Resenha do NYT sobre Lord of the Rings Online

No dia 4 de maio foi publicada no New York Times uma resenha de Seth Schiesel sobre o jogo Lord of the Rings Online: Shadows of Angmar, lançado no dia 24 de abril deste ano. O relato de Seth, que quando escreveu a matéria já tinha acumuladas 80 horas de jogo, você pode conferir aqui na Valinor.
 

Em Busca da Sociedade (Pés Peludos Opcionais)

Por Seth Schiesel, do New York Times

Cinqüenta e três anos atrás no New York Times, o poeta W.H. Auden
resenhou o primeiro volume da trilogia épica de J.R.R. Tolkien, O Senhor dos Anéis.

"Se alguém quiser levar uma história desse tipo a sério, deverá sentir
que, apesar das personagens poderem parecer superficialmente diferentes
com o mundo em que vivemos, estas representam o espelho da única
natureza que conhecemos: a nossa.
", ele escreveu. "Também nisto, o Sr.
Tolkien teve enorme sucesso, e o que aconteceu no ano 1418 do Condado,
na Terceira Era da Terra-média é, não só inspirador em 1954 d.C., mas
também um aviso e uma inspiração.
"

De todos os pontos fortes de Tolkien, talvez nenhuma tenha provado ser
mais importante do que a criação de um universo profundamente crível ao
redor de sua narrativa. Ele convence o leitor de que a ação está se
desenvolvendo dentro de um mundo vivo que se prolonga para muito além
do drama imediato.

A riqueza da Terra-média não complica muito a versão cinematográfica da
trilogia, onde a história pode ser contada linearmente. Mas esta
profundidade tem sido uma forte barreira no meio interativo e
não-linear dos video games, onde os jogadores esperam estarem aptos a
explorar livremente.

Assim, tem sido lançados jogos de ação no estilo hack-and-slash
(com combates contínuos), os quais permitem que você interprete Gandalf
enquanto ele agita a espada e o bastão contra alguns orcs. Tem sido
lançados jogos de estratégia que o permitem interpretar um general
imaginário, movendo exércitos de elfos e goblins. Mas poucos se
atreveram a até mesmo tentar fazer um jogo no mínimo tão expansivo em
imaginação quanto os próprios livros, um jogo que deixe que você crie
seu próprio personagem e explore livremente através de uma recriação
crível da Terra-média. Ninguém tinha sido bem sucedido.

Até agora. Na semana passada a Turbine Inc. lançou The Lord of the Rings Online: Shadows of Angmar,
um enorme jogo multiplayer que brilhantemente combina um jogo divertido
com um retrato plausível de parte do mundo de Tolkien. É uma conquista
mais importante do interactive storytelling (tipo de
entretenimento no qual o jogador atua como protagonista em um ambiente
dramaticamente rico), o primeiro jogo a fazer jus à franquia O Senhor dos Anéis e um jogo obrigatório para qualquer um com o mínimo de interesse em Tolkien ou no futuro do entretenimento online.

O jogo faz justiça à fé na Terra-média do Sr.Auden. Se você sabe quem é
Bilbo Bolseiro (e gosta dele) e não é geneticamente contra a idéia de
se divertir em usando seu computador, você deveria no mínimo dar uma
chance para Lord of the Rings Online.

A criação da Turbine é muito impressionante percisamente porque ela
poderia ter caído em várias armadilhas. Como colocado pelos editores da
Eurogamer.net:
"Isso poderia ter dado tão errado. Tão horrivelmente, terrivelmente
errado… O muito adorado mundo da Terra-média, multilado além do
reconhecimento pelas mãos desajeitadas de um desenvolvedor que
precisaria transformar a narrativa de Tolkien em um monótono jogo de
fases.
"

Ao invés disso, o jogo foi claramente criado por escritores e designers
que estavam compromissados em preservar a integridade da Terra-média
enquanto também ofereceria uma experiência de jogo encantadora. Desde o
lançamento de Lord of the Rings Online no dia 24 de abril, eu tenho
gravadas mais de oitenta horas de jogo, e meu mestre do conhecimento
está no nível 26. O jogo parece maravilhoso em um PC apropriadamente
poderoso, e a Turbine tem lidado com a introdução do jogo com poucas
das falhas técnicas comuns ao gênero.

Como nos outros MMORPG como World of Warcraft, a dinâmica básica do
jogo de Lord of the Rings Online é que você cria um personagem e então
começa a explorar um mundo colorido, tridimensional povoado por
milhares de outros usuários que estão controlando seus próprios
personagens. Você pode conversar e fazer amigos (ou inimigos) ou se
aventurar em dungeons e áreas pouco exploradas cheias de inimigos
controlados pelo computador. A medida que você e seus amigos superam
vários obstáculos, você se torna mais poderoso, e mais apto a enfrentar
os verdadeiros caras malvados que você sabem que estão por ali em algum
lugar.

O desafio essencial de criar um jogo online é que os jogadores precisam
sentir que as ações deles realmente importam na história geral do mundo
no qual se encontram. Os personagens e histórias de jogos como
EverQuest e Wolrd of Warcraft foram expressamente criados para vídeo
games, assim os jogadores eventualmente podem se tornar um dos mais
poderosos seres naquelas ficções, derrotando deuses e mais.

Mas no jogo "Senhor dos Anéis", você não pode ter jogadores de primeira
linha superiores à Gandalf; isto arruinaria o mundo. Você não pode ter
jogadores organizando seu próprio esquadrão de águias gigantes para
derrubar Sauron por conta própria: "Ei, Frodo, não se preocupe sobre
aquele anel, nós cuidaremos desse cara por você.
"


Lord of the Rings Online
lida com esse problema ao se construir ao
redor de uma história bem executada que tem você, o jogador, circulando
através dos eventos do começo do primeiro livro d'O Senhor dos Anéis, A Sociedade do Anel. O jogador se sente próximo aos eventos do livro sem interrompê-los.

O jogo acontece na região de Eriador, o que inclui o Condado, e
acontece assim que Frodo com o Anel está fugindo dos Espectros do Anel,
a caminho de Valfenda. Você pode visitar Bolsão, se quiser, e a
Floresta Velha e Tom Bombadil.

Você eventualmente encontra Aragorn na Estalagem Pônei Saltitante um
pouco antes de ele encontrar os hobbits. Isso dá um ótimo exemplo de
como os criadores do jogo com destreza colocam a profundidade do mundo
de Tolkien a seu favor.

No livro, quando Aragorn chega em Valfenda, ele se refere ao proprietário da estalagem, Cevado Carrapicho, quando ele diz: "Sou
'Passolargo' para um homem gordo que vive a apenas um dia de marcha de
inimigos que congelariam seu coração, ou deixariam sua pequena cidade
em ruínas, se não fosse guardado continuamente. Mesmo assim, não
aceitaríamos outro tipo de vida. Se as pessoas estão livres do medo e
da preocupação, é porque são simples, e devemos mantê-las assim em
segredo.
"

E então no jogo você, o jogador, se torna parte da força tarefa secreta
de Aragorn que tem protegido esses homens do campo e hobbits todos.
Tolkien sempre deixou claro que haviam outras batalhas acontecendo em
todo lugar enquanto a Sociedade fazia sua jornada à Mordor, e no jogo
você tem que combater, na maior parte das vezes contra criaturas dos
domínios do Rei Bruxo de Angmar (o Rei Bruxo propriamente dito está, é
claro, correndo atrás do Anel).

Mais tarde você recebe ordens de Radagast, um dos amigos magos de
Gandalf, que é visto brevemente no livro e quem depois passa a lidar
com outros problemas e em outros lugares; obviamente, você o ajuda.

Será fascinante ver como a Turbine conduzirá o jogo nos próximos cinco
anos. Os jogadores estarão aptos a entrar nas Minas de Moria depois de
a Sociedade ter passado? Nós atacaremos Saruman enquanto ele fortifica
Isengard?

Auden teria gostado desse jogo.

THE LORD OF THE RINGS ONLINE
Shadows of Angmar
Para Windows. Desenvolvedor: Turbine Inc. $49.99, com assinatura, geralmente entre $15 por mês.

Fonte: The New York Times