Os comerciantes da Terra-média

Os comerciantes da Terra-média
 
Por Michael Martinez

De vez em quando alguém pergunta que moeda era usada na Terra-média. É
difícil de encontrar evidência de moeda (dinheiro) em O Senhor dos
Anéis, mas existem sim algumas referências sobre isso. Quando Gandalf
chegou à Vila dos Hobbits com uma carroça com fogos de artifício para o
último aniversário de Bilbo e Frodo juntos, crianças hobbits o seguiram
até Bolsão esperando por uma apresentação do mago. Ao invés disto,
Bilbo atira para elas alguns centavos e as manda embora. Mestre Gamgi
também relata que Bilbo é esbanjador em se tratando de dinheiro
enquanto fala com os amigos.

 
 
 

Tolkien chega a dizer no capítulo “Three Is Company”, que em português
é “Três não é demais”, que Frodo compra uma casa em “Cricôncavo” no
campo além de Buqueburgo. Frodo, mais tarde, vende Bolsão para a
família Sacola-Bolseiro, os inoportunos primos que há tempos esperavam
herdar a fortuna de Bilbo e a casa antes dele adotar Frodo.

A moeda aparece novamente quando os cavalos e pôneis são roubados do
estaleiro em Bri. Carrapicho paga a Merry 18 moedas de prata para
compensá-lo pela perda dos pôneis dos Hobbits e compra um pônei de Bill
Samambaia por outras 12 moedas de prata, 3 vezes o que o pônei valia
naquelas partes. Depois deste ponto, os Hobbits e seus companheiros,
depois que estes se juntam, são providos de suprimentos e transporte
pelas várias pessoas que os ajudam pelo caminho, logo a citação de
moeda se torna por demais superficial pelo resto da história.

“Pennies” ou moedas, são unidades surgidas no oitavo século
Anglo-Saxão, cunhadas e modeladas na contemporaneidade, mas rejeitadas
mais tarde pelos Francos. Offa, Rei da Mércia, expandiu a produção de
“penny” depois de conquistar o reino de Kent, o qual começou a cunhar a
moeda por volta de 765. As primeiras “pennies” foram, deste modo,
distintas das “pennies” de hoje. Elas eram feitas de prata e foram as
principais moedas do reino Anglo-Saxão do século VIII em diante, assim
como a “solidus” (moeda romana de ouro) tinha sido a principal moeda do
império Romano séculos antes. “Pennies” substituíram uma velha moeda,
chamada “sceat”, a qual foi usada no comércio entre os anglo-saxônicos
e os escandinavos.

A prévia publicação de “O Senhor dos Anéis” foi forçada a resumir o
extensivo material que ele havia preparado para os apêndices. Dentre as
passagens excluídas, a qual foi somente publicada no “The peoples of
Middle-earth” de forma breve, mas fascinante seção detalhando os nomes
do dinheiro usado em Gondor. O “tharni”, que nós sabemos, era a moeda
de prata, a quarta parte de um “castar”. O “tharni” pode, deste modo,
ter sido equivalente as moedas de prata (silver pennies) de Eriador.

O equivalente élfico para “tharni” e “castar” eram “canath” (do kanat-,
‘four’) e “mirian” (do mir, ‘uma jóia ou preciosidade’). "The
Etymologies" fornece a palavra primitiva, “mbakh”, significando
‘troca’, pela qual as palavras para ‘comércio’ e ‘comerciante’ são
derivadas no Qenya (precursor do Quenya). Existiam também palavras para
‘mascate’ e ‘mercadoria’ em Sindarin.

O fato das línguas antigas da Terra média reconhecer palavras como
‘comércio’ e ‘comerciante’ dá a entender que Tolkien chegou a pensar
nas atividades econômicas no começo, entre Elfos e Anões, entretanto
ele não providenciou detalhes destas atividades. Nós não sabemos na
verdade se ‘moedas’ eram usadas em Beleriand, por exemplo, mas Círdan
segundo boatos comercializou ou deu pérolas para Thingol, quem
abastecia destas os anões de Ered Luin.

Os anões construíram estradas ‘do começo ao fim’ da Terra-média no
início desta história. Os anões de Ered Luin construíram uma ou duas
estradas levando a Doriath, e a rota, eventualmente, estendia por todo
caminho para Nargothrond (a qual eles ajudaram a erguer). O comércio
anão passava pelo Dor Caranthir, e Caranthir é dito que se tornou rico
por este. Então ele presumivelmente cobrou encargos de algum caráter em
troca de manter as rotas a salvo e em segurança. Ele pode também ter
suprido os anões com comida, no “The people of Middle-earth” é contado
a nós que os anões não cultivam a sua própria comida.

Os anões só ajudaram a construir duas cidades em Beleriand que nós
saibamos: Menegroth e Nargothrond. Os Noldor tinham seus próprios
pedreiros para contar e eles presumivelmente construíram suas torres de
pedra sem a ajuda anã. Entretanto Anões e Noldor trocavam conhecimentos
e forjavam produtos, ao que parece. O potencial do comércio é neste
caso considerável, pelo menos mais ao leste de Beleriand.

Fora de Beleriand os anões tinham um sistema de estradas se estendendo
pelo menos de Ered Luin a todo o caminho para as Colinas de Ferro e
aparentemente mais longe. Os anões, como parece, se comprometeram de
certo modo com o comércio com elfos Avari e Nandorin, bem como os
Edain, mas nós não sabemos se a moeda era um meio de troca ou se a
troca de mercadorias e serviços eram os primeiros sinônimos de comércio.

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Na segunda era, a civilização Eldar se difundiu de Lindon (o último
refúgio de Beleriand), do leste e sul para Eregion e Edhellond.
Edhellond era apenas um assentamento, um território de Sindarin e
Nandorin, que aparentemente desejavam permanecer isolados de Gil-Galad
e seus Noldor que dominavam um reino no norte. Eregion era considerado
parte do reino Noldor, mas a sua população incluía pelo menos alguns
Sindarin e/ou Nandorin.

Eregion também estava envolvida em alguma espécie de comércio com
Khazad-dûm, a qual o comércio era tão produtivo que os anões escavaram
um túnel por milhas através das Montanhas Nebulosas na disposição de
prover os elfos com uma ponte para o seu reino subterrâneo. Antes deste
tempo, os anões tinham de passar externamente as montanhas, também ou
pelo Passo do Chifre Vermelho (a qual deu a eles acesso a Eregion) ou
indo ao norte para o Passo Alto onde a estrada primitiva atravessava
Eriador passando perto de onde Elrond mais tarde fundou o refúgio de
Valfenda.

Entretanto parece ter sido virtualmente pequeno ou nulo o comércio
entre Beleriand e as terras mais ao leste na primeira era, a segunda
era se realizou um incremento em Eriador e nas Terras Ermas. Duas
imigrações, do leste, ocorreram no início da Segunda Era, o que trouxe
contato mais próximo de Khazad-dûm com a civilização de Beleriand. A
primeira migração (grande êxodo) foi a dos anões de Ered Luin no
primeiro século. As cidades mais antigas de Nogrod e Belegost foram
arruinadas na Guerra da Ira. Os anões de Belegost também pareceram ter
sido perturbados pela guerra entre Doriath e Nogrod. Conseqüentemente,
muitos deles partiram e foram para Khazad-dûm, aonde eles aumentaram a
população e infundiram no povo de Durin o conhecimento que eles
ganharam com os Noldor e Sindar.

A segunda migração foi dos elfos, quando muitos Noldor e Sindarin
passaram para o leste. Alguns dos Sindar passaram as montanhas e
organizaram reinos em meio a elfos da floresta nos Vales do Anduin
(pelo menos dois, possivelmente mais). Estes elfos que fundaram Eregion
criaram um centro de comércio, o qual atraiu até mesmo os númenorianos
a estabelecer uma espécie de porto ou colônia perto “Tharbad” no rio
“Gwathlo”. Entretanto nós não podemos saber com certeza, o quanto
extensiva era a influencia de Eregion, a região estava em uma posição
de comércio com os homens de Eriador, os elfos de Lindon e os Vales do
Anduin, os anões de Ered Luin das Montanhas Nebulosas, e Númenor.

Tudo isto chega a um fim, de qualquer modo, na guerra dos elfos e de
Sauron. Eriador e as Terras Ermas foram devastadas e muitos da
população local foram mortos ou partiram. A grande civilização élfica
foi não foi destruída, mas virtualmente se dirigiram de volta ao mar,
salvos por poucas terras que sobreviveram em vales e nas profundezas
das florestas. A guerra criou uma economia e política nula, a qual os
númenorianos subseqüentemente ocuparam, substituindo a velha cultura
élfica de tal modo que pelo fim da era, Adunaico, a língua nativa de
Númenor, deu espaço ao Westron, o qual substituiu o Sindarin como
língua comum para o noroeste da Terra-média.

Os númenorianos estabeleceram colônias por toda parte da Terra-média e
eles começaram a se acomodar largamente em Eriador bem como ao longo as
margens do sul do Anduin. As duas grandes cidades deles no mundo do
norte eram Lond Daer Ened na boca de Gwathlo e Pelargir na boca do
Anduin. Mas novamente Tolkien não nos fala de comércio que os
númenorianos devem ter conduzido nestas regiões. Lond Daer foi
originalmente fundada como um porto sazonal de Aldarion entre o século
VIII e IX. Ele usou isso como base para “armazenar”, “cultivar” árvores
com as quais se construíam navios e ele não parece ter compensado os
habitantes nativos (os “Gwathuirim”, parentes distantes dos
númenorianos) de modo algum.

O nome Pelargir implica que o local era um porto real e uma
fortificação, ‘royal garth of ships’*. Pelargir pode ter servido como
uma base de operações para os Númenorianos nas guerras que se seguiram
contra Sauron, porém eles nunca montaram uma grande expedição contra
Mordor partindo dali. Ao contrário, o local parece ter servido para
manter protegidos os colonos que moravam ao longo da costa do Anduin, e
os navios de Pelargir deviam estar mais envolvidos em assegurar as
terras costeiras aonde “os Gwathuirim” viviam.

* “jardim real de navios”.

O vasto Império de Númenor parece ter desenvolvido um comércio que
beneficiou a ‘terra-mãe’, assim como o Império colonial britânico
beneficiou a metrópole nos séculos XVII e XVIII. A riqueza teve um
fluxo para Númenor maior que o de Númenor para suas colônias. Assim as
colônias proviam matéria-prima, escravos e tributos aos Númenorianos,
exceto quando, ocasionalmente, algum aventureiro estabelecia algum
pequeno reino.

Então o comércio no Noroeste da Terra-média provavelmente estava
fechado do tempo da Guerra dos Elfos contra Sauron ao tempo de fundação
de Arnor e Gondor. A chegada de Elendil e os Exilados Fiéis de Númenor
seria precedida por um gradual aumento de colonos Fiéis que dependeram
menos e menos da ajuda de Númenor e mais da ajuda de Elfos e Anões.
Comércio e troca deviam ter revivido um tanto, especialmente depois que
Ar-Pharazôn tomou Sauron para Númenor e reduziu a influência do Senhor
do Escuro na Terra-média o suficiente para permitir que Gil-Galad
estendesse a sua própria influência a leste e aos Vales do Anduin.
Elendil, deste modo, encontrou uma grande e produtiva população
esperando por ele e seus filhos em Eriador e nos Vales do Anduin
localizados mais ao sul. Estas pessoas, Númenorianos, Edain, e homens
de linhagem mista, começaram a trabalhar construindo grandes cidades
(Annuminas e Fornost Erain no Norte, Minas Anor, Minas Ithil e Osgliath
no sul), imponentes fortalezas (Angrenost e Aglarond em Calenardhon), e
ricos e poderosos reinos. Nos primeiros anos Arnor e Gondor se
comunicavam principalmente por navios (não considerando as mensagens
passadas através dos Palantíri). Navios deixavam Pelargir ou Osgliath e
navegavam norte para o Rio Gwathlo, aonde eles passavam rio acima para
Tharbad (Lond Daer Ened estava aparentemente por agora destruída ou a
muito abandonada).

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Ambos os reinos tiveram extensivas fazendas com as quais alimentavam
suas populações, mas se Arnor tivesse se empreitado a alimentar os
Anões das Montanhas das Névoas, Gondor poderia ter encontrado algum
benefício em mandar comida para o Norte também. Claro, comércio
incluiria também itens de luxo como peles, jóias, metais preciosos,
vinhos, e tecidos especiais, tintas, e perfumes. Uma economia provida
de dinheiro provavelmente existiu previamente a fundação do reino no
exílio dos Dúnedain.

A grande riqueza que os exilados acumularam nos seus primeiros 110 anos
ajudam a explicar como Elendil e seus filhos puderam construir um
grande exército. Exércitos precisam ser pagos, equipados, e supridos, e
somente uma economia forte poderia ter suportado as imensas forças que
Elendil e seus aliados reuniram para os 10-12 anos de guerra que eles
experimentaram.

No tardar da Segunda Era, Arnor e Gondor estavam provavelmente isoladas
do resto Númenoriano da Terra-média. As terras mais ao sul controladas
pelos Reis Homens, os quais se tornaram os Númenorianos-Negros,
apoiadores ou Sauron e tradicionais inimigos dos Fiéis. Gondor, dessa
forma, teria sido uma parceira mais jovem nas relações econômicas entre
os Dúnedain Fiéis e seus aliados. Mas depois que Sauron estava
derrotado e Isildur estava perdido nos Vales do Anduin, Gondor foi
levada pela corrente para longe da esfera de influencia de Arnor. Como
Arnor decaiu em população, riqueza e poder, Gondor estendeu suas
fronteiras ao norte, leste e sul, entrando em contato com populações as
quais tinham estado fora da influência de Gil-Galad.

A mudança para fora de Arnor na política de Gondor deve ter ferido a
economia do Reino do Norte. Com o declínio de Lindon como uma das
principais forças, Arnor tinha apenas os Anões para negociar, e Tolkien
não conta para nós nada sobre suas relações na Terceira Era. O influxo
dos Hobbits, no início do segundo milênio, indubitavelmente trouxe nova
riqueza para os reinos de Rhudaur e Cardolan, mas eles não poderiam
reabilitar os Dúnedain do norte à sua forma e poder.

A situação em Eriador deve ter sido muito confusa por vários séculos.
Com três reinos Dúnedain, havia provavelmente três cunhagens. Será que
Elfos e Anões também cunhavam suas própria moedas? Disparidades em
recursos e a constante briga e hostilidade entre os reinos Dúnedain
teriam, mais adiante, enfraquecido a economia do norte. Mercadores
Anões provavelmente passavam com impunidade através de Eriador. Elfos
provavelmente não eram perturbados também. Mas o povo de Círdan e os
remanescentes do reino de Gil-Galad estavam diminuindo. Esperanças para
o comércio teriam sido limitadas. Os Anões ainda precisavam de comida,
os Dúnedain ainda precisavam minérios e talvez pedras para construção.

O crescimento do reino de Angmar ao norte teria, realmente, ajudado a
estabilizar a situação entre os Dúnedain de algumas maneiras. Rhudaur
foi destruída cedo e Cardolan tão enfraquecida se tornou virtualmente
reintegrada dentro do reino de Arnor (Arthedain). A influencia de
Arthedain, deste modo, cresceu com a intervenção de Lindon e Valfenda
(Elrond até alistou ajuda de Lothlorien nas guerras contra Angmar). Uma
única cunhagem Dúnedain teria sido, assim, restaurada para o norte e é
duvidável que Eriador, em algum tempo, tenha tido uma cunhagem diversa
de novo. Por conseguinte, as “pennies” que Bilbo e Carrapicho deram
eram provavelmente equivalentes em valor e forma.

De 1409 para diante, a economia de Eriador teria sido dominada por três
regiões: Fornost Erain, no sul, fim das Colinas do Norte; Bri, no
cruzamento das grandes estradas; e Tharbad no cruzamento do rio
Gwathlo. Tharbad estava em sério declínio, já que foi originariamente
um forte e um centro de comércio para os Dúnedain. A economia e os
interesses políticos de Gondor no norte estavam nesse tempo em declínio
e a última guarnição militar Gondoriana foi extraída de Tharbad depois
da Grande Peste de 1636.

O grande influxo dos Grados às Terras Pardas por volta de 1300, o que
beneficiou Tharbad economicamente, foi contrabalançado pela morte da
população desses na Grande Peste. Os únicos Grados, que sobreviveram no
Oeste das Montanhas Sombrias daquele tempo em diante, eram aqueles que
haviam recentemente migrado fundado o Condado além do rio Brandevim. A
Peste também exterminou a maioria da população de Cardolan e o
organizado assentamento efetivamente rumou para um fim entre Tharbad e
Bri. Tharbad foi, deste modo, isolada do resto de Eriador e sua
população provavelmente nunca se recuperou totalmente dos efeitos da
Grande Peste.

Arnor sobreviveu outros 338 anos, mas sua população diminuiu. O
Condado, Bri, Fornost Erain, e Tharbad eram as únicas regiões
produtivas que restavam. Fornost e o Condado foram ambas dominadas na
invasão final lançada por Angmar. O Condado foi posto em ordem, mas
Fornost estava finalmente abandonada pelos Dúnedain que provavelmente
escaparam para as profundezas das Colinas do Norte.

Pelo resto da Terceira Era, a atividade econômica de Eriador avançou
com dificuldade. Poucos viajantes passavam por Bri e o Condado, mas não
havia mais uma fundação para suportar um comércio significante. O
Condado aparentemente continuou a suprir comida para os Anões de Ered
Luin, que incharam em número depois que a civilização de Khazad-dûm foi
destruída pelo Balrog em 1980-1. Bri permaneceu como um importante
ponto de parada em uma jornada através de Eriador, mas não era mais
vital às necessidades do reino do norte. Então a pergunta quanto a quem
cunhava o dinheiro que apareceu é pertinente.

Provavelmente os Anões de Ered Luin proviam o dinheiro para Eriador.
Eles teriam precisado dele para pagar a comida comprada do Condado e
isso teria beneficiado Bri a respeitar o seu uso também. Se os Elfos de
Lindon e Imladris faziam uso do dinheiro então faria lógica para eles
usar a moeda anã também.

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O Condado expandiu um pouco no vigésimo quarto século da Terceira Era,
quando o Velho Brandebuque fundou a Terra dos Buques, “na prática um
pequeno e independente país” como Tolkien descreveu. Não é claro porque
o Velho Buque sentiu a necessidade de fundar uma nova terra além do rio
Brandevim, mas é concebível que a influencia e autoridade do Thain
estava nesse período declinando. Quando ficou claro que os Dúnedain não
restabeleceriam o reino do norte, os chefes do Condado elegeram Bucca
do Pântano para ser seu Thain, essencialmente para ser um rei local.
Mas os Thain, apesar da hereditariedade, tinham pouco poder no final da
Terceira Era.

Então o Velho Buque pode ter desejado estabelecer uma terra aonde ele
teria uma autoridade maior que no Condado. O efeito desta colonização,
de qualquer forma, foi um rejuvenescimento da atividade entre os
Hobbits do Condado e os Hobbits de Bri. Os Brandebuques comercializavam
com ambos, Condado e Bri.

330 anos mais tarde, Tobold Corneteiro revolucionou a economia da
Quarta Sul plantando a erva-de-fumo. Entretanto os habitantes de Bri
foram os primeiros a fumar a folha, a Quarta Sul eventualmente se
tornou a primeira origem deste item de luxo e sua reputação se estendeu
a Isengard e provavelmente além. Anões pegaram o hábito do fumo dos
Hobbits, e eles podem ter comprado suprimentos para enviar a parentes
em terras distantes.

É, deste modo, evidente que o Condado estabeleceu uma pequena, mas
prospera economia mercante com Bri, Terra dos Buques, os Anões de Ered
Luin, e provavelmente Tharbad e Terras Pardas. Comércio com o sul
provavelmente caiu em silêncio, estagnou-se depois que Tharbad foi
abandonada no trigésimo século, mas Saruman parece ter desenvolvido uma
forte conexão com os Sacola-Bolseiros por volta de 3000 em diante.

A influência de Bri decaiu firmemente durante todo o fim da Terceira
Era, mas parece que os Dúnedain de Eriador usavam Bri como um centro de
operações. Eles podiam comprar suprimentos lá e recolher notícias assim
como organizar as atividades de seus Guardiões, as quais parecem ter
focalizado em proteger Bri, o Condado e a Terra dos Buques, e seus
próprios lares. Em “No Pônei Saltitante” Tolkien escreve que os
Guardiões viviam a leste de Bri, e a menção de Cevado Carrapicho a
Frodo: “não dá para explicar o leste e o oeste, como dizemos aqui em
Bri, referindo-nos as excentricidades dos Guardiões e do pessoal do
Condado”, implica que os habitantes de Bri estavam consideravelmente
certos de que os Guardiões viviam nas terras orientais.

Aragorn menciona uma instalação abandonada distante um dia de jornada a
leste de Bri, implicando que este é o último sinal de uma civilização
em Eriador entre Bri e Imladris. Se for este o caso, então parece
improvável que os Dúnedain de Eriador realmente moravam diretamente a
leste de Bri. Não havia muito lá, exceto pelas Colinas dos Ventos,
depois do Pântano dos Mosquitos, e Aragorn contou aos Hobbits que
ninguém vivia nas Colinas. Em outra ocasião, ele se arrisca ao sul de
Topo do Vento para encontrar Athelas perto de um velho lugar aonde sua
gente tinha acampado ou se estabelecido uma vez, logo é concebível que
os Dúnedain moravam nas Colinas do Norte e/ou do Sul (provavelmente
mudando constantemente e então evitando serem detectados por espiões de
Sauron).

Os Dúnedain não estavam com muito poder econômico ao fim da Terceira
Era, mas seu ocasional tráfego combinado com a passagem dos Anões na
estrada teria ajudado a manter a estalagem de Bri, o Pônei Saltitante,
nos negócios. Mas parece claro que o tráfego era insuficiente por si
só. Carrapicho parece ter servido como o responsável pelos cavalos no
vilarejo de Bri, já que muitos dos cavalos locais e pôneis eram
mantidos no seu estábulo.

Comércio existia em outra parte do mundo mais ao norte. Os homens da
Cidade do Lago trocavam com os Elfos do norte da Floresta das Trevas e
alguns Homens do Norte não nomeados vivendo mais distante ao sul, no
rio Celduin. A misteriosa terra de Dorwinion nas costas ao Noroeste do
interior do Mar de Rhûn proviam essas pessoas com um bom vinho. O
restabelecimento de Vale e Erebor no Século XXX fortaleceu a economia
regional consideravelmente, mas ainda era uma grande e isolada região.
As ordens especiais de Bilbo para presentes de Vale e Erebor eram muito
provavelmente feitas por razões sentimentais melhor que uma preocupação
com o costume. NO Hobbit parece que Bilbo nunca tinha escutado sobre
Vale e Erebor antes de Thorin contar a ele a história de como Smaug
destruiu os dois reinos.

A despeito de todas essas visões de troca e comércio passando ao longo
das estradas da Terra-média, havia um limite para a economia da
história do mundo de Tolkien. O Condado desenvolveu algum tipo de
governo, mas aparentemente faltou riqueza para manter uma grande
burocracia. Os agentes postais e condestáveis respondiam ao prefeito de
Grã-Cava que gerenciava o Serviço de Mensagens e Patrulha (condestáveis
e fronteiros).

Tolkien escreveu no Prólogo de O Senhor dos Anéis “nessa época o
Condado mal tinha um ‘governo’. Na maioria das vezes as famílias
cuidavam dos seus próprios negócios. Cultivar comida e come-la ocupava
a maior parte de seu tempo. Em outros assuntos eles eram, em geral,
generosos e não gananciosos, mas satisfeitos e moderados, de modo que
terras, fazendas, oficinas, e pequenos comércios tendiam a permanecer
inalterados por gerações”.

Entretanto o Serviço Postal empregava mais Hobbits que o a Patrulha,
quando os convites e ordens de Bilbo para a Festa inundaram os correios
da Vila dos Hobbits e Beirágua , “carteiros voluntários estavam sendo
procurados”. O fato de voluntários serem precisos implica que não havia
provisões para empregar extra (mesmo que temporários) trabalhadores, e
seja qual fosse a renda gerada pelo correio era insuficiente para
prover os salários adicionais.

As trocas secretas de Lotho Sacola-Bolseiro com Isengard também parece
implicar que não haviam taxas de exportação. Não é claro como o Condado
pagava pelos 12 condestáveis, muito menos o maior número de fronteiros
e agentes postais. Algum tipo de taxa ou dízimo devia ter existido para
prover sua manutenção, mas eles podem não ter sido significantes. Sem
um grande rendimento base, o “governo” do Condado conseqüentemente não
era muito de fator econômico, mesmo dentro do próprio Condado. Assim, a
maior parte do dinheiro era provavelmente concentrada nas mãos de
várias famílias poderosas como os Tûks, Brandebuques, Bolseiros, etc.
as quais cuidavam dos seus próprios negócios.

A presença de estábulos e tavernas por todo o Condado implica uma
quantidade justa de atividade social e viajante. Estes locais
provavelmente serviram como centros de suas vida sociais nas
comunidades e provavelmente eram localizados perto de quaisquer
mercados estabelecidos nas vilas. É duvidável que existiam muitas
pessoas de negócios poderosas como Lotho Sacola-Bolseiro, que comprou
muitas fazendas e plantações na Quarta Sul. Seus empreendimentos eram,
pelo menos, em parte financiados por Saruman.

Como sempre, eu tenho apenas sido capaz de tocar por cima desses
assuntos, mas eu penso ser evidente que Tolkien devotou um considerável
pensamento ao dinheiro e economia na Terra-média, entretanto seria
impossível documentar completamente as atividades de troca de várias
pessoas. A escala de troca era provavelmente sempre pequena, exceto no
suprimento de comida para grandes exércitos ou nações Anãs. Tolkien
provavelmente não imaginou uma economia maciça, mas ele parece ter
estado ciente que os comerciantes antigos vaguearam pela Europa por
milhares de anos e na construção da Terra-média ele permitiu uma ampla
e estável economia.

 
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