A terra dos sonhos em flor

Para todos os que têm acompanhado os ótimos artigos da Ana "Glaunir" Curcia sobre as obras de Tolkien, segue agora mais um texto, desta vez sobre Lothlórien. Aproveitando o gancho para fazer propaganda, não esqueçam do cantinho dos fãs aqui na Valinor. Mandem fanfics, desenhos, videos e o que mais criar para valinor@valinor.com.br e publicaremos na Lothlórien. E agora  com vocês, "A terra dos sonhos em flor", por Ana "Glaunir" Curcia.
 
 

A terra dos sonhos em
flor.

Sem sombra de dúvida, não há lugar
mais belo e misterioso em toda a Terra-média na Terceira Era do Sol do que
Lothlórien. A bela terra ficava a leste das Montanhas da Névoa em uma área
fronteiriça entre as Trevas e Gondor, que estava sendo constantemente assaltada
pelos orcs quando a Sociedade do Anel lá chega.

Galadriel e Celeborn eram os
governantes regentes apenas da floresta, já o verdadeiro rei – Amroth – morrera
muitos anos atrás. Galadriel era uma noldo, que viera para o Mundo Exterior com
o tão discutível Fëanor; já Celeborn, de acordo com O Silmarillion, era parente
do famoso rei Thingol, pai de Lúthien Tinuviel.

Segundo a antiga mitologia gaulesa
existiam as Damas Brancas, ninfas celtas que possuíam olhos semelhantes a
estrelas e corpos que brilhavam de felicidade ao caminharem durante a noite
pelas florestas, a luz do luar e das estrelas. Ainda de acordo com esta crença,
estas Damas eram responsáveis por guardar fontes, poços ou gargantas sagradas
que se encontravam escondidas nos recantos mais escuros das florestas. A
regente noldo tinha um Espelho, que nada mais era que um poço de água, com a
capacidade de ver seja o presente, o passado ou o futuro; porém apenas
Galadriel podia utilizá-lo.

j.r.r._tolkien_-_the_forest_of_lothlorien_in_spring.jpgOs antigos celtas ainda acreditavam
que para chegar aos lugares que as Damas habitavam era necessário atravessar as
Águas. Em A Sociedade
do Anel os Nove Andantes atravessam várias passagens nas águas, para chegar a
um lugar no qual o tempo parecia ter estacionado. Nas lendas arturianas, por
exemplo, Viviane do Lago vivia em palácios sob o lago e foi ela quem deu
Excalibur a Arthur – vê-se aqui a grande importância que tais mulheres
representavam nas antigas histórias.

Ainda na questão do Espelho de
Galadriel há um conto na mitologia grega que em muito se assemelha. Havia a
deusa Deméter (muitíssimo semelhante a vala Yavanna) que vivia em Patra, ela
era dona de um espelho que podia fazer previsões; a diferença é que era
realmente um espelho que estava afundado em um poço. Com relação a espelhos
famosos por que não falar daquele que pertenceu à madrasta de Branca de Neve?
Ele era tão poderoso que era chamado de O Lago das Musas, o espelho de
Afrodite.

Eis algo interessante a se notar:
diversas vezes Tolkien já disse que ao escrever suas histórias da Terra-Média,
escreve como se todas elas fossem a origem das futuras histórias de fadas que
vieram a se tornar desprezíveis a seus olhos, como já dissertei em outro
artigo. Há na visão apresentada de Lórien em O Senhor dos Anéis
elementos vividos de A Branca de Neve: há um espelho mágico poderoso que é
difícil de ser entendido e que pode levar a ações impensadas (como quase
aconteceu com Samwise Gamgi); há uma feiticeira que por muitos é considerada má
e terrível, pois vive nos recantos de sua floresta e não costuma ser vista
pelos homens; há uma realeza que está exilada e busca conforto em meio ao seu
desespero e há uma bela princesa com belos cabelos negros e de conduta
encantadora aos olhos e ao coração.

Tais personagens ou objetos são
respectivamente: O Espelho de Galadriel, a própria Galadriel, Aragorn e Arwen.
Embora em A Sociedade
do Anel a princesa Arwen esteja com seu pai Elrond em Valfenda, já ocorreram
muitos encontros entre Aragorn e a princesa na Floresta Dourada. Tolkien muitas
vezes sugeriu que os próprios autores de histórias infantis não se entendiam e
as versões criadas pelo professor foram as que deram origem e inspiração para
todas as outras.

Embora muitos digam que tais
cogitações tirem a magia das obras do Mestre Tolkien, gosto de imaginar que ele
escreveu acerca de um passado que realmente existiu e que com o longo passar
dos anos os homens foram modificando suas histórias iniciais porque foram
mudando seu jeito de ser, forma de pensar e ver o mundo.