New Line em risco?

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Uma notícia mais longa sobre a situação interna da New Line, atual responsável por "O Hobbit". A New Line é uma divisão de uma companhia maior, a Time Warner, e parece estar enfrentando disputas internas bastante sérias. Abaixo a matéria completa do The Wall Street Journal (chique, ahn?) sobre o assunto que, mesmo indiretamente, pode afetar os fãs de Tolkien.

 

 

New Line cinema, o estúdio por trás da trilogia "O Senhor dos Anéis",
passou boa parte desta década protegendo ferozmente seu território
dentro da Time Warner Inc. Agora, depois de pouco mais de um mês em seu
novo cargo, Jeff Bewkes, o Executivo Chefe da Time Warner está buscando
desmantelar um dos feudos mais duradouros da companhia.

Movendo-se rapidamente para tornar mais eficiente os negócios em cinema da Time Warner, o Sr. Bewkes marcou a New Line como um alvo imediato para o corte de custos, forçando o estúdio a confrontar o cenário contra o qual sempre lutou: ser absorvida pela divisão principal de filmes da Time Warner, a Warner Bros. Entertainment.

Tirar a autonomia da New Line levanta questões sobre o futuro dos Co-Presidentes Robert Shaye e Michael Lynne, dois veteranos de Hollywood que há muito tempo têm sido o núcleo do estúdio. Após ter tirado a sorte grande com os filmes dos "Anéis", a dupla tem tido uma longa seqüência de azar, e sua tentativa de lançar uma nova franquia no ano passado, com "A Bússola de Ouro" falhou.

Tanto o Sr. Shaye, 68 anos de idade, e seu outrora advogado Sr. Lynne, 66, continuam a resistir à combinação, de acordo com pessoas familiares com a situação. Os contratos de ambos, que não mais possuem parte da New Line, terminarão ao final deste ano.

Tanto os Srs. Shaye e Lynne quando o Sr. Bewkes não quiseram fazer comentários.

Jeff Bewkes
Os Srs. Shaye e Lynne enfrentam o mesmo problema experimentado recentemente por dois outros independentes do cinema, Harvey e Bob Weinstein. Os Weinsteins transformaram sua própria companhia independente de cinema, Miramax,em uma grande empresa, e a venderam para a Walt Disney Co., mas acabram por deixar a empresa após disputas com a empresa-pai. Srs. Shaye e Lynne também construíram um estúdio independente de sucesso, o venderam para uma grande companhia de mídia e estão agora sofrendo com o fato de que não mais possuem sua própria criação.

Um problema em ambos os casos foi que a uma vez pequena companhia eventualmente cresceu e se parece cada vez mais com um dos principais estúdios, com todos os grandes custos e riscos que acompanham isso. "New Line se parece muito mais com uma Warner Bros. 2 atualmente e a Time Warner não precisa de duas Warner Bros.", disse Larry Haverty, co-gerente do fundo Gabelli Global Multimedia Trust, que possui ações da Time Warner.

A questão New Line emcabeça uma série de assuntos que estão sob escrutínio dos negócios de cinema de Time Warner. A Warner Bros. tem repensado os estúdios de cinema sob seu comando e tem considerado unir sua Warner Independent Pictures com a  Picturehouse, a qual foi criada em 2005 após a Time Warner ter adquirido a Newmarket Films, a companhia de distribuição por trás de "A Paixão de Cristo". A Warner Independent Pictures tem tido uma crise de identidade e está bastante ausente do Oscar nos últimos anos.

Unir a New Line na Warner Bros. iria aumentar uma lista já pesada de filmes que esgotaram os recursos do estúdio. Enquanto que os filmes de grande orçamento geralmente vão bem, filmes menores algumas vezes se perdem na bagunça, um problema que pode se exarcebar tendo ainda mais os filmes da New Line para lançar.

O ano passado foi um bom exemplo. "Harry Potter e a Ordem da Fênix", o quinto filme da série de blockbusters, obteve pouco menos de U$ 1 bilhão no mundo todo. Outro grande sucesso, "Eu Sou a Lenda", obteve U$ 557 milhões. Mas filmes menos comerciais como "Sem Reservas" e "A Invasão" desapareceram entre as fendas. Warner Bros. respondeu em parte reorganizando seus profissionais no começo deste ano, despedindo seu diretor doméstico de marketing, entre outras ações.

Pessoas familiares com a situação da New Line dizem que a Time Warner está considerando duas opções: unir o estúdio na divisão Warner Bros. ou mantê-lo separado mas ter a Warner Bros. cuidando de certas áreas como vídeo doméstico e distribuição internacional. Em ambos os cenários, a New Line será consideravelmente reduzida e terá a instrução de voltar às raízes e fazer principalmente filmes de baixo orçamento.

Vender a New Line é uma opção que atualmente não está endo considerada. O acervo do estúdio, que além da trilogia "O Senhor dos Anéis" inclui também os filmes "Austin Powers", a série "A Hora do Pesadelo" e os filmes "A Hora do Rush", é valioso demais para a Time Warner se desfazer, dizem pessoas familiares com a situação.

O que o Sr. Bewkes fizer com a New Line será um teste crucial de sua habilidade em impor mudanças à Time Warner. O nome executivo chefe está sob pressão para tomar medidas mais radicais no gerenciamento do conglomerado de mídia em um esforço para recuperar seu preço de mercado, que caiu este ano a valores não vistos desde 2003. Sr. Bewkes destacou sua análise da New Line eu seu primeiro comunicado deste ano aos investidores da Time Warner, na semana passada.

A jornada da Time Warner com a New Line começou em 1996, quando ela assumiu a posse do estúdio como parte de sua aquisição do Turner Broadcasting System, de Ted Turner. Sr. Turner havia adquirido a New Line três anos antes para gerar programação para suas redes de tv a cabo.

Sr Shaye, que fundou a New Line em seu apartamento no Greenwich Village em 1967, enfaticamente argumentou que a companhia deveria ser uma divisão em separado da Warner Bros. porque possui uma cultura particular e um modelo de negócios extremamente diferente que se foca em filmes fora do convencional. Ele foi entusiasticamente apoiado pelo Sr. Turner, que detinha considerável influência na Time Warner àquela época.

Lynne e Shaye
Na estrutura corporativa da Time Warner, a New Line ficou lado-a-lado da Warner Bros. como uma divisão em separado, com o Sr. Shaye se reportando diretamente ao Sr. Turner, que era o vice-presidente da Time Warner. Mas da mesma forma que a Miramax foi atraída por filmes mais comerciais e de orçamento maior, a New Line começou a fazer o mesmo tipo de filmes que a Warner Bros. Em 1997, a Time Warner cogitou vender a New Line mas o Sr. Turner resistiu, de acordo com pessoas familiares com a situação.

Então veio a trilogia "O Senhor dos Anéis", os filmes que obtiveram cerca de U$ 2,8 bilhões  em bilheteria no mundotodo, um sucesso que comprou para a New Line mais poder dentro da Time Warner. Mas após "O Senhor dos Anéis" a New Line se envolveu em uma série de fracassos, incluindo "A Chave do Universo", o qual o próprio Sr. Shaye dirigiu. Após perder o Sr. Turner, seu principal protetor no conselho da Time Warner, em 2006, o Sr. Shaye se apressou em criar um novo curso deações para a New Line em um mercado bastante mutável.

Ano passado ocorreu a tentativa de lançar outra trilogia, "A Bússola de Ouro", que custou mais de U$ 180 milhões mas vendeu menos de U$ 70 milhões em ingressos na América do Norte. Ele obteve quase U$ 260 milhões mundialmente, mas a New Line já havia vendido a maior parte dos direitos no estrangeiro. Não está claro se a New Line irá prosseguir com a continuação.

Ainda assim o estúdio tem diversos títulos promissores em andamento, principalmente "O Hobbit", a preqüência de "O Senhor dos Anéis". Lançamentos da New Line para este anoincluem "Sex and the City", que a Warner Bros passou adiante, e "He’s Just Not That Into You".