Um Cavalo Bravo e Um Rei

Sinopse: Orion e Thranduil não se entendem. Conseguirá ele conquistar o coração do rei?

Gênero: Drama / Ação

Classificação: 12 anos


 

Numa tarde de Verão, quando o dia estava a correr anormalmente bem a Legolas, este resolveu ir dar uma volta a cavalo. Tinha que aproveitar o facto de o pai não estar…

Entrou calmamente na boxe do cavalo e começou a escovar o animal.

-A sua crina encaracolada só me dificulta a vida, Orion. – disse o elfo, passando a mão na crina preta do cavalo branco.

-Vai sair, hã?! – disse uma voz em frente dos dois. “Bolas! Adeus passeio!” pensou Legolas, quando viu um par de olhos verdes a mirá-lo. – Pois bem, preciso que me empreste o seu cavalo. – disse calmamente Thranduil, dando a sela e a cabeçada ao filho.

-O senhor sabe que o Orion …

-Que o Orion tem medo de aranhas… sim, sim, sei. Despache-se!

-Não é is…

Mas Legolas não acabou, pois o pai já avia apertado a cilha da sela e colocado a cabeçada, levando Orion da boxe.

Legolas olhou o cavalo, e, nos olhos escuros do animal viu um brilho malicioso.

-Onde está o seu cavalo? – perguntou o príncipe.

-Está ali. Pode ir arrumá-lo. – respondeu-lhe o rei com algum desdém, montando Orion.

-Esse cavalo não é o que parece!! – gritou Legolas, mas foi em vão, pois o pai partia a galope.

Foi nessa altura que apareceu a mãe de Legolas:

-Onde está o seu pai, menino?

-… – não obteve resposta.

-Las? – continuou, pousando a mão no ombro do filho.

-Empresta sua égua? – questionou o príncipe.

-O Orion? – disse, por sua vez, a elfo. – Empresto sim. Se vir seu pai diga que esta cá Mestre Elrond.

Mas disse-o inutilmente, pois o rapaz avançava o melhor que podia num galope que a égua teimava em ser um trote suave.

Ao fim de algumas horas, Legolas ouviu alguém chamá-lo. Parou a égua e olhou para trás: estava a ser seguido pelos gémeos e por Estel, que trotava num cavalinho gorducho e baixinho, mas maior que um pónei.

-Pensava que podia fugir, não? – gozou Elladan.

-Não, eu vou atrás de um rei e de um cavalo bravo… – suspirou Legolas, olhando para o caminho na sua frente.

-Qual cavalo bravo? Qual rei? – quis saber Estel.

Legolas sabia muito bem que se disse-se que o seu pai corria riscos de ser mandado ao chão por um cavalo o seu pai seria motivo de risada. Porém, sabia que precisaria de ajuda, pois sabia bem da força de Orion.

-O rei é meu pai, e o cavalo é o meu…

-Puxa vida! Qual é o mal? – perguntou intrigado Elrhoir.

-Vocês não sabem do que é capaz o Orion.

E, dizendo isto, Legolas continuou o caminho, contendo com dificuldade as lágrimas, pois sabia que se Orion fizesse alguma asneira, teria de ser abatido, e ele gostava muito do seu cavalo. Não satisfeitos, os perseguidores continuaram a seguir o elfo.

Ao anoitecer, quando os gémeos convenceram Legolas a voltar, ouviram um relincho, forte e impiedoso.

-Orion… – murmurou Legolas, dando meia volta. Os outros seguiram-no.

Avançaram até um barranco traiçoeiro, e, lá em baixo, muito agitado, estava um cavalo branco de crineiras negras, ao lado de um elfo que esfregava o pulso, muito irritado.

-Orion! – chamou Legolas, satisfeito, obtendo como resposta uma rápida subida do animal.

-Legolas! Assim que eu puser as mãos em cima de ti! E desse cavalo também! – gritou Thranduil, levantando-se e subindo o barranco.

Durante o caminho de regresso ninguém disse nada. Legolas ia demasiado ocupado a examinar uma esfoladela que o cavalo tinha no pescoço, e, segundo os gémeos, Thranduil, sentado em cima da égua, pensava numa maneira de castigar Orion e Legolas.

-Esse cavalo vai ser abatido, amanhã de manhã. – disse, por fim Thranduil, em frente da mulher e de Elrond. Foi como se Legolas tivesse levado uma pancada no coração. Abater Orion? Porquê? O animal não tinha culpa!

-E vais ser tu a abate-lo, Legolas. – concluiu o rei. O elfo segurava agora as lágrimas com muita dificuldade.

-Pode o rei dizer o porquê desta bagunça? – disse calmamente Minerva, batendo com o pé sucessivas vezes.

-O teu filho emprestou-me um cavalo selvagem! – defendeu-se Thranduil, vendo a mulher aproximar-se do filho.

-Eu tentei avisá-lo, mas, como sempre, não me dá ouvidos, e desta vez é o meu pobre cavalo que paga as favas. – disse Legolas ferozmente.

-O teu pobre cavalo mandou-me ao chão! E eu só o esporeei!

-Por isso mesmo! Tem o péssimo hábito de usar esporas, e era isso que eu lhe queria dizer! Ele não gosta! E por sua culpa ele ficou todo esfolado!

-Por minha culpa?! Claro! Ele cai em cima de mim e esfola-se por minha culpa! Vai amarrar essa besta ao poste e vai afiar o machado. – ordenou, por fim Thranduil.

Legolas, sem se conseguir mais conter, deixou escapar umas lágrimas, e, seguido do altivo cavalo, que parecera compreender a discussão entre pai e filho, resfolegava docemente ao ouvido do dono.

Nessa mesma noite, enquanto Legolas era consolado pela mãe, que estava do lado dele, um vulto aproximou-se do palácio. Era um warg, demasiado grande para poder ser abatido pelos dois guardas da entrada, que foram rapidamente mortos pelo bicho, que, de uma patada só, abriu a porta e entrou. O bom Orion, ao ver aquilo, arrancou as amarras, e, num passo cuidadoso e decidido, avançou do picadeiro até as escadas, subindo-as com alguma dificuldade, e entrando.

Dentro do palácio já se instalara a confusão; os criados corriam por tudo quanto era sítio, os guardas acudiam, vinham os membros da patrulha de Legolas e de outros capitães, e, a certa altura,  descer as escadas, vinham Thranduil e Elrond, seguidos de Legolas e de sua mãe, Minerva. Os vários capitães também começaram a aparecer. Um pouco mais atrás vinham os gémeos e Estel, vestidos com um pijama e desarmados. O espanto deles quando viram que não conseguiam abater o bicho nem por nada deste mundo…

Legolas interveio rapidamente, e, de uma flechada só, fez o bicho cair desnorteado.

Thranduil, já mais orgulhoso do filho, por poder mostrar a Elrond a sua trabalheira, avançou de espada um punho para o bicho, que, repentinamente, se levantou e deu uma forte patata ao rei, que caiu por terra, muito apatetado.

Legolas, que se aproximara para ajudar o pai, foi surpreendido, levando uma dentada no braço e sendo arremessado para cima de alguns membros da sua atarantada patrulha.

Aquilo foi demais para Orion, que, empinando-se e relinchando, saiu do seu esconderijo e deu um forte coice no warg, que, incrivelmente, bateu numa armadura que lá estava exposta, e foi espetado pela lança dela. Coxo, mas ainda voraz, lançou-se à garupa do cavalo. Legolas ao ver aquela cena, gritou:

-Galopa! Galopa! – em seguida, começou a fazer estalidos com a língua.

O inteligente cavalo começou a galopar em círculos, acabando por, finalmente, fazer uma cambalhota, e, para espanto de todos os presentes, menos para Legolas, o warg largou-o, muito atordoado pelo peso recebido em cima das costelas.

Minerva, com instinto de mãe, pegou na espada do marido, e, rapidamente, espetou-a no peito do warg, que rebolou, morto. Largando a espada, virou-se para o filho, indo socorre-lo. Isto deixou Thranduil um pouco de consciência pesada.

-Ainda vai-me mandar abater o cavalo que salvou os seus? – perguntou Legolas, aproximando-se do pobre animal para lhe acariciar a crina suja de sangue.

Thranduil olhou em volta. O chão do hall estava manchado de sangue, olhou para os criados, para os guardas feridos, olhou para a mulher, olhou para Legolas e para o ferimento do braço deste.

-Vá tratar dessa ferida. – ordenou.

-Só depois de me responder. – teimou o elfo.

Thranduil olhou então para o cavalo, que metia dó.

Afinal, seria ingratidão para com o animal!

-Quero ver esse cavalo amanhã, limpo e apresentável.

Legolas e todos os presentes entenderam o rei. Orion poderia ficar, apesar de inactivo durante muito tempo.

Legolas afagou então o animal:

-É, a tua aparência engana, meu selvagem…

FIM