Os Avós da Fantasia

 
 
 
 
    O apelo difundido da fantasia foi aceso primeiramente pela trilogia O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien. Embora um grande número de pessoas saudasse O Senhor dos Anéis como a primeira fantasia de verdade, havia também outros autores de fantasia no século 19, e mais recentemente no século 20. Talvez três dos mais proeminentes foram Lord Dunsany, George MacDonald e William Morris, que se especializaram em todas formas, das lendas auto-criadas à fantasia mais profunda.
 
    O cenário cristão de George MacDonald foi exposto em seus escritos de fantasia. Seus livros infantis, como a série Princess, composta de dois livros, e At the Back of the North Wind, expõe suas crenças morais em um certo grau, e seus trabalhos adultos expõe mais.
Intrigantemente, os livros infantis possuem personagens semi-angelicais e dilemas morais abordando a perda da vida. Por outro lado, seus livros adultos são mais óbvios, referenciando personagens bíblicos e temas teológicos.

    Com certa dose de similaridade à C. S. Lewis, MacDonald interliga doutrina cristã e mitos em suas tramas, criando uma verdadeira “fantasia cristã”. Por exemplo, em Lillith, a personagem principal encontra “…Adão, o velho homem e o novo homem… sua esposa, ministrando a casa dos mortos, era Eva, e mãe de nós todos, a senhora da Nova Jerusalém.” Tais reviravoltas nas históriasilustram a devoção de MacDonald à suas crenças.

    Um tom muito diferente foi abordado nos trabalhos de Lord Dunsany, que variavam de curtas histórias contemporâneas à pseudo-mítica novela The Gods of Pegana. Subtemas orientais e indianos estão em muitas de suas fantasias, com suas exóticas descrições, como os "grandes poços, em muito jardinados, bela Istrakhan onde os lírios flutuavam concedendo sonhos deleitáveis". Alguns eram mais convencionalmente britânicos, como Miss Cubbidge e Dragon of Romance and Charon.

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    Entretanto, uma idéia de algo totalmente fora desse mundo, quase espiritual, permeia suas histórias, novelas peças e poemas. O trabalho de Dunsany freqüentemente inclui o confronto de mortais e um poderoso panteão de deuses, que ele criou expressamente para suas histórias, numa maneira reminiscente de alguns deuses míticos e heróis de tempos antigos. Como resultado, seus trabalhos são totalmente diferentes de Tolkien, Lewis e MacDonald.

    A fantasia de William Morris é totalmente diferente em sua execução tanto de MacDonald quanto de Dunsany. Melhor do que misticismo etéreo ou mitos cristãos entrelaçados,
Morris empregou um estilo pesadamente formal. Em adição, enquanto eles não tinham a fluência descritiva da prosa de Dunsany, eles mantiveram uma ótima qualidade mítica. Essa qualidade estava mais próxima da lenda do Rei Artur e seus cavaleiros do que de deuses exóticos.

    Freqüentemente as aventuras de Morris envolviam menos matar dragões e resgatar donzelas e mais buscas por objetos semi-sobrenaturais. Seus personagens principais freqüentemente procuravam coisas como "a Terra onde os dias eram muitos: tantos que aqueles que se esqueceram como rir, puderam aprender a fazê-lo novamente, e esquecer os dias de pesar". A magia desses contos é contida freqüentemente, os personagens verdadeiramente nobres.

    A fantasia tornou-se conhecida e amada pelas massas primeiramente com o Senhor dos Anéis. Os efeitos continuam nos dias atuais na forma das fantasias épicas e ficção científica. Porém, a influência desses primeiros escritores de fantasia não pode e não deve ser negada. Se Tolkien foi o pai da fantasia moderna, esses três foram os avós da fantasia moderna.

 
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