Burzum

 
Descrever a vida útil da banda norueguesa Burzum é obrigatoriamente uma biografia de Christian Vikernes, seu mentor e único integrante. Uma das figuras mais polêmicas e conhecidas do meio black metal, Vikernes ficou conhecido tanto por suas excentricidades, que culminaram com a morte de Euronymous, guitarrista da banda Mayhem, como por sua música inovadora que, indiscutivelmente, fez escola.

Christian Vikernes nasceu em Bergen, Noruega. Eventualmente mudou oficialmente seu nome para Varg Vikernes (Varg significando "lobo" em certos mitos nórdicos), por motivo de sua extrema aversão à religião cristã. Vikernes pregava, e prega até hoje, que a religião cristã profanou as terras da Noruega, expulsando o povo nórdico das florestas e infiltrando igrejas em seu meio. O aspecto ideológico da vida de Vikernes não será analisada nesta biografia pois não é relevante, mas as consequências deste serão citados adiante por influenciarem as mudanças no som do Burzum.

A Música

O Burzum inicialmente chamava-se Uruk-Hai, uma outra referência à obra de J.R.R. Tolkien. Os Uruk-Hai são orcs "moldados" por Saruman em Isengard. Após um breve período sobre esta alcunha, Vikernes mudou o nome da banda para Burzum, e sob este nome lançou 2 demos e um promo no início dos anos 90.

O primeiro álbum do Burzum foi gravado e lançado apenas em 92, mas foi re-lançado pela Misanthropy Records em 95. Note-se que a parte gráfica da banda Burzum sempre foi de nível excepcional em seus álbuns oficiais.

A influência de Tolkien, além do nome da banda, aparece unicamente neste álbum, com a música The Crying Orc. Vale ressaltar que há uma música chamada Ea, Lord Of The Depths, mas aparentemente a música não tem relação com "Eä", o universo no mundo tolkeniano. O som da banda é black metal cru e direto, com riffs de guitarras simples e vocais rasgados fortes.

Biografia:

Em 1993, a banda lança o EP Aske, com apenas três longas faixas. Neste álbum Vikerners passa a mesclar letras em inglês e norueguês (anteriormente, todas as letras eram em inglês), algo pouco exercido na época. Este EP gerou grande polêmica por sua capa, que apresentava uma igreja católica sendo incendiada.

No mesmo ano, o Burzum grava e lança o álbum Det Som En Gang Var, onde todas as músicas, exceto duas, são em norueguês. O black metal apresentado aqui foi muito similar ao álbum Burzum, porém com algum progresso no aspecto técnico ao que se refere à execução dos instrumentos, sempre todos tocados por Vikernes.

Em 1994 é lançado o álbum Hvis lyset tar oss. Todas as letras são em norueguês e falam sobre lendas nórdicas e declarações de dedicação a Noruega e ao passado viking de Vikernes. Este foi o último álbum a ser lançado antes da condenação de Varg Vikernes a prisão, que será explicada posteriormente.

Em 1996, com Varg Vikernes já aprisionado, é lançado o álbum Filosofem. Este é o último álbum na linha metal do Burzum, já apresentado grandes mudanças em seu som, aumentando bastante a presença de teclado e diminuindo a qualidade de produção em alguns quesitos como o timbre das guitarras e principalmente o vocal, por ter sido gravado de forma atípica, sendo um microfone ligado através de um interfone e produzindo um som bastante inferior ao passado.

No próximo ano, 1997, a Misanthropy Records, que foi criada com o intuito de lançar a obra do Burzum, lança Balders Dod, o primeiro álbum inteiramente gravado na prisão por Varg Vikernes. O som da banda muda completamente, não havendo nenhuma guitarra presente nas músicas, fazendo com que o Burzum afaste-se de vez do Black Metal e passe a apresentar um som atmosférico, completamente executado por sintetizadores.

Finalmente, no ano de 1999, o Burzum lança o seu último álbum, Hliðskjálf. A música é exatamente o oposto do impronunciável nome do álbum. Simples, mais uma vez feita por sintetizadores, mas apresenta significantes melhorias nas melodias, quando comparadas às do álbum anterior.

Após o ano de 1999, ano em que o Burzum gravou este álbum, Varg Vikernes foi transferido para outra cadeia, onde não são permitidos instrumentos musicais nas celas, onde permanece até hoje. Portanto, o Burzum é considerado, até mesmo pelo próprio idealizador da banda, como extinto.