Thomas Shippey: "O filme de Peter Jackson é, exceto por um erro, fiel ao livro"

Estudioso da vida e obra de Tolkien é entrevistado por jornal Espanhol.

 

 

Contemporâneo de Tolkien na Universidade de Oxford, Thoman Shippey tem estudado profundamente a obra do criador de "O Senhor dos Anéis", do qual se declara um profundo adimirador.
Tom Shippey é autor dos livros "J.R.R.Tolkien: Author of the Century" e "The Road to Middle-Earth", e aconselhou Peter Jackson sobre a história da Terra Média durante os filmes de "O Senhor dos Anéis". O estudioso foi entrevistado pelo jornal "El Ideal Gallego", enquanto se encontrava em A Coruña, Espanha, para uma reunião da Sociedade Selim, que coordena as professoras da Faculdade de Filologia Isabel Moskowich e Begoña Crespo.

El Ideal Gallego:
O filme de Peter Jackson é fiel ao livro?

Thomas Shippey:
O filme é completamente fiel, à exceção de um erro na pronúncia da palavra Sméagol e Mordor, entre os personagens jovens e maiores.

El Ideal Gallego: Crê que a sitiuação de é recriada no romance tem algum paralelo com a sociedade atual?

Thomas Shippey: Bem creio que Tolkien, que quando escreveu o livro, estava muito afetado pela 1ª e 2ª Guerra Mundial, diria que o mal não se destrói, mas sem que é cíclico. A história, para Tolkien, se repete e o mal se recria em si mesmo. E os personagens são muito conscientes disso.

El Ideal Gallego: Quais são as virtudes de um livro que tem milhões de admiradores em todo mundo?

Thomas Shippey: O principal do livro "O Senhor dos Anéis" é que o herói não é Frodo nem Gandalf. Todo mundo é o herói, e isto é o que atrai os leitores. Enquanto no filme, a edição tem um resultado decisivo para seu êxito, ainda que os efeitos especiais sejam espetaculares e recriam muito bem as fortes descrições de devastação que Tolkien escreveu.

El Ideal Gallego: Por que Tolkien não recebeu respaldo da crítica?

Thomas Shippey: Tolkien foi e continua sendo duramente castigado pela crítica literária. Há dois anos, no The New York Times, apareceu uma resenha que dizia que o escritor representava a morte da literatura. Em minha opinião, a chave dessa rejeição está no fato de que Tolkien abordava questões políticas de grande significância. Temas que outros autores não tocavam, como a natureza do mal e a origem de uma corrupção a qual ninguém está imune.

El Ideal Gallego: É Tolkien um dos grandes escritores do século XX?

Thomas Shippey: Sim, escreveu um grande romance, um grande épico. Disseram que este tipo de literatura havia morrido com "Dom Quixote" e ele demonstrou que se podia escrever este tipo de livros. Asseguraram que o século XX não era tempo para épicos e se equivocaram.

Fonte: El Ideal Gallego