O Livro Dourado de Galadriel, Parte I

PARTE I-A Chegada dos Istari

Sob a sombra dos mallorns,
Galadriel jazia sentada na relva dos jardins de Caras Galadhon. Sua
expressão era algo ligeiramente triste, e seus olhos se mantinham fixos
no céu claro sobre Lothlórien. Passava seus dedos alvos pela terra e
sentia a força de Nenya diminuindo. Sabia que o tempo apagaria tudo de
belo criado naquela terra esplendorosa. E sabia que chegara sua hora de
partir para o Oeste. A Floresta Dourada estava agora quieta e o destino
dizia a Senhora de Lórien que precisava voltar para Valinor, assim como
Elrond e Gandalf. Iriam com eles os Portadores do Anel, Bilbo, já muito
idoso, e Frodo Bolseiro. Mas antes de partir da Terra-Média para
sempre, Galadriel sabia que devia deixar algo naquela terra que o tempo
não pudesse apagar.

 

 

Em suas mãos, Galadriel trazia um livro dourado, completamente em branco. A tinta que usava também era dourada, extraída da folha dos mallorns de Lothlórien. Calmamente, ela escrevia, na Língua Geral, para que fosse compreendida por quem ela sabia que encontraria seus relatos gravados no Livro Dourado.

“Eis que chegou a época de minha partida e aqui preciso deixar, na minha terra, o meu relato de coisas ainda ocultas para os elfos, homens, hobbits e anões. A primeira das coisas que me veio à mente foi como aqui chegaram os Istari, de onde vieram e porquê vieram. Eles vieram, como a mim e a Mestre Elrond foi contado por Círdan, pelo mar. Primeiro Saruman, depois Gandalf e Radagast, seguidos pelos Magos Azuis, Alatar e Pallando. Como os rumores que corriam entre os elfos contavam, eles vieram de Valinor, enviados pelos Valar para conter o poder de Sauron. Essa história foi confirmada para mim por meu amigo Gandalf. Eis os fatos como a mim foram relatados por ele:

Em Valinor, os Valar se sentiam preocupados com Sauron após a captura do Um-Anel por Isildur. Sabiam que ele jazia ainda na Terra-média, muito enfraquecido. Mas lá não havia ninguém provido da alta confiança que os Valar necessitavam que pudessem manter a paz na Terra-média, como emissários.

Manwë, em seu extenso Palácio em Amon Uilos, o monte mais alto da terra, estava preocupado com a situação na Terra-média. As águias sempre lhe traziam os fatos que se sucediam e ele pensava em uma solução que pudesse conter o que sabia ser inevitável. Sauron iria se fortalecer para tomar o seu anel. Mas algo devia ser feito. E precisava ser logo. E junto a Rainha Varda, Manwë convocou o Conselho dos Valar e Valier nos pátios da casa de Irmo, em Lórien .

Todos os membros estavam presentes à longa mesa diante da Casa de Irmo, local especialmente escolhido. Até mesmo Ulmo, o Senhor das Águas. O assunto era de suma importância. E então, pronunciou-se Manwë.

– Meus caros Valar e Valier, convoquei este conselho para que tomemos uma decisão importante em relação aos fatos que se sucedem na Terra-média. Sauron ainda vive nela e precisamos conter seu poder. Precisava de algo ou alguém que fosse enviado a Terra-média sobre nossos cuidados especiais. Eu e Varda decidimos que um dos três membros ideais para ser parte desta comitiva é Olórin, o Maia.

Sentado às portas de Lórien, Olórin apurou seus ouvidos para a discussão do conselho.

– Meu caro Manwë está certo – falou Varda. – Olórin é de grande confiança minha e de Lórien também – ela disse olhando para Irmo – É sábio e muito valente. Creio que ele poderia ser enviado como emissário meu, de Manwë, de Estë e de Lórien, se estes também concordarem.

Lórien e Estë concordaram com gestos afirmativos.

– Pois que o Maia se apresente, já que cá está – falou Manwë, direcionando seu olhar a Olórin.

Este, então, dirigiu-se ao Conselho.

– Cá está então o enviado de vocês, meus caros Valar. Mas não poderei ir só. Não terei forças sozinho. Preciso de mais alguém.

Surgiu entre eles então o grande Curumo, o corrompido Saruman.

– Creio que poderei ir, em nome de Aulë e Yavanna, para a Terra-média.

Todos os olhares se dirigiram para ele.

– Se vais em meu nome – falou Yavanna, – leves consigo Aiwendil, para que possa auxilia-lo no que precisar.

Curumo olhou para a figura de Aiwendil, conhecido como Radagast, que estava atrás da cadeira onde jazia Yavanna.

– Se assim o quer minha senhora, assim será.

– Tenho eu também um enviado que seria o terceiro – falou Oromë. – Enviado meu, de minha esposa Vána, de minha irmã, Nessa, e de meu cunhado Tulkas. Nossa escolha seria Alatar.

Tulkas, Nessa e Vána concordaram com a escolha de Oromë. Alatar foi o Conselho, trazendo consigo Pallando.

– Eu aceito o chamado e peço para que possa levar comigo Pallando, que deseja muito acompanhar os Emissários.

O desejo de Alatar foi atendido e os cinco partiram para a Terra-média, todos sobre a forma de homens idosos, sendo que Curumo chegou primeiro, seguido dos outros. Com a chegada de Olórin, Círdan, depositando sua confiança nele, entregou-lhe Narya, um dos Três Anéis.

Os Magos Azuis, Alatar e Pallando, seguiram para o Leste da Terra-média com Saruman. Ninguém sabe o que aconteceu com eles, mas agora eu sei o que se sucedeu. O próprio Saruman disse-me depois de expulso de Orthanc, perto da entrada de Lothlórien, que já corrompido por sua maléfica ambição, assassinou Alatar e Pallando, que haviam notado a sua maldade e seu real propósito na Terra-média. Saruman, depois de assassinar os Azuis, voltou e instalou-se no Círculo de Isengard, usando Radagast sem que esse soubesse, para fins terríveis, como quando aprisionou Gandalf em Orthanc.

O único dos Emissários Istari não corrompido pelo o que a Terra-média podia lhe oferecer foi nosso querido Gandalf; Mithrandir; Olórin, que partirá desta terra para voltar ao seio de sua terra, o Reino de Valinor”.