Narya – Parte 01

Três Anéis para os Reis-Elfos sob este céu,
Sete para os Senhores-Anões em seus rochosos corredores,
Nove para Homens Mortais, fadados ao eterno sono,
Um para o Senhor do Escuro em seu escuro trono
Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.
Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los,
Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los
Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.

 

O Um Anel foi destruído, e com ele, o Senhor do Escuro. Nesta aventura agora, Frodo e seus amigos recebem um novo desafio: um outro Anel. Narya é seu nome, um dos Três Anéis Élficos.

PRÓLOGO

Foi no ano de 1421, de acordo com o registro do Condado, que Frodo partiu para os Portos Cinzentos e atravessou o mar. Com ele foram Gandalf, Bilbo, Elrond, Galadriel e outros elfos de alta linhagem.
Sam havia se casado com Rosa Villa e com ela havia tido uma linda menina, Elanor, que nasceu com os cabelos dourados, assim como outras crianças hobbits que nasceram naquela época.
Aragorn foi coroado Rei de Gondor com o nome de Elassar (Pedra Élfica) e se casou com Arwen Undómiel, e juntos tiveram um filho chamado Eldarion.
Merry e Pippin se tornaram os mais robustos e os maiores hobbits do condado, e sempre que podiam visitavam Gondor e Rohan.
Legolas e Gimli partiram juntos para cumprir as promessas que fizeram, foram visitar a Floresta de Fangorn e as Cavernas Cintilantes do Abismo de Helm.
Boromir jazia num fadado e eterno sono.

CAPÍTULO I
A Perda

Durante cinco anos desde a Guerra do Anel o condado fora uma terra de extrema paz e alegria.
Elanor estava agora com quatro anos e Sam, com 45. Ele e Rosinha haviam tido mais um filho que estava com três anos.
Mas aconteceu que nesse ano, 1425, a Vila dos Hobbits foi atacada por um grupo de orcs (que são criaturas repugnantes com forma humanóide), na verdade, um pequeno grupo que havia fugido da Guerra do Anel, e não aceitou servir a Sauron; mas do mesmo modo, esses orcs eram maldosos e estavam famintos e com muito ódio de tudo que era vivo, e tinham sede de vingança por causa das inúmeras mortes que esse grupo havia sofrido por outros povos.
Aconteceu que no dia em que a família Gamgi tinha saído para passear nos campos da Vila dos Hobbits, esses orcs apareceram.
Sam desembainhou a espada e fez como pôde para defender a família, mas os orcs eram muitos e ele estava sozinho, mas não sofreu nenhum arranhão. Mas para sua tristeza, Rosinha, Elanor e Frodo não tinham arma alguma para se defender, e acabaram perecendo. Sam continuou lutando, mas o estrago já estava feito. Uma ira enorme cresceu dentro dele, então começou a golpear todos os orcs que podia.
Enfim, os orcs que ainda restavam fugiram, e então Sam se abaixou e com um acesso de choro, começou a chamar pelos filhos e pela esposa, que jaziam abaixo dele:
- Rosa, minha querida! Elanor, Frodo! Não me deixem, por favor, não me deixem, não! Por favor! Sam Gamgi não pode viver sem vocês, por favor não me deixem! – Mas nenhum dos três exibia qualquer sinal de vida. Sam encostou o ouvido sobre o coração de Rosa e apertou-lhe o pulso com os dedos, depois pousou as costas das mãos sobre sua fronte, e sentiu que estava fria. Repetiu o procedimento com seus filhos, então entrou em um desespero amedrontador. Deu um grito chamando por seus entes perdidos e perdeu os sentidos, caindo no chão.
Sam acordou e não sabia onde estava, o que havia acontecido e nem sequer quanto tempo havia ficado ali deitado. Levantou-se com esforço e sentiu a cabeça latejando de dor. Olhou para o céu e viu que já estava de noite. "O que eu estou fazendo aqui fora?" perguntou-se.
Ele tentou andar, mas não conseguiu dar mais que um passo e caiu, pois havia tropeçado em algo. Levantou-se e novamente entrou em uma crise de choro. Agora lembrava-se de tudo, dos orcs, da família indefesa, das sucessivas mortes, e se viu entre muitos cadáveres de orcs. Entre eles estavam seus três entes tão queridos. Com esforço, Sam tomou coragem e puxou-os para fora daquele campo de batalha.
Então cavou um buraco no chão e com cuidado depositou os três corpos dentro. A vontade de Sam era estar no lugar deles, pois daria sua vida para tê-los vivos de novo, mas isso não era possível, e ele sabia muito bem disso. Antes de cobri-los com terra, para ali jazerem para sempre, Sam gritou:
–Elbereth! – E então cobriu-os com a preciosa terra do Condado. Sobre o túmulo Sam colocou umas flores e deitou sua espada sobre elas. — Aqui jazem Rosa Villa Gamgi, Elanor Gamgi e Frodo Gamgi, para sempre fadados a um eterno sono.
Levantou-se e caminhou lentamente para Bolsão. Chegando lá ele se deitou no chão da sala e começou a chorar, desesperado.

CAPÍTULO II
Um Encontro Inesperado

Sam acordou com dor nas costas pois dormira a noite inteira no chão. Não lembrava bem do que havia acontecido. "Acho que fui a uma estalagem e bebi demais ontem, tive um horrível pesadelo, e nem sequer dormi na cama." Foi ao quarto, para acordar Rosinha e pedir que lhe fizesse o desjejum, sentia uma fome imensa. "Será que nem ceei ontem?" Chegou ao quarto e encontrou a cama vazia. Foi então até o jardim. Nada. "Ela deve ter ido ao quarto das crianças." Foi ao quarto de Elanor e Frodo, mas nem sinal deles. Então um desespero repentino sobreveio sobre Sam.
Ele correu até a cozinha, pegou um pão amanhecido e ao mesmo tempo que comia, retornou ao seu quarto e pegou uma antiga espada semi-enferrujada. Correu com toda sua velocidade até o campo de batalha da noite anterior e violentamente se jogou ao chão ao ver o túmulo que fizera na noite passada. Lágrimas jorravam de seus olhos enquanto ele chamava pela esposa e pelos filhos:
–Rosinha, Elanor, Frodo! Por que me deixaram? Por quê? Por quê…?
Sam então tomou consciência de que chamar era indiferente, o destino não permitiu a sua felicidade. Não tinha mais família, não tinha Feitor (que havia falecido no ano passado), não tinha Sr. Frodo, não tinha mais ninguém.
Naquela hora queria morrer, mas não tinha coragem de se suicidar, então partiu sem rumo, para ser morto por algum orc que havia escapado, ou para morrer de fome.
Enquanto andava percebeu que não havia barulho algum, exceto o de seus passos. Parecia que os animais estavam todos de luto, não se ouvia nem um piar de algum filhote de passarinho pedindo comida. Sam de repente se assustou com um barulho, mas esse vinha dele próprio, era o som de seu estômago roncando; sua cabeça parecia pesar, como na vez em que carregara o anel, em Mordor, e seu pescoço pendia para a frente, mas nada passara por sua cabeça até este momento, em nada pensava, a não ser em morrer. Mas nesse momento novamente ouviu seu estômago roncar e então pensou em comida, sua mente voltou para Bolsão, para as várias refeições que já fizera, em como era gostosa a ceia preparada por Rosinha. Então novamente voltou a pensar em seus filhos e sua esposa. Sentiu vontade de chorar novamente,
mas de seus olhos nenhuma lágrima mais saiu, por dentro chorava como uma criança sem a mãe, mas por fora o cansaço o impedia de demonstrar sua dor pela perda.
Subitamente começou a reparar no caminho por onde andava, percebeu que estava a caminho dos Portos cinzentos, sua intuição o estava levando para lá. Queria atravessar o mar, rever Frodo, Gandalf Bilbo e Galadriel e muitos elfos.
Percebeu que já estava quase na fronteira do Condado. Já estava quase anoitecendo. O crepúsculo se formava e Sam sentiu repentinamente necessidade de se sentar e cear. Havia andado um dia inteiro sem nem sequer ter parado ou comido alguma coisa. Sentou-se nas raízes de um velho salgueiro na beira da trilha e descansou um pouco; depois levantou-se e procurou algo que pudesse servir para forrar o estômago. Encontrou somente algumas ervas e raízes. Comeu-as cruas e depois voltou para o salgueiro, deitou-se em suas raízes e adormeceu. Teve um sono agitado e sonhara com o mar. No sonho ele vira uma embarcação branca se aproximando, e ele estava esperando, não sabia a que ou a quem, mas estava esperando.
Acordou e viu que já eram, de acordo com o registro do Condado, umas nove horas da manhã, ou, de acordo com o registro de Gondor, três horas depois do nascer do Sol.
Comeu mais umas raízes e voltou a andar, sempre em direção aos Portos Cinzentos.
Sam sempre caminhava, até que mais alguns dias se passaram, e ele ouviu, bem distante, o barulho do mar, e de vez em quando via gaivotas brancas planarem sobre sua cabeça, num vôo suave e gritavam, como se estivessem anunciando a aproximação do Mar.
De cima de uma colina Sam viu o Mar, então apressou o passo e finalmente chegou à praia. Tocou o Mar com a ponta dos dedos das mãos e sentiu um fio de esperança, como há dias não sentia. Afastou-se e se sentou em uma pedra que havia na areia.
Sam começou a olhar pensativamente para aquela imensidão de água e imaginou o que teria do outro lado. Lembrou-se de Frodo. Como estaria seu mestre, que há cinco anos ele não via?
De repente, como se tivesse retornado ao sonho que tivera há três noites, viu uma embarcação branca se aproximando, e uma lágrima de esperança brotou de seus olhos. Esperou ansiosa e calmamente sobre a pedra. No leste a aurora surgia, como se trouxesse a alegria há muito perdida.
Quando a embarcação se aproximou mais Sam pode distinguir uma pequena silhueta em pé, na ponta do grande barco, e não pôde conter a alegria:
–Sr. Frodo! Sr. Frodo! Sou eu, o seu Sam!
Quando Frodo ouviu aquele grito, explodiu de surpresa e alegria:
–Sam?
O barco aportou e Frodo desceu as escadas correndo. Sam correu também e se abraçaram longamente, como se além de estarem se cumprimentando depois de uma longa viagem, estivessem ainda desabafando uma dor. A dor que Sam sentia pela morte de seus entes foi parcialmente sanada e agora uma pequena ponta de alegria tomava forma e começava a crescer.
–Sam, meu rapaz! — disse Frodo – o que está fazendo aqui?
–Sr. Frodo, estou feliz em ver o senhor, você não sabe como eu sofri esses dias, mas depois eu contarei, e assim perceberá a razão para eu estar aqui.
–Sam, também passei por uns maus bocados. Mas vamos comer alguma coisa primeiro, depois você me contará tudo o que aconteceu e eu lhe contarei por qual razão eu estou aqui.
Os dois caminharam um pouco para longe da praia e então sentaram-se e comeram. Frodo carregava uma mochila com algumas vestes, um pouco de lembas e bastante comida que ele pegara no barco.

CAPÍTULO III
Narya, o Grande

Após comerem, Frodo e Sam descansaram sentados à sombra de uma árvore, e, enquanto isso, conversavam e relatavam os acontecimentos. Sam foi o primeiro a contar sua história, contou tudo, nos mínimos detalhes, e então começou a chorar novamente.
–Calma, Sam. Um dia todos nós iremos morrer, de um jeito ou de outro, mas foi uma pena o que aconteceu com sua família… Pobrezinhos de seus filhos, Elanor tinha somente quatro anos e Frodo três. – Frodo tentava acalmá-lo, mas na verdade achou que as palavras que dissera mais tinha atrapalhado do que consolado. Então, sem saber mais o que dizer, Frodo puxou a cabeça de Sam e encostou-a em seu ombro, para ampará-lo.
–Também tive uma perda imensa que me deixou uma cicatriz enorme em meu coração, Sam… Foi Bilbo.
–O Sr. Bilbo faleceu? Como isso aconteceu?
–Foi morte natural, ele estava muito velho. Aconteceu no dia em que eu fui acordá-lo para o desjejum, pois ele estava demorando muito para se levantar. Chamei-o e sacudi-o, mas ele não se moveu, e nunca mais acordou.
–Estou chocado, Sr. Frodo. O Sr. Bilbo superou o Velho Tûk, e eu pensei que ele fosse viver muito tempo mais. É uma pena.
Os dois permaneceram em silêncio por um tempo, ambos chorando, mas após alguns minutos as lágrimas cessaram, e Sam foi o primeiro a quebrar o silêncio.
–Sr. Frodo, o senhor veio para ficar aqui para sempre ou vai voltar?
–Vou ficar, Sam.
–Jura? Que bom! Me sinto mais aliviado agora.
– Veja! – Disse Frodo – O barco já está partindo novamente, preciso ir me despedir de Gildor e dos outros elfos que me acompanharam na viagem. – e após dizer isso levantou-se e correu para o barco.
–Gildor! Espere! – O barco não havia saído ainda, mas estava se preparando. – Não vai partir sem se despedir de mim, vai? – sem que ele soubesse Sam corria atrás dele para alcançá-lo.
–É claro que não, — respondeu Gildor – ainda mais sabendo que é a última vez que nos encontramos, já que esse é o último barco que parte ou que volta para lá.
Sam levou um susto ao ouvir isso.
–Então, adeus. – Disse Frodo. — Diga a Gandalf que vou sentir sua falta e que cuidarei bem do presente que ele me deu, está bem?
–Está bem, não me esquecerei de nenhuma palavra de que me disse. Mas espere, esse é o Sam?
–Sou eu mesmo, Gildor. Pensei que não fosse me reconhecer.
–Como poderia? Me lembro muito bem de você, mas agora preciso ir. Adeus Sam, cuide bem de seu mestre, ouviu bem?
–Ouvi, pode deixar que o Sr. Frodo é como um pai para mim.
–Adeus, Frodo.
–Adeus, Gildor.
Então Gildor subiu no barco, e Sam e Frodo ficaram na praia olhando o Mar até a embarcação branca se perder de vista.
–Então esse é o último barco que vai ou sai de lá, Sr. Frodo?
–Sim, Sam.
–E Gandalf?
–Ele não voltaria para a Terra Média nem se houvesse mais barcos. Diz que agora já desempenhou sua função e não tem mais nada a fazer a não ser descansar, mas ele mandou um abraço para você e para Pippin e Merry. Você os viu no Condado?
–Faz tempo que não os vejo, mas de vez em quando eles me fazem umas visitas. – Respondeu Sam.
Então começaram a caminhar rumo ao condado, para a Vila dos Hobbits. Frodo estava com saudades de Bolsão. Lá pelo meio do dia pararam sob uma árvore, para cearem e descansarem. Então Sam se lembrou da conversa de Frodo e com Gildor e ficou curioso.
–Sr. Frodo, posso lhe fazer uma pergunta intrometida?
–Claro, se não for intrometida demais.
–Ouvi o senhor comentando com Gildor sobre um presente que Gandalf lhe deu. O que é?
–Ah, o presente. – Dizendo isso tirou do bolso um anel com uma pedra rubra como fogo. – Esse é Narya, O Grande, um dos Três. Pertencia a Gandalf, lembra-se? Ele me deu. Disse que eu poderia cuidar dele melhor do que ele. Foi como um presente de despedida.
–Um Anel, Sr. Frodo? Mas isso é muito perigoso!
–Perigoso? – Disse Frodo com uma risada – O Um Anel era perigoso. Esse foi feito pelos elfos, e Sauron já foi destruído, portanto os outros anéis não sofrem mais nenhum tipo de influência maligna. E além disso já perderam os poderes, só resta alguns poderes desconhecidos e sem grande valor.
–Mas Sr. Frodo, se o anel não possui nenhuma influência maligna e nem poderes muito importantes, porque o senhor não o usa, se é que o senhor entende o quero dizer. Eu vi Gandalf usando, e Galadriel e Elrond também usavam os seus.
–Como o próprio nome já diz, Sam: Narya, O Grande. Ele fica enorme em meu dedo.
Com essas palavras enfiou o anel no dedo indicador direito.
–Nossa, Sr. Frodo, eu poderia até colocar meu dedo junto com o seu e ainda ficaria largo. – E colocou seu dedo indicador esquerdo junto com o de Frodo dentro do anel.
No mesmo instante surgiu um clarão seguido de um estrondo ensurdecedor, então Sam retirou o dedo e Frodo retirou o Anel, e guardou-o no bolso.
–O que aconteceu? – disse Sam?
–Não sei. Espere! Onde está a árvore que estava atrás de nós a um minuto atrás? – realmente a árvore não estava mais lá. – E as colinas, não parecem mais baixas? Há outras árvores em outros lugares. Parece que estamos em outro lugar e ao mesmo tempo estamos no mesmo lugar.
–É melhor nos levantarmos e darmos uma olhada no que aconteceu.
Levantaram-se e estavam indo em direção à estrada, quando de repente deram-se conta do que havia acontecido. A estrada estava no mesmo lugar, mas estava coberta por uma camada grossa de algum material negro e denso, e haviam faixas pintadas no meio da estrada.
–Sam, o Anel só pode ser usado por uma pessoa de cada vez, e ao colocar o seu dedo junto com o meu, acho que nós alteramos o tempo, ou pior: acho que andamos no tempo, para o futuro.

CAPÍTULO IV
Prímula

Frodo foi até o meio da estrada, que era muito mais larga do que antes, para verificar se as faixas amarelas eram algum tipo de escrita ou algum sinal que ele pudesse decifrar.
–Não entendo, Sam, o que será que isso significa?
–Não sei, Sr. Frodo. Talvez esteja dividindo territórios.
–É, talvez seja isso. Gostaria que passasse alguém para nos informarmos melhor onde estamos, ou melhor, em que ano estamos.
Mal disse isso e Sam avistou alguma coisa vindo na direção deles em grande velocidade.
–Ei, Sr. Frodo, veja! O que é aquilo? Está se aproximando mais rápido que o vento, e parece que não vai parar!
–Saia da estrada, Sam! – E ao dizer isso Frodo puxou Sam pela manga da camisa e os dois se deitaram no chão ao lado da estrada, ao abrigo de uma moita.
Logo depois passou uma enorme coisa de ferro com duas rodas de cada lado, com luminescências na frente, e, realmente, muito mais rápida que o vento.
–O que era aquilo? – Perguntou Sam, ainda muito assustado.
–Não sei, parecia um animal selvagem, mas era de ferro, talvez uma nova arma do Inimigo.
–Mas Sauron foi destruído!
–Sauron foi só um servidor do Inimigo, Sam. Por enquanto, pelo menos até antes de colocarmos Narya, o inimigo estava impossibilitado de reunir forças, mas agora, eu não sei. Não sei nem onde nem quando estamos.
–Olhe, Sr. Frodo! Lá vem outra coisa. Mas essa é menor e só tem duas rodas. Parece que está parando.
–Vamos fugir, Sam. – E antes que pudessem sequer se levantar, a coisa parou e dela desceu uma mulher com um elmo esquisito e arredondado na cabeça. Usava calças muito apertadas, mas no momento em Sam e Frodo tentavam fugir, a mulher disse:
–Olá!
–Veja, Sam, ela fala nossa língua, então com certeza não é nenhuma servidora do inimigo.
–Do que estão falando? – perguntou a mulher, e em seguida tirou o capacete, puderam ver que ela era jovem e ainda não tinha atingido a maioridade (33 anos no Condado).
–Quem é você? – Sam estava curioso.
–Meu nome é Prímula.
Frodo levou um susto: — O mesmo nome da minha mãe.
–Sua mãe? Onde ela está? Como vocês chamam? O que duas crianças fazem na beira da estrada? Isso é perigoso, sabiam? Poderiam ter sido atropelados.
–Que pergunta quer que respondamos primeiro? – Respondeu Frodo. – Em primeiro lugar, minha mãe já morreu há muito tempo, quando eu ainda era criança. Em segundo lugar, meu nome é Frodo e ele é o Sam. Em terceiro lugar, não somos crianças, somos Hobbits.
–Hobbits? O que é isso?
–É como nós nos chamamos lá no Condado. – Dessa vez foi Sam quem respondeu. – Mas os outros povos nos chamam de Pequenos.
–São anões? Para mim vocês parecem crianças.
–Não somos anões, e acho que você não chamaria de criança um senhor de 57 anos. – Disse Frodo.
–Ou um de 45. – Reforçou Sam.
–Poxa, como vocês são velhos! Têm idade para serem meus pais, mas aparentemente poderiam se passar por meus filhos, eu tenho 25 anos. Tem certeza de que não são anões?
–Gimli é um anão, não nós. – Disse Sam quase ficando irritado. Ele odiava ser confundido com um anão.
–Quem é Gimli?
–É um amigo nosso. Mas ele partiu com Legolas.
–E quem é Legolas?
–É um elfo da floresta.
–O que é um elfo?
–Os elfos são um povo belíssimo, Prímula. Eles são altos, claros, leves como uma pluma, têm olhos cinzentos e suas vozes soam como melodias.
–É verdade? Nunca ouvi falar deles.
–Devia conhecer um deles, iria se encantar.
–Querem parar de tagarelar sem fundamentos? – Frodo estava ficando nervoso – Por favor, Prímula, poderia informar-nos em que ano estamos?
–Vocês não sabem? São viajantes do tempo por acaso? – Prímula estava com um certo ar de riso enquanto falava.
–De certa forma, acho que sim. – disse Frodo – mas poderia por favor responder à minha pergunta?
–Oh, claro, desculpem-me, 2002.
–2002? – Sam assustou-se. – Viajamos 577 anos no tempo! O que faremos, Sr. Frodo? – Isso é o que ele achava, pois haviam viajado muito mais. Os calendários utilizados eram diferentes.
–Não sei, Sam.
–Esperem aí, pensei que estivessem brincando quando perguntaram em que ano estávamos.
–Não brincaríamos com uma coisa dessas. – Sam estava indignado, mas Frodo parecia calmo, embora estivesse nervoso.
–Vocês querem uma carona para a cidade? – Prímula ofereceu.
–Acho que não temos escolha. – Frodo aceitou – Mas será que seu cavalo metálico agüentaria nós três?–Cavalo metálico? Isso é uma moto. Estou começando a acreditar na sua história. Mas ela agüenta, sim, foi fabricada para suportar muito peso. Só que eu não trouxe capacetes suficientes, tenho só um.
–Capacete? Pensei que fosse um elmo!
–Está bem, agora montem depressa pois eu não quero pegar trânsito.
–Trânsito?
–Depois eu explico o que é, ou melhor, vocês verão com seus próprios olhos.
Prímula montou na moto, puxou Sam e Frodo e acelerou.

CAPÍTULO V
Estrada para a Cidade

Logo que Prímula acelerou com a moto, Frodo quase caiu para trás, pois era o último da fila.
–Nossa, essa coisa corre mais rápido que Scadufax, — disse ele – e eu realmente nunca tinha visto nenhuma coisa ou animal que corresse mais rápido que ele.
–Quem é Scadufax?
–É o cavalo de Gandalf. Um lindo cavalo, grande, esbelto e prateado como a Lua.
–E Gandalf, quem é?
–É um amigo nosso. Ele é um mago, o mais poderoso deles.
–Mas magos não existem. Estão de brincadeira?
–É sério! – Agora fora Sam quem respondera. – Ele é um mago, sim. De cajado e tudo.
–Nossa! Vocês vem de um lugar estranho mesmo.
–Viemos do mesmo lugar de onde você vem, só que em outro tempo.
–Estive reparando o caminho – arriscou Frodo – e percebi que estamos indo em direção ao Condado, mais precisamente à Vila dos Hobbits.
–Vila dos Hobbits? Nunca ouvi desse lugar. Mas estamos indo para o Condado, sim.
-O Condado ainda continua com o mesmo nome, mas será que continua igual? – Perguntou Sam a Frodo.
–Com certeza que não, Sam. Mas algumas coisas ainda devem estar conservadas.
–Tomara que sim.
–Não sei o que vocês estão esperando ver, mas creio que não seja o que realmente verão. – Disse Prímula, pela primeira vez com certeza de que falava, pois se não sabiam o que era uma moto, com certeza se assustariam com as diversas variedades de coisas estranhas.
–Estão se preparando? – Prímula já estava alertando-os – Estamos quase chegando. Ainda não perguntei, mas…, o que pretendem fazer ao chegar lá? Com certeza não irão sair na rua sem ao menos conhecer a cidade.
–Não havia pensado nisso. – Frodo estava ficando nervoso.
–Se não for incômodo, — atreveu-se Sam – será que poderíamos ficar alguns dias, se é que entende o que eu quero dizer, com você na sua casa? Só até acharmos um jeito de retornarmos, sabe, ainda não sabemos.
–Seria um prazer, não um incômodo. Vocês poderão ficar lá quanto tempo quiserem.
–Sério? – Frodo sentiu-se aliviado. – Como podemos retribuir um favor tão grande como esse?
–De jeito nenhum, não precisam.
–Fazemos questão.
–Então, vejamos… Já sei. Se não for muito cansativo para vocês, vocês poderiam me contar sobre a sua história. Sobre os povos de sua época, ou o que mais quiserem contar. Quem sabe não posso escrever um livro?
–Pena que não tenhamos trazido o Livro Vermelho. – Lembrou-se Sam. – Já escrevemos toda nossa aventura nele, desde a época do Sr. Bilbo (essa parte foi escrita por ele mesmo). Mas acho que você não se importaria de escrever novamente. Teremos um prazer em contar tudo sobre o que aconteceu com a gente, principalmente sobre o Um Anel.
–Um Anel? – Perguntou Prímula curiosa. – O que é isso?
–Foi a ruína de muitos povos e pessoas. Causou até uma guerra. – respondeu Frodo.
–Tudo isso por causa de um simples anel?
–Simples, não. Um anel de poder.
–Está bem, depois vocês me contam. Quero saber com detalhes e irei escrever cada vírgula. Mas foi nessa tal guerra que você perdeu o dedo? Percebi que você só tem nove, falta o dedo do meio da mão esquerda. Como você o perdeu?
–Contarei depois. Faz parte dessa Guerra também, mesmo que não tenhamos participado dela, mas fomos um dos motivos dela.
–Bem, vejo que vocês têm muita coisa mesmo para me contar. Mas vejam! Já estamos quase chegando!
–Tão rápido! – Sam ficou surpreso com a rapidez com que a moto os levara.
Frodo percebeu que estavam realmente indo para a Vila dos Hobbits. A tal cidade, como Prímula dizia, situava-se no mesmo lugar da antiga Vila dos Hobbits.
Ao ver aquilo ambos os hobbits se chocaram. Sam não se conteve e começou a chorar. Realmente estava tudo muito diferente; no lugar das tocas estavam casas e mais casas, e também algumas casas umas em cima das outras; no lugar das antigas estradas estavam avenidas e outras ruas, é claro que tudo muito maior, a antiga Vila dos Hobbits estava agora com o quíntuplo do tamanho original, mas continuava no mesmo lugar.
–Mas essa é a Vila dos Hobbits… – Choramingou Sam. – Pensei que fosse menos assustadora… Está pior do que quando Saruman invadiu-a com seus capangas.
–Está muito pior. – Frodo concordou. – Também fiquei muito triste, Sam. O que terá acontecido com os Hobbits?
–Não se houve falar neles. – Disse Prímula. – Não quero decepcioná-los, mas receio que tenham todos desaparecido por algum motivo que não saibamos. Talvez ainda vivam, dispersos, mas vivos. Sinto muito pela tristeza de vocês. Mas realmente as coisas mudaram.
–Espero não ter mais sustos. O que são essas coisas andando de um lado para o outro nas estradas?
–São carros. Verão mais de perto alguns, já que passaremos na avenida para chegar ao prédio onde eu moro. Mas creio que levarão muitos outros sustos. Há coisas com as quais até eu me assusto. O que dirão vocês, então?
–Veremos. – Disse Sam tristemente.