O Senhor dos Palcos (Parte 2)

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Continuação de "O Senhor dos Palcos (Parte 1)".

Cenário para imaginações férteis 

Rob Howell, a pessoa que desenhou os cenários e as roupas, foi apresentado a um desafio bem específico: como fazer juz ao livro sem copiar descaradamente as ilustrações do filme ou do livro. 

 

 

Ele sabia ser impossível colocar tudo no palco, mas consolou-se sabendo que "há uma aceitação do público que eles serão convidados a brincar com suas imaginações". No entanto, o palco não ficará vazio. Enquanto tentava não soltar muitas informações sobre como vai ser o espetáculo, ele falou que o design é "muito orgânico, uma produção ambiental".

Mas mesmo um cenário orgânico não sai barato.

"O público tem de sentir, quando entrarem no teatro, como se eles estivessem tomando parte em algo que que está acontecendo já faz muitos milhares de anos" ele diz. "A estória parecerá que já está em andamento, e eles juntam-se à estória. Eles virã pra o mesmo espaço que os Hobbits habitam. Você não terá outra opção, senão essa."

O gigantesco cenário giratório – parte de algumas das 40 toneladas de cenário que tomaram mais de um ano para serem montados – foi construído na Inglaterra, suas partes foram combinadas umas as outras para teste, e então desmontadas e mandadas por navio ao Canadá, onde serão instalados no Princess of Wales.

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Uma mistura eclética 

E como levou tempo para definir os atores que trabalhariam naquele cenário!

"Entrevistamos milhares de pessoas" diz Warchus. De mais de 4 mil, eles escolheram 55. A companhia exibe alguns dos melhores atores do Canadá, incluindo o etéreo Brent Carver, o vencedor do troféu Tony pela sua atuação em "O Beijo da Mulher Aranha", que aqui interpreta Gandalf, o mago.

Entre os outros, temos Michael Therriault, um veterano do Festival de  Stratford, interpretando o spectral Gollum; Richard McMillan, o Scar original na companhia de Toronto da peça "O Rei Leão," como o mago Saruman; e uma jovem estrela em ascenção, Carly Street como a adorável, elfa Arwen, um dos poucos papéis proeminentes femininos na produção.

O papel principal, no entanto, é de um ator desconhecido James Loye, um animado jovem de 26 anos de Bristol, Inglaterra – com grandes volumes de cachos negros e um jeito encantador. Ele foi visto brevemente em Nova Iorque em uma versão sombria e prepotente de Young Vic para "A Bela Adormecida". Loye interpreta Frodo, o herói Hobbit, cuja busca pelo anel molda o centro da estória de Tolkien.

Pergunte aos atores onde eles começaram com suas pesquisa, e a resposta sempre é a mesma: os livros. "Há um material muito rico ali," diz Loye. "Tudo está no mundo que Tolkien criou."
"Estávamos procurando por profissionais corajosos e com raça de verdade – pessoas que não fiquem presas em um estilo" disse Darling, falando especificamente sobre os bailarinos escolhidos "É a mistura mais eclética que eu já vi em uma companhia."

O processo de audição foi longo e exaustivo, com exigências de altura e peso para vários papéis, particularmente para os pequenos Hobbits. Quando os ensaios começaram, as coisas começaram a colaborar, com Warchus desejoso por experimentar novas técnicas.

"Matthew (Warchus) deixará outra pessoa falar por um momento e ele logo pegará a idéia." disse Street. "E então o que ele terá a oferecer é sempre a situação presente ou trabalho futuro. Ele liga as coisas. Ele conversa com o coração do problema."

"Todo o processo foi uma exploração" disse Therriault, acrescentando o que o diretor disse a ele, " ‘Eu não tenho uma voz clara em minha cabeça. Eu não tenho uma imagem de como ele (Gollum) se move. Vamos experimentar coisas novas.’ Assim foi uma espécie de experiência sem limites e restrições. Jogávamos idéias a torto e a direito."

Para Therriault isso significou estudar inúmeras cópias de revistas de dança, e escolher imagens que ele achou interessante. Por exemplo, a forma de uma mão, o curvar de uma perna, em um esforço para encontrar a linguagem corporal correta para o estranho e arrepiante personagem que ele está criando.

"Dirigir é na verdade colaborar com seus recursos mais do que se impor (para os recursoss)," Warchus disse. "Assim, quando as pessoas dão para você fontes novas e inesperadas, para criar uma peça de teatro é muito excitante."

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Um gostinho antes do show

Depois do começo dos ensaios de outubro passado, a cortina se ergueu em 4 de fevereiro no Princess of Wales, para a primeira prévia pública de "O Senhor dos Anéis".

Algo em torno de 2 mil críticos de teatro compareceram à performance de sábado à noite, que durou – de acordo com a imprensa local – quase cinco horas, incluindo 50 minútos de intervalos e uma parada de 15 minutos para correção de pequenas falhas técnicas (de acordo com os jornais).

As duas da manhã da manhã seguinte, os bloggers começaram a postar seus comentários. "Os visuais são espetaculares – é certamente o mais impressionante-e-inspirador espetáculo ao vivo em um palco que eu já vi na vida" escreveram no All That Chat, o boletim de discussões com as fofocas de tudo que é relacionado a teatro em  www.talkinbroadway.com.

A aventura nos palcos dos Hobbits, humanos, Elfos e Anões agora pertence aos seus públicos.

 
 

Agradecimentos à Primula pela tradução.

 

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