O Livro Dourado de Galadriel, Parte III

PARTE FINAL – A descoberta do Livro

Ainda em Lórien,
preparando-se para partir para Valinor, Galadriel escreve o fim do
livro dourado. O livro é um relato muito extenso, que traz vários
contos das épocas antigas em que Galadriel ainda vivia em Valinor, mas
que não foram aqui relatados.

 

 


“Sei que já escrevi o bastante sobre o meu passado, sobre como aqui cheguei vinda de Valinor e como tudo ocorreu; toda a Guerra do Anel e também sua origem. Esses relatos deveriam estar ocultos para sempre, mas depois da destruição de Sauron e agora com a paz para o domínio dos homens não havia mais o que ser escondido.

Parto hoje para minha terra natal e sei que nunca mais voltarei. Isso é tudo”.

Galadriel fechou o livro, deixando algumas lágrimas pingarem de seus olhos sobre as últimas páginas deste. Levantou-se e o levou até uma pedra longa e fria e deixou o livro ali ao lado do local. Sabia que ele seria encontrado pelas pessoas certas e teria o uso certo.

Partiu então para os Portos Cinzentos, de onde abandonaria a Terra-média para sempre. O navio chegou em Valinor com a ajuda dos Valar e os Portadores do Anel foram muito bem recebidos e Frodo e Bilbo passaram o fim de suas vidas no Reino Oculto.

Anos e anos após, Samwise Gamgi parte da Terra-média após a morte de Rosinha, e já idoso, chega ao Reino Oculto, dando-se então a chegada de todos os portadores do anel. Os Valar então encaminharam Sam até a casa de Frodo, onde vivia Gandalf, que agora voltara a ser o grande Maia Olórin, para ajudá-lo em sua velhice.

O túmulo de Bilbo estava na frente da casa de Frodo. Ele morrera poucos anos depois de chegar ao Reino Oculto. Mas Frodo ainda jazia vivo, deitado sobre sua cama, muito velho e doente. Sam entrou na casa de Frodo e ele sorriu ao vê-lo.

– Sam, meu velho amigo… que bom você ter vindo para cá.

– Ele já está muito doente, Sam – falou Olórin com um tom de voz baixo e triste. – Não há mais o que fazer.

Sam sentou-se ao lado da cama e pegou as pequenas mãozinhas de Frodo, que tremiam.

– Estou aqui, meu mestre – ele falou sentindo as lágrimas escorrerem pelos olhos. – Sempre estarei aqui para servi-lo.

– Você foi magnífico, Sam. Fez tudo que pode sempre que precisei de você. E lhe sou muito grato por isso.

Frodo deu uma tossida e inclinou-se de leve para aproximar-se de Sam.

– Pode viver aqui agora. Nosso amigo Gandalf poderá então voltar a sua vida nas florestas de Lórien, servindo ao grande Irmo.

– Não, Frodo – falou Olórin. – Eu irei ficar aqui com você até quando for preciso.

– Não será mais preciso, amigo. Obrigado por tudo que fez por mim e por Bilbo, Gandalf. Se não fosse por você, tenho certeza de que eu não estaria aqui e sabe-se o que estaria acontecendo na Terra-média.

– Pois a Terra-média jaz em plena paz – falou Sam, sorrindo. – Rei Elessar mandou-lhe lembranças.

– Eu sei que sim… Estou cansado e preciso dormir agora, Sam. Até breve.

Sam, com as lágrimas escorrendo pelos olhos, beijo a mão de Frodo sem o dedo médio e observou-o fechar os olhos para sempre.

– É triste vê-lo partir, Gandalf… – ele falou abraçando o velho amigo. – É muito triste para mim.

– Ele estava esperando somente que você viesse, para poder partir em paz.

Sam não viveu muitos anos em Valinor. Partiu da vida no mesmo ano em que se deu a passagem do Rei Elessar em Gondor. Arwen, desolada com o seu destino, partiu para Lórien, que jazia abandonada.

As flores murchavam lentamente e a vida ia se consumindo, assim como as lágrimas consumiam a Estrela Vespertina. E ela, prevendo o seu destino, sentou-se sobre uma pedra, e viu, lá, intacto, o Livro Dourado de Galadriel. Leu-lo inteiro e percebeu que havia uma página em branco, ainda marcada pelas lágrimas de sua avó. Escreveu nele tudo o que queria sobre sua história e sua vida inteiramente feliz ao lado de Aragorn como a Rainha de Gondor. Abraçada ao livro, Arwen partiu para sempre sobre a sombra dos mallorns já ressequidos de Lothlórien.

No mesmo ano, Legolas iria partir de Ithil com Gimli para o imenso Mar, mas sabia que ainda precisava fazer algo e antes disso, partiu para Lothlórien com Gimli.

A floresta jazia completamente seca, como se fosse um local normal. A pedra onde jazia Arwen estava iluminada por uma luz que emanava dela. Choraram ambos por ela e Legolas pegou o Livro Dourado, sem atrever-se a lê-lo, e levou-o para Eldarion, em Gondor.

O filho do Rei Elessar guardou o livro consigo para sempre e Legolas e Gimli partiram da Terra-média em busca da imensidão do mar azul, procurando um porto que pudessem atracar. Talvez pudesse caminhar ainda sobre o solo sagrado de Valinor. A terra Oculta agora poderia ser desbravada. Não havia mais nada que pudesse ser feito.

O mal se extinguira completamente da Terra-média, assim como a Sociedade do Anel. O domínio dos homens agora era completo e nada mais o abalaria e o mundo veio, pouco a pouco, a torna-se aquilo que já era previsto pelos Antigos.