As Bodas de Beren e Lúthien

heren.jpgCaso ainda estivessem vivos, eles estariam completando 90 anos de casados ou Bodas de Álamo hoje. A cerimônia foi em uma quarta-feira, 22 de março de 1916, em uma Igreja católica moderna no centro da cidade de Warwick, próxima de Oxford, celebrada pelo padre local Murphy. Estamos falando de J.R.R. Tolkien e Edith Bratt.
 
A história de amor que durou mais de 60 anos, começou quando Tolkien e seu irmão Hilary mudaram-se para uma grande casa onde passariam a morar na Duchess Road, em Birmingham, Inglaterra. A casa era propriedade de um tal de Sr. Faulkner, comerciante de vinhos, e amigo dos padres no Oratório – no qual Padre Francis Morgan (um guardião e segundo pai de Tolkien) fazia parte. Ao saber que um quarto ficara vago, o Padre os levou para lá. Pois os irmãos Tolkien diziam para ele que a morada na casa da Tia Beatrice (casada com o irmão caçula de Mabel Suffield, mãe falecida dos Tolkiens) mostrava-se infeliz.
 
Hilary e Ronald Tolkien ficaram no segundo andar da casa, em um quarto exatamente acima do de Edith, uma garota três anos mais velha que Ronald. Logo no primeiro dia de mudança, quando os irmãos desceram para jantar, eles descobriram que havia uma outra moradora por ali: a jovem e bela Edith de olhos cinza e cabelos pretos. No começo, a princípio, os dois somente flertavam de brincadeira pela casa. Mas com o tempo passaram a sair sozinhos passeando pelos campos próximos, e a conversarem sob à sombra das árvores sobre seus planos futuros.rnrnPor algum tempo, o namoro dos dois passou por despercebido do guardião Francis Morgan. Até que uma dona de uma casa de chá, que os amados haviam freqüentado, chamada Sra. Church, estragou o namoro e resolveu contar ao padre. Por sua vez, Morgan tratou de dar um belo de um sermão em Ronald e concluiu que ele só deveria voltar a namorá-la 3 anos depois, quando completasse a maioridade. Para piorar a situação, Tolkien foi transferido para um novo endereço perto do Oratório. E mais tarde, Edith seria mandada para morar com os parentes em Cheltenham.

Tolkien, apesar do grande amor por Edith, sabia que deveria respeitar o seu guardião. Porém chegou o dia em que Edith deveria partir, e Tolkien não poderia deixar de se despedir de forma adequada. Combinou com ela de se encontrarem bem afastado de Birmingham, em uma casa de chás que não haviam visitado antes. Lá eles fizeram juras de amor, prometendo-se um ao outro. E se presentearam por seus aniversários (em janeiro): Tolkien deu um relógio de pulso à ela e Edith uma caneta à ele.

Mas novamente este momento romântico foi, de alguma forma, descoberto por Francis. E o que ele fez? Mais um sermão, claro – só que desta vez de forma muito pesada e dura. Tolkien até tentou se explicar, mas não teve jeito. Nem por cartas ele poderia se comunicar. E assim Tolkien entrou em profunda tristeza. Passou algum tempo e ele viu que a única coisa que poderia fazer era voltar a dedicar-se aos estudos.

Os longos 3 anos passaram, e na noite do dia 2 de janeiro de 1913, às vésperas de completar 21 anos (a maioridade), Tolkien escreveu uma carta de amor reiterando seus sentimentos por Edith. No dia seguinte enviou a carta e esperou paciente por uma resposta. Entretanto a resposta despedaçou seus sentimentos temporariamente: Edith ficara noiva! Noiva de um rapaz chamado George Field. Na carta, Edith expressava que não era bem o seu desejo, mas sentia que Tolkien não estaria mais à sua disposição.

Tolkien pegou um trem rumo à Cheltenham para conversar pessoalmente com sua amada. Na plataforma, Edith esperava. E eles puderem conversar até bem avançada noite. Tolkien convenceu-a, e ela desistiu de seu noivado. Edith ignorou as más línguas dos vizinhos, e decidiu ficar com o homem à qual 3 anos antes ela prometera-se com juras de amor. Dessa forma, “Beren” e “Lúthien” se casaram três anos depois.

Esta é a história do começo do romance. Nos anos seguintes eles tiveram 4 filhos: Michael, John e dois deles ainda vivos hoje, Christopher e Priscilla. Há mais histórias e relatos de Tolkien sobre sua vida com sua esposa em cartas, que podem ser lidas no livro lançado recentemente As Cartas de J.R.R. Tolkien. Além de biografias, também.

Felicidades para estes grandes personagens, que no salão de Mandos descansam eternos.

Fontes:

Tolkien – Uma Biografia. Michael White, Ed. Imago.
As Cartas de J.R.R. Tolkien. Ed. Arte & Letra.
 
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