Adí»naic – O Vernáculo de Númenor

Também chamado: Adunaic [assim no Relatório de Lowdham, nossa fonte principal relativo a este idioma, mas Adûnaic no appendices para LotR] e Númenórean.

 

História Interna 

Quando os Homens despertaram em Hildórien à primeira subida do Sol, eles começaram a inventar um idioma, algo semelhante ao que os elfos tinham feito a milênios em Cuiviénen. Mas como sabemos, os homens nunca foram tão criativos quanto os elfos… éramos poucos e o mundo grande e estranho. Embora fosse grande em nós o desejo de entender, aprender era difícil e a fabricação de palavras era lenta. Se um dia existiu um idioma puro e feito apenas pelos homens mortais, ele começou a ser esquecido quando tivemos o primeiro contato com os elfos de Beleriand.

Felangund não desejou aprender a língua de Bëor, pois esses homens tinham vindo a muito tempo das terras dos elfos da escuridão, e com eles tinham aprendido muitas das suas palavras, de modo que o idioma de Bëor se assemelhou muito a língua dos elfos. No Silmarillion também está o relato de que os homens entraram em contato com os Anões, e com eles aprenderam parte do Khuzdul que adaptaram para seu próprio uso.

Em Beleriand os homens aprendiam avidamente o Sindarin, mas sua própria fala não foi esquecida, pois dela veio a língua comum de Númenor. A Primeira Era terminou com a Guerra da Ira, os Valar finalmente haviam destronado Morgoth e o banido do mundo para sempre, mas em meio aos terríveis tumultos o reino de Beleriand foi totalmente destruído tragado pelo mar. porém os homens receberam uma grande recompensa por terem lutado junto com os elfos [ ...a propósito, como alguém conseguiu sobreviver a destruição de Beleriand pelo mar? O Professor nunca se aborreceu em explicar isto. Morgoth não suspeitariam de algo se os inimigos dele começassem a evacuar um continente inteiro? Bem, não importa... ] os Valar elevaram uma grande ilha entre a Terra Média e o continente de Aman, e para lá partiram os Edain, foram liderados por Elros, filho de Eärendil e irmão de Elrond o meio-elfo. Nesta ilha os homens fundaram o reino Númenor. Este reino foi o mais poderoso reino dos homens em toda as Eras de Arda.

No mapa de Númenor que aparece no Silmarillion [pág. 164] os nomes estão em Quenya, mas mesmo assim é relatado que o Quenya não era falado em Númenor. Todas as cidades tinham "oficiais" que falavam e escreviam em alto-élfico, esse era o idioma dos documentos de estado e dos nomes dos reis… mas a fala diária era o Sindarin ou o Adûnaic que tinham muitas palavras de mesmo significado. Muitos dos nobres Númenoreans usavam esse idioma como fala cotidiana. Mas o vernáculo falado pelas pessoas comuns sempre foi o Adûnaic, um idioma derivado da língua dos elfos e dos anões.

Em Númenor o idioma Adûnac sofreu certas mudanças durante os três mil anos que esse reino durou. Alguns som desapareceram e outros durgiram, de forma que algumas consoantes se perderam com o tempo. Por outro lado novas vogais apareceram; originalmente o Adûnaic só possuía as vogais "I" e "U" mas depois foram acrescentados o "AI" e o "AU" e depois o "ê" longo, e o "ô" longo. Aparte estas mudanças, o idioma mudou mantendo certa similaridade com os idiomas élficos. Por exemplo, a palavra Quenya "lomë" que significa "noite" foi adaptada no Adûnaic como "lômi" e de forma curiosa a palavra manteve sua conotação em Valarin: Um lômi é uma noite justa abaixo das estrelas, e a escuridão não é percebida como algo mau ou escuro. Outras palavra élficas adaptadas foram Amân / Avradî e Melkor / Mulkhêr.

Porém, algumas palavras que podem parecer "emprestadas" do Quenya na verdade não foram. É o caso de "menel" que significa "céu" em Quenya, em Adûnaic "céu" fica como "minal". É errada imaginal que toda a cultura lingüística dos Númenoreanos foi tomada dos elfos, anões ou Valar. Eles foram um povo rico em cultura e ciência se comparando mesmo aos altos elfos nos duas dias de glória.

Muitos outros exemplos podem ser citados, eles de certa forma dão peso as palavras de Faramir em LotR, ele disse a Frodo que toda a fala dos homens descende da fala dos elfos. No caso do Adûnaic no entanto temos que levar em conta a forte influência do Khuzdul, e até mesmo uma fraca influência do Valarin. Mas apesar de sua quantia considerável de palavras élficas [quenya, sindarin] o Adûnaic é considerado um idioma próprio e separado. Apesar disso acredita-se que o Adûnaic não era tão estimado quando os idiomas élficos. A prova disso é que os nomes dos reis e os documentos oficiais de Númenor eram todos escritos em Quenya, considerada pela realeza como "a mais nobre das línguas". O sexto Rei de númenor, Aldarion, dizia preferir o Adûnaic ao Eldarin, e de fato seu nome foi registrado no idioma de Númenor e não em Quenya. O fato de apenas ele e não seus súditos manifestarem essa preferência indica que não era uma opinião normal [na sua época].

Dois mil anos depois durante o reinado de Piche-Ciryatan e o seu sucessor Piche-Atanamir, os Númenóreans começaram a invejar a imortalidade dos elfos. A amizade existente entre Valinor e Númenor ficou fria, e apesar do Quenya continuar sendo considerado a mais nobre das línguas ele parou de ser ensinado as crianças de Númenor. Os reis continuaram a utilizar o Quenya em seus nomes e documentos, mas apenas porque milênios de tradição o exigiam. O décimo primeiro rei de Númenor ficou conhecido por adotar dois nomes: Piche-Calmail em alto élfico, e Belzagar em Adûnaic. Essa mudança de tradição durou até o coroamento do vigésimo rei, que passou a usar apenas o nome em Adûnaic de Ar-Adûnakhôr, que significa "o deus do oeste". Os dois próximos sucessores de Ar-Adûnakhôr seguiram seu exemplo e usaram apenas nomes em Adûnaic. porém o vigésimo quarto rei de Númenor quis restabelecer a amizade entre homens, elfos e os Valar. Ele usou o nome de Palantir, em Quenya Hipermetrope… ele foi o último a rejeitar o Adûnaic e morreu sem filhos. Míriel, sua filha, deveria ter se tornado rainha mas seu primo Pharazôn a tomou como esposa sem o seu consentimento e se tornou Rei. Pharazôn odiava o Quenya e os poderes do oeste, e como Míriel era um nome Quenya ele rebatizou sua esposa [novamente sem o seu consentimento] como Zimraphel.

Ar-Pharazôn desafiou Sauron levando uma grande armada a Terra Média, e para espanto do mundo o levou prisioneiro para Númenor. Pela astúcia ele corrompeu ainda mais os pensamento do Rei e dos nobres, de forma a eles odiarem os Valar, invejarem a imortalidade dos elfos, e temerem a morte ao invés de a verem como um presente de Ilúvatar.
Sauron convenceu Ar-Pharazôn a invadir Aman e fazer a guerra contra os poderes de Arda, ele pretendia destruir seus adversários Númeroneanos e acabar de uma vez por todas coma a amizade existente entre os mortais e os imortais.

Os Valar chamaram por Ilúvatar, e ele fez afundar em um grande cataclismo a ilha de Númenor deixando apenas uns poucos sobreviventes fugirem. Esse foi o fim do Adûnaic clássico, pois essa língua não foi bem recebida na Terra Média sendo considerada um idioma de reis rebeldes que tinham tentado suprimir as línguas élficas e tomar o lugar dos Valar. Pouco a pouco o Adûnaic se modificou e espalhou entre os homens da Terra Média, e séculos depois se tornou a "língua comum" conhecida da maioria dos povos mortais.

Não se sabe se alguns Númeroneanos Negros sobreviventes da queda de Númenor tentaram impor o uso do Adûnaic entre os povos da Terra Média, mas os Haradrim tentaram preservar a forma mais pura do Adûnaic, pelo menos como língua nobre de uso exclusivo entre eles próprios.

História Externa

Tolkien inventou o Adûnaic logo após a Segunda Guerra Mundial, ele pretendia criar um idioma com inclinações ou estilo "semítico". Esse novo idioma cresceu fora dos seus trabalhos, principalmente nos documentos de um clube literário criado por Tolkien e alguns de seus amigos. Um dos sócios deste clube fictício [inspirado pelos Inklings] supostamente "leu" Adûnaic em sonhos visionários de um passado distante. Ele escreveu um conto sobre isso no "Relatório Lowdham" publicado postumamente por Christopher Tolkien. O fato de Tolkien nunca ter terminado o "Relatório Lowdham" e ter parado justamente ao chegar aos verbos [e não ter feito nenhum trabalho adicional em Adûnaic] pode ser encarado como uma benção disfarçada. Como Christopher Tolkien declarou: "… se ele tivesse voltado ao desenvolvimento do Adûnaic, o Relatório Lowdham teria sido praticamente refeito desde suas estruturas básicas, e o Adûnaic como conhecemos hoje não seria nem de longe semelhante ao resultado final …" No caso do Adûnaic, mesmo estando incompleto uma grande instabilidade foi alcançada, e ele chega mesmo a ser contado entre os "grandes" idiomas de Arda

Porém, quando Tolkien esteveu os apêndices de LotR ele esteve a ponto de rejeitar todo o idioma especial de Númenor, mesmo apesar de todo o seu trabalho no Adûnaic iniciado uma década mais cedo. Ele brincou com a idéia de que os Edain tinham abandonado sua língua e tinham adotado em seu lugar o "Élfico-Noldorin". A idéia dos Númenoreanos falando em idiomas élficos é antiga, Tolkien quase utilizou a idéia de Sauron trazendo para Númenor o idioma Adûnaic que havia sido esquecido pelos Homens, que acabavam por adota-lo em detrimento do Quenya. Essa idéia [e várias outras] passaram muitas vezes por sua mente, e o resultado final foi que o Edain nunca foi totalmente esquecido ou usado pelos Númenoreanos.