Narn Vendeniel – Parte 08

Capítulo VIII – Em Isengard

Chegaram a Isengard no segundo dia, e tudo ali parecia destruído. Várias poças d’água se formaram no chão, e um pouco de vapor ainda subia delas. Na chegada, encontraram duas pequenas criaturas perto da entrada. Uma delas parecia dormir, enquanto a outra soltava pequenas baforadas de fumaça azul pela boca. Essa que parecia fumar viu aquelas pessoas chegando e chamou o outro, que vieram. O que dormia fez uma grande reverência.

 

- Sejam bem vindos, senhores! – disse ele. Vendeniel então viu que ele era Merry. – Eu sou Meriadoc, Filho de Saradoc e este é Peregrin, Filho de Paladin, e estamos às suas ordens!
Gandalf olhou para os hobbits – Foi Saruman que os mandou vigiar a entrada?

- Não, meu Senhor. – disse Merry. – Quem nos mandou vigiar foi Barbárvore, que assumiu a gerência de Isengard.Ele espera o Rei Théoden e Gandalf. Está lá adiante, meu senhor. – terminou o hobbit apontando para uma região longe. Théoden e Gandalf foram, e os rohirrim os seguiram.

- Ora, seus tratantes! – disse Gimli, para Pippin. – Nós os procurando e vocês aqui. Fumando!
Pippin riu. – Ora, um descanso bem merecido, depois de uma grande batalha.

- Então queremos saber o que aconteceu. E como encontraram erva-de-fumo! – disse Gimli.
Merry sorriu. – Claro que nós lhe contaremos! Mas depois de uma refeição, claro!

Os hobbits os levaram para uma sala de guarda. Era grande, e tinha um caldeirão na lareira. De dentro da dispensa, eles iam trazendo muitas coisas: carne seca, pão, mel, vinho e outras coisas.

- Perdão senhores, – disse Pippin. – Mas a remessa de verduras foi interrompida com essa guerra.
Gimli olhou com nojo para o que os hobbits traziam. – Eu não comerei comida de orc!

- Mas isso não é comida de orc. – observou Merry – Não, Saruman não confiaria aos orcs a tarefa de cuidar do portão. Pode comer tranqüilamente, pois isso é comida humana, e não foi tocada por nenhum orc imundo.

Os hobbits cozinharam e puseram a mesa, e quando a refeição foi servida, sentaram-se para comer novamente. Aragorn então começou. – Bem, então podemos começar com a história.

Pippin suspirou. – Os orcs nos atacaram e mataram Boromir. Só que eles queriam nos capturar, e não nos mataram, nem quando nós decepamos várias mãos. Depois nós fomos carregados por toda Rohan, e no meio do caminho, meio sem esperança de sermos achados, eu tirei o broche do meu manto élfico e joguei no chão.

Aragorn sorriu e tirou um pequeno broche do bolso. – As folhas de Lórien não caem à toa. Eu achei isso e agora é hora de devolvê-lo ao verdadeiro dono.

- Obrigado! – disse Pippin, num tom jovial e alegre. – Eu pensei que o tivesse perdido para sempre! Bem, continuando: os orcs acamparam na orla de Fangorn, e lá eles discutiram. Pareceu-me que eles queriam nos incluir no cardápio. Bom, mas a ordem de Saruman foi para que nos trouxessem vivos para cá. Uma desordem começou, e nisso, o grupo foi atacado por Cavaleiros de Rohan. Nós fugimos até Fangorn, pois estávamos sendo perseguidos por orcs. Nós subimos numa árvore para despista-lo, quando ele agarrou Merry e eu olhei para a árvore. Por um minuto eu achei que estava louco: tinha visto olhos na árvore. Ela acabou com o orc e nos levou.

Merry continuou, enquanto Pippin comia um pedaço de pão. – Ela nos disse que era um Ent, um pastor de árvores, e que era conhecido como Barbárvore. Mas não parava de dizer que éramos pequenos orcs, e não acreditava quando dizíamos que éramos hobbits. Nos levou até Gandalf, que explicou tudo para ele e que pediu para Barbárvore nos manter a salvo. Contamos à Barbárvore sobre tudo e ele chamou outros Ents, para uma coisa chamada Entebate, que é como se fosse uma reunião deles. Eles ficaram horas discutindo e decidiram não fazer nada. Nisso, nós tivemos uma idéia e pedimos para Barbárvore nos levar para o sul. Quando ele chegou perto de Isengard, ele viu o estrago que ele tinha feito.

- É. – disse Pippin. – Muitas árvores, que ele dizia que foram suas amigas estavam cortadas. Ele ficou muito irritado, e chamou os outros Ents. Eles então marcharam para Isengard e destruíram tudo. Isengard estava vazia: Saruman tinha despachado todos para a batalha. Os ents quebravam tudo, jogavam pedras imensas, e os orcs atiravam flechas. Mas um Ent pode ficar cravado de flechas e nem ao menos ficar gravemente ferido. Então Saruman tentou o fogo, e isso realmente deixou os Ents com raiva, e eles estouraram um dique. Aquilo alagou tudo, e durou vários dias.

- Nós vimos a fumaça. – disse Legolas. – Pensamos que Saruman estivesse preparando alguma coisa para nos receber.

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Pippin riu. – Naquele momento era mais provável que ele estivesse sufocando, não rindo. Há duas noites, a água baixou, e Gandalf apareceu aqui. Ele disse que uma batalha estava sendo travada em Helm e que se tudo corresse bem, ele e o rei voltariam em Isengard. Barbárvore calculou o tempo corretamente e disse para esperarmos e também falou que quem vinha era o Rei de Rohan, e pediu que nós os recebêssemos da maneira mais adequada. E assim terminamos de falar sobre tudo. E olhem, nós achamos um barril cheio de erva-de-fumo, a melhor da quarta-sul do Condado, com a marca dos Corneteiros!

Aragorn ficou intrigado. – E havia alguma data nos barris?

Merry respondeu. – Sim. A colheita de 1417, um bom ano.

- Embora não pareça muito importante, vou mencionar isso à Gandalf. Me intriga saber como Saruman conseguiu isso. – disse Aragorn.

Depois disso, eles saíram e encontraram-se com Gandalf e Théoden, que vinham. Nenhum sinal dos Ents. Gandalf então disse. – Entrarei em Orthanc. Já estive lá várias vezes. Aragorn virá comigo.

- E eu estou velho, e não há mal que eu tema. Mas Éomer virá comigo para impedir que meus pés idosos vacilem. – falou Théoden, com Éomer já prostrado do lado dele.

- Eu e Legolas vamos! – disse Gimli. – Somos os representantes dos nossos povos aqui!

Legolas olhou para Vendeniel. – Nesse caso a Senhora Vendeniel deve ir. Ela atravessou o mar e veio em nome de Elbereth. – Vendeniel olhou para o irmão, que acenou com a cabeça. Ela foi em direção aos degraus da porta de Orthanc, junto à Legolas. Ela lhe lançou um sorriso imperceptível.

- Agora, os outros devem esperar. Vocês verão e ouvirão tudo o que haverá para ouvir. – disse

Gandalf, subindo e batendo na porta. – Saruman! Saruman! Apareça!

De uma janela em cima de uma sacada, uma voz perguntou. – Quem é? O que deseja?

Théoden estremeceu. – Conheço essa voz e amaldiçôo o dia em que dei ouvidos à ela à primeira vez!

Gandalf continuou com uma voz imperiosa. – Vá chamar Saruman, já que você se transformou no lacaio dele, Língua-de-Cobra! – de repente, a sacada em baixo da janela de Gríma se abriu, e dela saiu Saruman. Ele parec
ia-se com Gandalf, e trajava vestes brancas, que mudavam de cor conforme ele se mexia.

- Então. – disse ele, com uma voz suave e melodiosa, mas que parecia machucada por insultos não merecidos. – Vieram perturbar meu descanso, não me deixarão em paz de modo algum, dia e noite? Pelo menos dois de vocês eu conheço. Não tenho esperanças de que Gandalf veio para cá buscar ajuda ou conselhos. Mas você, Théoden, Senhor da Terra dos Cavaleiros, herdeiro da Casa de Eorl, eu sei que posso esperar que peça ajuda para mim, para salvar seu povo.

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Gimli o cortou subitamente. – Na língua de Orthanc, ajuda significa ruína, e salvar significa matar. Não dê ouvidos à esse velho, cujas palavras estão de cabeça para baixo.

- Paz! – disse Saruman, a voz perdendo um pouco do tom suave. – Não falei com você, Gimli, filho de Glóin, e sua terra é longe daqui, e você não conhece os problemas da região. Não se meta neles. – e voltando suavemente para Théoden. – O que me diz Théoden. Teremos paz?

Théoden riu. – Sim, Saruman. Teremos paz. Quando você e seus feitos malditos tiverem sucumbido.

Saruman ficou com raiva. – E o que é a Casa de Eorl senão um estábulo nojento, onde as crianças rolam com os animais pelo chão? Lhe ofereci o poder e a sabedoria uma vez, e ofereço novamente. Você não aceita! Então voltem para suas cabanas! – então Vendeniel percebeu o olhar de Saruman se voltar para ela. – Mas aqui creio que há uma Senhora Sábia. Vendeniel de Além Mar, é uma lástima você ter sido posta nessa guerra que não lhe diz respeito. Se separando da família e dos amigos. Eu poderei leva-la até eles, se a Senhora subir.

Legolas já havia preparado o arco. – Não se atreva a tratar a Senhora Vendeniel dessa maneira.

- Dartho Legolas! – disse ela, abaixando o arco. – Não se atreva a dirigir suas palavras distorcidas à mim, sua cobra nojenta.

Saruman riu, com um pingo de raiva na voz. – A Casa dos Vanyar está decadente. Pois uma filha de reis agora anda no meio de soldados, como uma mulher qualquer. – Ele tornou a apaziguar a voz e virou-se para Gandalf.  Mas você, Gandalf, me admira muito que esteja junto a uma gentalha como essa. Venha, meu sábio amigo, suba e venha conversar comigo.

Gandalf riu. – Ora, Saruman, não seja tolo. O hóspede que foi preso no telhado não voltará novamente. – Saruman não tinha mais palavras para dizer, deu as costas e foi embora. – Volte, Saruman! Seu cajado está quebrado e eu lhe expulso do Conselho Branco. Você não tem mais nenhuma cor. – o cajado de Saruman quebrou e a sua parte superior foi parar aos pés de Gandalf. Saruman saiu amedrontado, no exato momento que uma bola de cristal negro caiu no exato lugar que Saruman estava, arrebentando a grade e quase acertando a cabeça de Gandalf.

- Mestre Língua-de-Cobra têm uma mira ruim.  disse Gandalf.
Éomer riu. – Isso porque ele não sabe de quem tem mais raiva, de você ou de Saruman. Mas não acho que isso é uma coisa que o velho mago escolheria para jogar fora.
Gandalf pegou o globo. – É melhor eu ficar com isso aqui. – Então, Barbárvore apareceu.

- Então, Gandalf. Você falou com o velho mago? – disse ele.

- Sim, Barbárvore. E tudo correu como era de se esperar. – disse Gandalf. – Mas aqui há alguns dos meus companheiros que você gostaria de conhecer. – E Gandalf apresentou os três remanescentes da Sociedade do Anel, e também Vendeniel. Por fim, Barbárvore voltou-se para Vendeniel e Legolas.

- Uma dama élfica de Além Mar, que conhece Yvanna! E um elfo, da Floresta das Trevas! Ela antigamente costumava ser grande.

- E ainda hoje é. – disse Legolas. – mas eu desejo imensamente visitar Fangorn, com um amigo meu.

- Então você tem minha permissão para ir, com qualquer elfo que quiser levar.

Legolas sorriu. – Não é um elfo. – Nisso Gimli fez uma reverência, e o machado escorregou de seu cinto.

O Ent ficou desconfiado. – Isso não me cheira bem, um anão e portador de um machado!

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- Posso garantir que meu machado é apenas para os pescoços dos orcs! – disse Gimli.

Então Barbárvore virou para Vendeniel. – Se voltar para sua terra, peço-lhe que mande lembranças minhas a Yvanna. – Yvanna era a Vala das plantas.

Depois de se despedirem de Barbárvore, eles partiram e acamparam perto do local onde tinham estado antes. Perto da fogueira, Vendeniel conversava com os membros de sua comitiva, mais Aragorn, Legolas e Gimli. Como Vendeniel não sabia a reação de Haryon se descobrisse o que havia entre ela e Legolas, por enquanto, e se tratavam cordialmente.

- Eu temo por Rohan e por Théoden. – disse Vendeniel, com o olhar fixo no fogo.
Haryon olhou para a irmã.  Como?

- Théoden quase cedeu a Saruman, hoje. Quanto tempo ele resistirá na guerra? – explicou a elfa.

- E o que você fará? – perguntou Haryon.

- Eu não sei. Deveria haver alguém para aconselhá-lo e ajudá-lo. – respondeu Vendeniel.

- Senhora, – disse Kalimë. – Eu quero ficar. Eu ficarei aqui e posso ajudar o povo de Rohan.

- Eu também quero ficar. – disse Fingwë. – eles precisam de ajuda.

- Fingwë, Kalimë… – falou Vendeniel. – Eu não devo agradecer-lhes, pois os únicos que podem são

Théoden e seu povo. Que a graça de Elbereth proteja-os e proteja os rohirrim.

Então Vendeniel levantou-se e foi com Kalimë e Fingwë até Théoden e Gandalf, que conversavam reservadamente em um canto. – Senhor da Terra dos Cavaleiros. – começou Vendeniel. – Eu gostaria que dois membros da minha comitiva ficassem em Rohan e ajudassem o senhor à manter a ordem. Meu primo Fingwë e Kalimë.

Théoden observou os dois e sorriu. – que assim seja, Senhora Vendeniel.

Eles voltaram e pouco à pouco, todos foram adormecendo. Vendeniel permaneceu acordada, com Legolas. Ela ficou junto a ele, que a abraçou e a beijou. Ele falou então. – Estive pensando em uma coisa, Vendeniel. Nós teremos que nos separar.

Vendeniel olhou para ele, como se ele estivesse brincando. – Eu te amo. Eu não vou me separar de você.

- Você não vai voltar para a sua casa? Não vai para o Oeste? – disse ele, e Vendeniel compreendeu. Ela teria que escolher, entre ir para sua casa, com sua família, ou ficar na Terra Média. Entendeu as palavras de Galadriel que ecoaram em sua mente quando esta a olhou. Ela reuniu todas as forças que tinha, e uma lágrima escorreu em seu rosto. – Eu vou, eu vou ficar.
Legolas limpou sua lágrima e a beijou suavemente. – Vendeniel…

- Não, – disse ela. – O amor que eu sinto por minha família é grande, mas o que eu sinto por você é maior. A ponto de eu não conseguir ficar sem você. Eu morreria se eu tivesse que voltar e deixá-lo aqui…

- Por favor, – disse Legolas. – Agora não é hora. Fique calma. – Ele a beijou e ela adormeceu ali, ao lado dele, mas Legolas teve o cu
idado de soltar-se dos braços dela.

No meio da noite, o acampamento havia acordado com um grito. Todos já haviam sacado as espadas, quando viram que foi Pippin que gritou e que ele segurava o globo de cristal que Gríma havia jogado. Gandalf foi até ele, e guardou a bola.

- Então este é o ladrão. – disse o mago. – Pippin! Pippin!

O hobbit se afastou de Gandalf. – Isso não é para você, Saruman! Vou mandar buscá-lo imediatamente! Diga isso, apenas isso!

- Peregrin Tûk! – disse Gandalf.

Pippin parecia ter acordado de um transe. – Oh, Gandalf, me desculpe, me desculpe… Eu peguei esse globo e olhei dentro, e havia uma torre, e… oh, erra horrível, nove criaturas aladas, parecidas com morcegos rodeando a torre. Uma delas foi chegando perto, e ocupou todo o globo, então ela sumiu e no lugar dela apareceu um olho, parecido com o olho de um gato, mas feito de chamas.

- "Você demorou para dar notícias", ele disse, e eu não respondi. "Quem é você?" ele perguntou e eu não falei, e ele então respondeu para si mesmo "Um hobbit", e ele riu, e a risada dele era terrível, e má, e eu senti como se eu estivesse sendo esfaqueado! "Diga à Saruman que este regalo não é para ele. Vou mandar buscá-lo imediatamente! Diga isso, apenas isso!" Foi horrível, realmente horrível.

- Acalme-se! – disse Gandalf. – Você não se tornou mau, e não há mentira em seus olhos. E você não disse nada que possa ter colocado seus amigos em perigo.

Depois que Pippin estava mais calmo, Gandalf foi até Aragorn e entregou para ele o globo. Antes que Aragorn perguntasse, ele falou. – Um palantír. Uma das pedras de ver. Esta é a pedra de Orthanc. Pippin se comunicou com Sauron, que deve ter capturado a pedra de Minas Ithil, que agora é Morgul. Mas Sauron deve estar pensando que Saruman capturou o hobbit e que estava o atormentando fazendo-o olhar na pedra. Vai levar algum tempo para ele perceber o engano. Partam rápido. Eu irei para Minas Tirith, e levarei Pippin comigo.

Théoden estava ao lado. – Então eu partirei para o abrigo do Abismo de Helm o mais rápido possível. Levarei meus cavaleiros, e como de agrado da Senhora Vendeniel, Fingwë e Kalimë.
Nisso, uma sombra cobriu os céus, e uma enorme figura alada foi em direção à Isengard. – O mensageiro alado! – gritou Gandalf. – Partam imediatamente! Os Nazgûl atravessaram o rio! Que os rápidos não esperem os lentos! Vão! – Gandalf montou em Scadufax e Aragorn lhe passou Pippin. O mago cavalgou o mais rápido possível para o leste.

- Rei Théoden, – disse Aragorn. – Leve o hobbit Merry para os abrigos. Por favor. – Aragorn deixou Merry com Théoden e montou nos cavalos, com Legolas, Gimli, Elladan, Elrohir, Vendeniel e Haryon. Eles também partiram, em direção ao abismo de Helm.