho encontrou o primeiro amor…
-ANDA CÁ SEU COBARDE!!! – gritou Bors, começando a correr atrás de Lancelot. Foi ai que Legolas se lembrou do que tinha de fazer:
-Ei!! Agora conto-vos eu o que me aconteceu. – e o elfo lá contou o que lhe tinha acontecido. Os cavaleiros estavam estupefactos. Em seguida, Legolas disse-lhes o enigma:
-Isso é fácil… é a Estrada do Grifo!! – disse Sheradan –Eu conheço o caminho, e posso mostrar-vos!

E assim, no dia seguinte, Lancelot, Maria, Galahad, Benevere, Robin, Bors, Sheradan e Legolas partiram para Avalon. Que sorte terem Sheradan ali com eles!

O GRIFO ATACA
CAP.III

Era realmente uma estrada bem escondida!! Nem sonhavam, os nossos amigos que aquele barrancozito em Sherwood marcava o inicio da Estrada do Grifo.
Avançaram pela zona desconhecida da floresta, até que chegaram a uma descida para um vale, amplo e verdejante. Lá, teriam que tomar o caminho das montanhas, e depois  teriam que atravessar o rio Clydsdale (não estou a inventar, pois este rio existe mesmo e até deu nome a uma raça de cavalo escocês).

Cinco dias depois e tinham chegado aos portões de Avalon.
A cidade era linda, mesmo envolta naquela misteriosa bruma branca. Era recheada de lindas e majestosas faias, e de um poderoso e imponente carvalho. Ao lado do carvalho, começava o lendário Lago, onde Arthur, pai de Lancelot e de Maria havia, muitos anos atrás, conseguido Excalibur. Aquele lugar era mágico.

Bors e Sheradan iam juntos, até que o atrevido Lancelot se pôs no meio deles. Já ninguém sabia se ele só queria brincar ou se não queria que o amigo se esquecesse que tinha obrigações que implicavam largar tudo à hora que fosse necessário. Bors começava a não gostar muito daquela brincadeira estúpida.

Maria e Legolas chamaram Lancelot, e a irmã disse-lhe assim:
-Maninho, tu não podes obrigar o Bors a ignorar o que ele sente! Só por ele ter arranjado uma nova companhia não quer dizer que se esqueça das velhas companhias!
-Sim, sim… e tu, elfo – disse Lancelot, mudando totalmente o seu comportamento -… mantém-te longe da minha irmã! – e o cavaleiro incitou o cavalo a galope. Legolas e Maria entreolharam-se, e só depois repararam que tinham as mãos dadas.

Então, à meia-noite, eles param de explorar Avalon. Não tinham encontrado vestígios de grifos, e estavam exaustos, tanto de procurar como de ouvir Lancelot resmungar.

Subitamente, ouviu-se um barulho, forte e arrepiante:
-Que foi isto? – perguntou Sheradan, agarrando fortemente a mão de Bors, que se alertou. Maria encostou-se ainda mais a Legolas.
Repentinamente, dos céus escuros, saiu um animal colossal; tinha corpo de leão, olhos de cobra, asas de águia, orelhas de morcego e um bico afiado e curvo, como o dos papagaios. A sua cabeça era como as das águias; era o grifo:
-PROTEJAM-ME!!! – gritou Robin. Bors tapou-lhe a boca:
-Se ninguém fizer nada ele não nos vê… os grifos não vêm bem… – afirmou Bors, Colocando lentamente a mão na espada. Então Robin viu uma traça:
-AI!! BICHO!! BICHO!!! – e levantou-se, começando a correr. Acto contínuo; o grifo atacou.

Deu uma forte patada a Legolas e a Bors, que foram atirados a uma distância razoável, em seguida, deu uma forte caudada a Robin e a Galahad, e devo dizer que o bicho ainda teve a lata de dar um coice a Lancelot. Maria e Sheradan desviaram-se a tempo.

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DUAS BOAS PROVAS
CAP.IV

Mas o bicho ainda não tinha acabado! Voltou a sua atenção para Maria e Sheradan:
-Sher… distrai-o enquanto eu o tento montar. – ordenou Maria. E assim fez Sheradan; saiu do esconderijo e gritou:
-EI!! BICHAROCO, CARA DE TOSCO!!! A TUA MÃE ERA UM HAMESTER E O TEU PAI CHEIRA A AMORAS!!! ATÉ A MINHA TIA CHEIRA MELHOR QUE TU!! – o grifo pareceu ofender-se, pois começou a correr atrás de Sherandan.

Maria tinha subido ao carvalho, e, quando o bicho passou debaixo da árvore, Maria saltou-lhe para o dorso. Agarrou-se o melhor que pôde às penas lisas e castanhas do pescoço do grifo. Este começou a espernear e a empinar-se, mas não se atrevia a levantar voo. Por que seria?

Enquanto isso, Lancelot estava em grandes apuros; aproximara-se do Lago, e dele saíra um dragão branco e azul. Bors, ao ver o amigo em apuros, precipitou-se para eles; desviou Lancelot de uma forte patada, e caiu, outra vez, com o peito em sangue e a cota e a túnica rasgadas e agora vermelhas.
Ora Sheradan viu, e deu uma rápida corrida até ao cavalo, incitou o animal a galope, pegou numa lança, e atacou o dragão pelas costas, salvando Lancelot e Robin.
Do outro lado da cidade, Legolas, Galahad e Benevere tinham encontrado umas lianas, que vinham mesmo a calhar, e amarravam agora o grifo, já mais cansado graças a Maria. A rapariga desceu graciosamente do dorso do colosso voador, e abraçou-se a Legolas:
-Sinto uma certa falta da Ana… – suspirou Galahad. Benevere, muito engraçadinho, deu-lhe um abracinho – Xô Galinha!!! – gritou Galahad, horrorizado.

Pouco tempo depois, o grupo, já junto, andava ás voltas de Bors. Aquele cavaleiro nunca se aleijara tanto como agora!! Subitamente, por trás do grifo, surgiu uma bela mulher, muito alta e magra, de longos e ondulados cabelos castanhos. Tinha o olho direito azul e o esquerdo castanho. Estava totalmente vestida de branco; era a Dama do Lago, e, a seu lado, vinha Viviane:
-Bravos cavaleiros, vencestes a minha prova, e orgulho-me de vós. Todos, em especial tu, Lancelot, que aqui nascestes, vistes que o teu amigo não te deixou mal, e que ele abdicou de Sheradan para te ajudar. Isto custar-lhe-á a vida… – disse a Dama. Então duas lágrimas rolaram pelo rosto de Sheradan, mas mais rolaram pelo rosto de Lancelot:
-Não à nada que possamos fazer? – inquiriu Legolas. Viviane olhou-o:
-Sim, há… volta depressa ao Clydsdale e volta montando Cimarron, o unicórnio que por vezes lá vai. – ordenou a fada. Ò não!!! Montar em pêlo não!!! Mas era por uma causa, por isso, lá foi Legolas.

Enquanto isso, a Dama do Lago avia concedido um quarto a Bors, sempre acompanhado por Sheradan:
-Isto foi culpa minha… – suspirou a rapariga. Sem se dar conta, o cavaleiro agarrou-lhe a mão:
-Nada do que aconteceu foi culpa tua! – corroborou Bors – Promete-me que ficas aqui comigo…
-Tens a minha palavra! – e então, Sheradan debruçou-se, e beijou o cavaleiro na bochecha ferida.
 

BICHO CHATO!
CAP.V

Orion travou, finalmente, nas margens do Clydsdale. Realmente, do outro lado, pastava um majestoso unicórnio azulado, com as crinas amarelas e o chifre negro. As suas possantes patas, muito peludas, possuíam um tom de laranja junto aos cascos cor de prata. Era realmente um belo animal!

Legolas aproximou-se do unicórnio, apeado. Quando estava já a um passo dele, o cavalo mitológico ergueu a pesada cabeça e começou a trotar habilmente na frente do elfo, de maneira provocadora.
O jovem elfo começou a correr atrás de Cimarron, mas o unicórnio começou a galopar, lentamente. E Legolas sempre atrás dele!! Orion estava muito divertido.

O elfo depressa se cansou; correr depressa em círculos era mesmo especialidade dos cavalos, e não dos elfos:
-Vá lá!! Colabora! – murmurava entre dentes Legolas, enquanto via Cimarron passear-se à sua frente.
Ocorreu então uma ideia ao jovem elfo.

Legolas virou as costas ao cavalo mágico, e fingiu desmaiar. Como era de prever, Cimarron aproximou-se da figura caída perto do rio. O animal cheirou a face do elfo. Este, quando sentiu o bafo a ervas do unicórnio, agarrou o focinho dele. O que o elfo não previra foi que Cimarron o poderia mandar à água, e foi o que fez; Cimarron sacudiu a cabeça e Legolas foi parar ao Clydsdale. Sorte a dele que o rio estava com pouca força!

Então, já farto do cavalo, deu a corrida mais rápida da sua vida até perto do unicórnio e saltou-lhe para cima. Incrível!! Montou Cimarron sem sela nem arreios!! Agora o problema seria manter-se em cima do animal enquanto este fosse a galope. Ora certamente não poderia desaparelhar Orion e colocar os seus aparelhos no unicórnio!!

Legolas resolveu arriscar. Incitou o unicórnio a galopar, e depois assobiou para Orion os seguir.
Cimarron era muito rápido, mas galopava devagar, para Orion o poder acompanhar, mas o cavalo élfico era resistente e veloz o suficiente para acompanhar o ritmo imposto por Legolas a Cimarron. E assim, célere, lá galopou Cimarron, levando como cavaleiro um elfo que estava orgulhosíssimo de si mesmo, 1º, por estar a conseguir fazer a tarefa imposta por Viviane, 2º, por não ter caído e por já estar a ganhar alguma prática. Legolas estava desejoso de ver a cara do pai quando montasse Orion sem sela e não caísse.

Finalmente, ao raiar do dia, transpôs os Portões de Avalon.

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RETORNO A CASA
CAP.VI

No meio de Avalon todos esperavam Legolas. Rejubilaram ao ver o elfo regressar, montado em Cimarron.

Então Viviane arrancou calmamente uns fios de crina a Cimarron, e deitou-os num caldeirão cujo conteúdo borbulhava. Depois despejou a mistela para um frasco e deu-o a Sheradan:
-Põe-lhe isto nas feridas, e ele vai melhorar. Todos vós aprendestes uma valiosa lição; alguém novo não faz ninguém esquecer os velhos amigos. E tu, Legolas, estás agora mais bem preparado para os desafios que o teu pai te fizer… – volveu Viviane. Depois a fada montou o seu belo corcel, e partiu para a Floresta. Amanhecia em Avalon, e a cidade que de noite era bela e imponente desmoronou-se na bruma, e dela restou apenas a Floresta, o Lago e uma pequena capela.

Montaram todos, e, quando Bors já estava em cima do cavalo de Sheradan, esta incitou o cavalo a passo. O pobre cavalo agora teria de levar um rapaz bem constituído e musculado e uma rapariga um tanto maciça. Não que o cavalo não fosse capaz, pois era um cavalo de tiro, mas o caminho ainda era longo!!
-‘Tou mesmo a ver o meu pai ; “Legolas Folha Verde!!! Onde estiveste!!! É tua obrigação como príncepe estar em casa a horas!!! Já para o teu quarto de castigo!!!”, imitou Legolas, imaginando já a cena na sua mente, se bem que ele tinha a certeza absoluta de que seria pior, muito mas mesmo muito pior…

De noite param para os cavalos descansarem. Foi então que o Grifo, (como tinham chamado ao grifo. Um grifo chamado Grifo…) que tinha andado a voar por cima das cabeças deles aterrou. Maria olhou-o:
-Grifo, meu amigo, que tal seres útil?
-Que tenho de fazer? – perguntou então o animal, sentando-se à frente de Maria:
-Levas o Bors e a Sheradan para Camelot. Eu depois apareço com o teu cavalo, Sher! – disse Maria. Grifo aceitou. Chegariam a Camelot em menos de três horas.

Um pouco receosa, Sheradan montou, e montou Bors com ela. Então o Grifo abriu as suas enormes asas e levantou voo. A vista vista de cima do dorso do ciclópico animal voador era fabulosa, mas não fazia Sheradan esquecer-se da sua tristeza e preocupação. Pouco depois chegaram a Camelot.

LEGOLAS EM SARILHOS
CAP.VII

Os cavaleiros e o elfo chegaram a uma encruzilhada. Legolas despediu-se deles, e virou para Mirkood.
Apesar de não o saber, era acompanhado, à distância, por Cimarron, O unicórnio parecia ter simpatizado com o elfo…
Legolas galopou durante muito, até, quando deu por si, estava às portas de Mirkood.
Entrou ainda a galope na cidade, e qual foi o seu azar; o seu pai vinha a descer as escadas. O rei estava fulo.

O pobre Legolas olhou em volta; as patrulhas estavam de saída, e o povo sorria, dado o retorno dele:
-Então já voltaste!!! Satisfeito!! Quase me deste um ataque cardíaco!! Onde foste???? – ralhou Thranduil, parando em frente ao cavalo do filho. Legolas tirou uma pena do Grifo da aljava:
-Sabe de que animal é esta pena? – perguntou calmamente o jovem princepe.
-Sei muito bem que é uma pena de grifo… QUER DIZER… BALDAS-TE AOS TREINOS E AINDA TE METES COM UM ANIMAL TRÊS VEZES MAIOR QUE TU!!! – enfureceu-se o rei.
-Maior que eu não!!! O Grifo é do tamanho do Orion! – corroborou Legolas, indignado. Shala, que estava perto, disse:
-Perdão majestade, mas é preciso ser-se muito bravo para conseguir uma pena de grifo. Anda por aqui algum grifo?! – a população assustou-se.
-Não! – exclamou Legolas, começando a irritar-se com a ignorância daquele povo:
-ENTÃO AONDE É QUE TE FOSTE ENFIAR? – quis saber Thranduil, aos berros com tudo e todos:
-O teu filho, ó criatura ingénua, arriscou-se para ajudar cavaleiros que não os dele. Ele foi a Camelot, ajudou a domar o grifo de Avalon e montou-me em pêlo! Se achas que teu filho e seu cavalo não merecem descanso, estás muito enganado! – quem falou tão sabiamente e em defesa de Legolas foi Cimarron. O unicórnio avia entrado, sem que ninguém se apercebe-se. Os elfos olhavam, um tanto espantados e confusos para Legolas e Cimarron.
-Tu montas-te um unicórnio? – agora era demais! O pobre rei elfo estava mais desorientado que uma barata tonta! O seu filho? Aquela criatura magrela e palitosa, que parecia nem ter músculos, ajudara a domar um grifo e montara aquele animal gigantesco sem rédea, sem sela… ele simplesmente não conseguia acreditar! Thranduil tinha uma imensa vontade de abraçar o filho e felicitá-lo, mas ele simplesmente não podia… pelo menos em frente aquele público todo!

Legolas virou-se para Cimarron:
-É melhor ires. Traz-me notícias do Bors. – pediu Legolas. Cimarron assim fez; deu meia volta e galopou em direcção a Camelot. Agora a questão entre pai e filho era entre pai e filho.  

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PAI ORGULHOSO É PAI BEM DISPOSTO
CAP.VIII

Legolas e Thranduil entraram no gabinete, e o rei olhou o filho:
-Bem, então para quem montou um unicórnio, montar o Orion deve ser canja! – provocou Thranduil, satisfeitíssimo com o filho:
-É… deve ser canja! – concordou Legolas.

Saíram os dois em direcção aos estábulos, onde Orion repousava. O cavalo não ficou muito satisfeito com o facto de ter de fazer mais exercício físico, mas pronto…
Desta vez, Thranduil deixou Legolas fazer volteio. Então, como se os dejesos do rei se concretizassem, apareceram nem mais nem menos do que Elrond e os filhos:
-Então, pelos vistos temos aqui um bom cavaleiro!! Grifos e unicórnios!! – elogiou Elrond. Lá no fundo, o elfo sentia um bocadinho de pena de não terem sido os filhos dele a realizar tal proeza.
-Pois é… agora vai… galopa! – ordenou Thranduil, muito orgulhoso. Legolas meteu Orion a galope, e tal como acontecera em Cimarron, ele não caira. Foi então que, para o meio do picadeiro saltou o unicórnio. Nada melhor do que aquilo poderia acontecer a Thranduil:
-Fiz o que me pediste; o Bors melhorou e muito. Tem a Sheradan a fazer-lhe companhia e a Maria perguntou por ti! – informou o unicórnio. Legolas enruburesceu:
-Diz-lhe que estou bem… – esta foi a única coisa que coisa que Legolas soube dizer, em frente a tanta gente.

Cimarron sorriu, saltou a cerca e galopou novamente para Camelot.

Thranduil estava mais satisfeito que sei lá o quê, e, segundo os gémeos, ele era muito mais simpático quando estava chateado. Ai, ai… segundo Thranduil, felicidade era ter um filho que monta tudo.

Mas ao jantar foi ainda melhor; estavam a jantar no terraço, quando, mesmo à frente deles, aterrou Grifo, o grifo de Avalon:
-Mandaram-me entregar-te esta carta! – exclamou o animal, estendendo uma grande patorra ao elfo, que de lá retirou uma carta que dizia isto:

"Tu és chato, e tu não montas nada!!! Monto melhor que tu!! Aposto contigo que não te aguentas um segundo em cima do Ciclone!!!

PS- tu tens é de ver a cara do Bors quando anda com a Sheradan. Já o conheço á muito tempo, mas nunca pensei que ele pudesse ser tão distraído!!

                                                                     Maria

PPS- tu não sabes monta-ar!!! Tu não sabes monta-ar!!"

Legolas sorriu. Aquela Maria era tão provocadora!!
-Grifo, vamos dar uma voltinha  até Camelot? – inquiriu Legolas, montando o Grifo.

Thranduil, naquela noite, não se calou um único segundo, só para dizer que o filho tinha sido o 1º elfo a montar um grifo e um unicórnio! Realmente… um pai satisfeito era um pai bem-disposto!!