Elendil

Elendil foi um dos maiores guerreiros dos Homens que já viveram. Ele
liderou os exilados de Númenor que partiram para a Terra-média e
sobreviveram ao seu afundamento, e lá fundou os reinos de Anor e
Gondor. Foi ainda um dos comandantes das tropas da Última Aliança e,
juntamente com Gil-Galad, venceu o próprio Sauron em combate, pondo um
fim ao seu reinado de terror por centenas de anos.
 
 
Tendo nascido em Númenor no ano de 3119 da Segunda Era, filho de
Amandil, Elendil cresceu e tornou-se num homem nobre e sábio, fiel aos
seus princípios e, apesar da decadência de valores que se verificava na
sua pátria. Sempre se opôs à hostilidade contra os Valar e os Elfos,
com quem manteve boas relações de amizade ao longo de toda a sua vida.
Ele morava em Romenna, na costa de Númenor, e teve dois filhos, Isildur
e Anárion.

O pai dele, Amandil era senhor de Andúnië, uma das casas nobres de
Númenor, e durante muito foi amigo de Ar-Pharazôn, vindo inclusive a
conquistar um lugar na corte como seu conselheiro, quando este se
tornou rei. Já neste momento havia grande instabilidade em Númenor,
pois cada vez mais eram aqueles que sentiam inveja dos Elfos e da sua
imortalidade, criticando os Valar e o fato de terem de partilhar da
decisão de Elros, o fundador de Númenor, que optou por fazer parte dos
Edain. Númenor era cada vez mais uma nação bélica e que preferia
subjugar os outros povos pela força, e a inveja, mesquinhez e revolta
crescia entre o seu povo.

Então, em 3262, Ar-Pharazôn decidiu atacar Sauron, cujo poder crescente
punha em causa o domínio de Númenor. Venceu, e, na cegueira do seu
orgulho, trouxe Sauron para Númenor como prisioneiro. Este aproveitou a
oportunidade para dar o golpe final na corrupção dos numenorianos.

Virou o desejo que tinham por poder e imortalidade contra eles mesmos;
convenceu-os de que a vida eterna era um direito deles, de que os
Valar, na sua ganância, os privavam. Não demorou até que Sauron
deixasse de ser um prisioneiro e ganhasse grande influência junto do
rei, que em tudo seguia uma decisão que, mesmo sem se aperceber, Sauron
tinha congeminado.

Depressa Amandil foi também afastado da corte, pois recusava-se a
aceitar as mentiras de Sauron e o culto a Morgoth que este havia
instaurado, mantendo-se fiel aos Valar. Também Elendil pensava desta
forma. Eles, juntamente com parte do povo de Andúnië e outros
numenorianos que renegavam Sauron, formavam os Fiéis.

Então Sauron convenceu Ar-Pharazôn de que conseguiria vida eterna se
fosse para as Terras Imortais, o que era uma mentira. Começou então a
preparar uma grande frota, como nunca antes havia sido visto em Arda,
para atacar os Valar e reclamar para si Aman. Quando Elendil e Amandil
souberam disto, este último decidiu partir para Valinor e avisar os
Poderes; mas perdeu-se na neblina que cercava e escondia estas terras,
e não foi visto nunca mais.

Então Elendil, que tal como o seu pai era um grande marinheiro, decidiu
preparar a sua própria frota para fugir de Númenor. Arranjou nove
navios, quatro sob o seu comando, três de Isildur, e dois de Anárion. A
bordo levaram muitos tesouros preciosos de Númenor, incluindo as sete
palantiri e um rebento da Árvore Branca, que Isildur roubou com muito
custo.

Foi em 3319 que Ar-Pharazôn e a sua imensa frota rumaram para Valinor.
Então Elendil, que se recusou a ir nela, partiu nos barcos que havia
preparado, levando consigo todos os Fiéis – tudo o que restaria de
Númenor. A armada foi destruída, e ilha foi engolida pelo oceano. Um
grande vento empurrou os barcos dos Fiéis para Leste, e passado um
tempo eles chegaram finalmente à Terra-média.

Isildur e o seu irmão desembarcaram junto às Bocas do Anduin, no Sul,
enquanto que o seu pai Elendil desembarcou em Lindon, terra onde
habitava um grupo de elfos governado por Gil-Galad, de quem Elendil se
tornaria um grande amigo. Ao desembarcar, Elendil disse:

"Et Eärello Endorenna utúlien. Sinome maruvan ar Hildinyar tenn' Ambar-metta!"
(Do Grande Mar para a Terra-média eu venho. Neste lugar subsistirei, e os meus herdeiros, até ao fim do mundo.)

Aragorn em "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei", capítulo "O Regente e o Rei".

Elendil e o seu povo atravessaram o Rio Lune, perto das Montanhas
Sombrias, e estabeleceram-se em Eriador, onde criaram o reino de Anor;
a capital era Annuminas, nas costa do lago Evendim, onde Elendil
habitava com a sua corte. Os Dúnedain de Arnor estabeleceram-se
preferencialmente ao longo dos rios Lune e Brandevin, e nas regiões de
Cardolan a sul e Rhudaur a este.

Por seu lado, Isildur e Anárion criaram o Reino de Gondor no sul da
Terra-média, junto às Montanhas Brancas e a leste de Mordor. Elendil
era o Alto Rei de Arnor e Gondor, enquanto que Isildur e Anárion
governavam conjuntamente Gondor em seu nome.

Elendir transportava o cetro de Annuminas, como uma marca da sua
soberania – era uma vara prateada que outrora pertencera aos seus
antepassados, os senhores de Andúnië. Em vez de uma coroa, Elendil
usava uma tiara com uma gema branca chamada Elendilmir; usava também o
Anel de Barahir, que salvara da destruição de Númenor.

Ele também contribuiu para preservar a história de Númenor, escrevendo
o Akkalabeth, a história da Queda de Númenor, e que era guardada nos
arquivos e Gondor. Os sobreviventes de Númenor passaram a ser
conhecidos na Terra-média como Dúnedain, os Homens do Oeste.

As palantiri que Elendil trouxera foram distribuídas pelos dois reinos,
e eram usadas entre eles para se comunicarem. Três foram guardadas em
Arnor – uma na cidade Annuminas, outra na fortaleza de Amon Sûl, também
conhecido como o Topo do Vento, e outra em Elostirion, a mais alta das
três Torres Brancas construídas por Gil-Galad e os Elfos para Elendil.
Esta última só olhava para o mar, e Elendil usava-a por vezes para
observar Tol Eressëa e as Terras Imortais.

Ao início pensou-se que Sauron tinha morrido na Queda de Númenor, mas
erradamente; e ele acabou por retornar a Mordor, de onde reconstruiu as
forças. Estava irado porque os Dunedain sobreviveram, e odiava
particularmente Elendir, que fora um forte opositor dele em Númenor.

Formou um grande exército, não só de orcs mas de Homens de Rhun e
Harad, inimigos de Arnor e Gondor. Também os Nazgûl, os seus servos
mais poderosos, apareceram pela primeira vez. E quando a Montanha da
Perdição explodiu novamente em chamas, os Dúnedain e os Elfos
perceberam que o seu grande inimigo havia retornado.

O ataque iniciou-se em 3429. Um enorme exécito atacou Gondor
repentinamente, tomando Minas Ithil, onde vivia Isildur, antes que os
exércitos dos Dúnedain pudessem responder. Isildur fugiu para Arnor,
mas Anárion ficou para trás e conseguiu impedir que o inimigo tomasse
Osgiliath, a capital do reino, e Minas Anor. As forças de Sauron
recuaram então para Mordor e a guerra cessou durante um tempo.

Mas Elendil não seria apanhado desprevenido mais uma vez. Consultando
Gil-Galad, os dois decidiram formar um exército conjunto de Elfos e
Homens, que viria a ser chamado de Última Aliança, para atacar Sauron
em Mordor e derrotá-lo em definitivo. O exército reunido era uma força
como não se via desde que o exército de Valinor chegara a Beleriand e
começara a Guerra da Ira, e nunca mais se viu nada assim na Terra-média.

“ – Lembro-me do esplendor das suas bandeiras –disse [Elrond] –
recordaram-me a glória dos Tempos Antigos e as tropas de Beleriand,
tantos e tão grandes príncipes e chefes guerreiros estavam reunidos.”

"O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel", capítulo "O Conselho de Elrond"

De Imladris o exército atravessou as Montanhas Nebulosas, por muitos
desfiladeiros, e desceu o rio Anduin abaixo, alcançando finalmente as
forças de Sauron em Dagorlad, antes dos Portões de Mordor.

“ O exército de Gil-Galad e Elendil obteve a vitória, pois a força
dos Elfos ainda era grande nesse tempo e os Numenorianos eram fortes e
altos na sua terrível ira. A Aeglos, a lança de Gil-Galad, ninguém
resistia; e a espada de Elendil enchia os orcs e homens de medo, pois
brilhava como a luz do Sol e da Lua e chamava-se Narsil.”

Então o exército da Última Aliança entrou em Mordor. Cercaram
Barad-dûr, onde Sauron se escondeu, e sitiaram-na durante sete anos,
sofrendo baixas pesadas devido ao fogo e aos dardos e setas do inimigo;
e Sauron fazia muitas surtidas contra eles.

Anárion morreu no sexto ano do cerco, quando o seu capacete foi
esmagado por uma pedra atirada de Barad-dûr. Mas o cerco tornou-se tão
rigoroso que o próprio Sauron avançou, numa tentativa de o quebrar; e
foi enfrentado por Gil-Galad e Elendil, que o combateram corajosamente
e o derrotaram, embora isso tenha custado a vida a ambos; e Narsil
partiu-se debaixo de Elendil quando este caiu.

Então o espírito de Sauron abandonou o corpo derrotado e fugiu,
escondendo-se em regiões ermas, de onde não regressaria até passados
muitos anos. Usando os estilhaços de Narsil, Isildur cortou o Anel do
Poder do corpo caído de Sauron, e, contra o conselho de Elrond e
Círdan, guardou-o para si mesmo.

Isildur, novo rei de Gondor, enterrou o pai num túmulo no topo do monte
Halifirien, no meio do reino de Gondor. O túmulo foi marcado com uma
pedra negra onde estavam gravadas as letras lambe, ando, lambe, as
consoantes do nome de Elendil. O túmulo permaneceu lá até 2510 da
Terceira Era, quando Círdan cedeu terras a leste do Halifirien à Rohan,
e moveu os restos mortais de Elendil para a Casa dos Reis em Minas
Tirith.

Assim caiu Elendil. Mas foi uma morte em glória e o seu nome para
sempre foi recordado com grande reverência por Elfos e Homens. E apesar
de Sauron não ter sido destruído, Isildur ter morrido pouco depois e os
seus reinos se desagregarem, sua linhagem perdurou através dos tempos e
os seus herdeiros acabariam, um dia, por concluir o seu trabalho e
trazer de novo a paz aos reinos dos Homens.

Nome:

Elendil significa, em Quenya, "Amigo de Elfo" ou "Adorador das
Estrelas" – Eldar é o nome dado aos Elfos, ou "Povo das Estrelas", e a
terminação ndil significa "devoção".

Outros Nomes:

Elendil, o Alto – diz-se que Elendil tinha perto de 2 metros e 40 centímetros.
Elendil, o Justo – nome que lhe era dado pelo seu forte sentido de justiça.
Elendil Voronda – Elendil era chamado de O Fiél – Voronda em Quenya – pela sua lealdade para com os Valar.
Alto Rei de Arnor e Gondor – Elendil foi o primeiro Alto Rei de Arnor e Gondor, os dois reinos que fundou na Terra-média.

Cronologia:

Segunda Era:

3119
Nascimento de Elendil em Númenor.

3209
Nascimento de Isildur, filho mais velho de Elendil.

3219
Nascimento do seu segundo filho, Anárion.

3262
Ar-Pharazôn derrota Sauron e o traz para Númenor como prisioneiro.

3310
Ar-Pharazôn começa a construir uma frota para atacar as Terras Imortais.

3310 ou 3316
Amandil, pai de Elendil, parte para Aman em busca da intervenção dos Valar e nunca mais é visto.

3319
Ar-Pharazôn ataca Valinor mas a sua frota é destruída. Númenor é
engolida pelo oceano e Elendil escapa com os Fiéis para a Terra-média.

3320
Elendil e os seus filhos fundam os reinos de Gondor e Arnor. Sauron regressa secretamente à Mordor.

3429
Sauron ataca Gondor e captura Minas Ithil. Anárion consegue defender
Osgiliath e Minas Anor e os exércitos de Sauron recuam para Mordor
temporariamente.

3430
Elendil e Gil-Galad formam a Última Aliança entre Elfos e Homens.

3431
O exército da Última Aliança reúne-se em Valfenda.

3434
As forças de Sauron são derrotadas em Dagorlad. Início do cerco a Barad-dûr.

3440
Anárion é morto em batalha.

3441
Sauron é derrotado por Elendil e Gil-Galad, que morrem. O espírito de
Sauron foge e esconde-se. Isildur guarda o Um Anel de Sauron e sucede
ao seu pai como Alto Rei de Arnor e Gondor. Fim da Segunda Era.

Árvore Genealógica
elendil-tree

(clique na imagem para ampliá-la)

Fontes:
The Thain's Book
The Complete Tolkien Companion
O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel – O Conselho de Elrond
O Senhor dos Anéis: o Retorno do Rei – O Regente e o Rei
O Senhor dos Anéis – Apêndice A – O Reino do Norte e os Dunedain
O Silmarillion – Akallabêth