Não gostou do Faramir do mal ? Culpe o Syd Field.
Não gostou dos Ents tapados ? Culpe o Syd Field.
Não gostou dos elfos em Helm ? Culpe o Syd Field.
Tá bom tá bom…a culpa não é do cara, é do barbudo do PJ.
Tá bom, não é do PJ, é do cinema comercial americano.
Tá.Então a culpa é dos grandes investidores de Hollywood, dos capitalistas selvagens,do outro Barbudo (o presidente), da alta do dólar, do Felipão, do Gianechinne,do Gerald Thomas…
Será?
Bom, vamos ao filme. Essa resenha trata de "As Duas Torres" como obra cinematográfica e não dos faniquitos puristas que o filme vem provocando. Eu vou falar aqui como um cara interessado em cinema,pernosticamente metido a crítico, mas que tem a seu favor um conhecimento da obra original de certa forma privilegiado.Eu não sou o critico de cinema, mas dado a minha afinidade pela sétima arte, vou ousar interpretar esse papel.E nesse papel eu tenho uma vantagem em relação aos críticos convencionais.Ou seja, sou um de vocês.Não sou nenhum Mormegil ou Deriel, mas li os livros, ousei me meter com alguns letters, e já troquei idéia com alguns papas sobre a obra de Tolkien aqui no Brasil.Então vamos ao que interessa.
"O Senhor dos Anéis" o filme.
Aí entra em cena nosso amigo Syd Field: Confrontação, pontos de virada, clímax…tudo isso tem que estar presente na apresentação do roteiro para o homem que vai assinar o cheque e liberar a grana para a produção do filme. Então, cada alteração feita na obra, não é gratuita.A intenção é; alem de compatibilizar a estória com a linguagem cinematográfica, também viabilizar o filme comercialmente, adequando ao gosto do publico através das formulas desenvolvidas pelos Syd Fields de Hollywood.
Mas e aí? Quer dizer que temos que aceitar todas as alterações sem choro. Bom, também não é assim.O que devemos é analisar as alterações sobre o ponto de vista da contribuição feita em favor da linguagem cinematográfica.E para nos certificarmos que essa alteração funciona temos que pensar no filme como filme e não como livro.Por que essa mudança? Será que feriu demais o sentido da obra? Não havia outra solução ? Será que alguns pontos da obra esquecidos no filme não poderiam ser utilizados em favor da linguagem cinematográfica. Mas e a adaptação e a fidelidade a obra original? Na verdade para se adaptar qualquer livro para o cinema a única imposição é pagar pelos direitos autorais. Não, ninguém é obrigado a ser fiel a nada.Existem propostas de adaptação que se apoiam no antagonismo da obra original para dizer exatamente o contrario (ou o mesmo).Porem essa não é a proposta de PJ que se assume como um respeitos fã de Tolkien.No entanto ele sempre afirmou estar nos apresentando a sua interpretação de Tolkien, o que os dispensa dos "Letters" e de tentar dissecar o pensamento de Tolkien. De qualquer forma ele se propõe a nos mostrar o que ele entendeu da obra e não a reescrevê-la alegando que falto "isso" ou "aquilo" na obra original. Resumindo,a proposta do barbudo ( o diretor ,não o presidente), é colocar no filme a sua visão sobre a obra de Tolkien, não a visão do próprio Tolkien.Assim ele se compromete a respeitar o que entendeu da obra e não acrescentar o que não concorda. Então vamos tentar entender essas alterações.
Éomer é banido de Rohan.
Baixou um santo em Théoden e Gandalf expulsou o capeta.
Polteirgeists nos Pântanos Mortos.
Vazando de Edoras e …é o lobo…é o lobo.
elhores alterações do filme.Além de servir para mais uma piada referência para os fãs (as anãs barbadas), serve para desenvolver a motivação do triangulo Aragorn/Arwen/Éowyn. PJ bota mais pimenta nessa relação arrumando um motivo para mostrar Aragorn como um homem "descomprometido".Fica claro que ele fez a opção de liberar Arwen do mundo mortal dos homens, fica a dúvida na relação (para a platéia que não leu o livro), e fica uma suposta separação.Isso abre caminho para o interesse de Éowyn e intensifica a dúvida sobre o destino desse romance (embora nós, leitores de Tolkien saibamos como isso acabará).Alem do mais acena com uma chance para Éowyn, e cria o suspense sobre essa relação.Essa é mais uma das adequações ao publico do cinema comercial (formula de novo).Mas o que mais me agrada é a forma como PJ trabalha o envolvimento da platéia quando aponta a câmera para as aflições e angustias do povo de Rohan.A cena do ataque dos Wargs (é o lobo…é o lobo…) além de ser heróica e de dar arrepios, é conduzida de forma inédita em filmes de fantasia. O desespero do povo e a preparação das tropas é mostrada através de uma câmera na mão,nervosa e de forma quase documental (lembrem de "Soldado Ryan).O filme quase deixa de ser fantasia para existir de fato.A cena é tão forte que torna a trilha dispensável.Então, nesse ponto a montagem alimenta o suspense cortando para a aproximação dos Wargs ,e mostra um Legolas impassível, como a câmera que agora desenvolve movimentos elegantes e suaves.Isso sim é cinema dos bons.Senti algumas farpas ao Legolas voador juntando-se a Gimli em seu cavalo.Mas nada diferente das mesmas reclamações que ouvi no cinema 20 anos atrás, quando Indiana Jones passou por debaixo de um caminhão em movimento e que hoje é uma cena clássica.
Sonhando com Arwen, acordando com Brego.
Os Ents são umas toupeiras.
Ué? Que que os elfos tão fazendo aí?
cando essa e outras alterações.Ele alega que a inclusão dos elfos em Helm é para criar um empatia com Arwen (e o romance com Aragorn).Ainda assim acredito que PJ tá superestimando a necessidade dessa empatia.
Porrada!!!
O Personagem-Que-Era-Pra-Ser-Faramir (essa frase eu peguei emprestada do Deriel).
A cavalgada de Théoden…o videogame acabou.
"O poder e uma realeza tão grandes revelaram-se em Aragorn (…) que muitos bárbaros pararam,e olharam por sobre os ombros para trás(…)outros olharam para o céu cheios de dúvidas. Então ,repentino e terrível(…) ecoou o som da grande trombeta de Helm.E todos que escutaram aquele som tremeram.Muitos orcs se jogaram ao chão cobrindo os ouvidos com as garras." Isso fez falta no filme.Isso nos faz entender a cavalgada de Théoden e por que ele conseguiu irromper as fileiras inimigas.Faltou o desafio.Faltou o pânico nos rostos dos inimigos, o close dos orcs apavorados,quando soou a trombeta (alias uma desnecessária atribuição dessa tarefa a Gimli, com o provável intuito de equilibrar as ótimas piadas sobre sua estatura preservando sua dignidade).Faltou isso tudo pra justificar o sucesso da cavalgada de Théoden. E onde tem espaço pra isso no filme?Diminuindo as cenas de batalha, diminuindo as cenas do romance Aragorn/Arwen, diminuindo até mesmo a deliciosa sequência do coelho cozido ou a aparição de Scadufax, claras reverências a nós fãs mas que não são tão fundamentais ao filme quanto o desafio de Aragorn.Afinal, é ali o grande clímax dessa estória.A virada da maré que Gandalf cita no livro e no filme…(tá, ou quase isso)
Seu Sam ? Esse cara é bicha…
o cinematográfico.Alias, nem a esse papel eu to me prestando.Isso tá mais pra uma tese de mestrado que uma critica de um filme.Título: "As Duas Torres de PJ.Uma análise descritiva do roteiro." Pois bem, me queimem na fogueira mas escutem o que digo.Aqui reside o maior erro de Peter Jackson da Silva Barbosa Lima Soares Fonseca Sauro. E eu não estou falando do "seu Sam".Eu andei fuçando uma lista americana e outra inglesa sobre o filme e soube que lá ninguém riu nessa parte.Então por que no Brasil isso aconteceu?Por que aqui o Sam ficou parecendo um boiola?Pois os ingleses e americanos enxergaram em "o seu Sam" nada mais do que "seu leal servo e amigo Sam".Por questões culturais (que não nos desmerecem mais que os gringos), nós interpretamos "uma relação de afeto carnal".Ou seja, pra gente "seu Sam" quer dizer "o tesão enrustido de Sam".É complicado entender isso já que a maioria não pensou o mesmo quando leu a mesma frase (seu Sam) no livro.Mas no fundo a culpa disso não é do PJ pois é mais uma questão de tradução ou de herança cultural. Mas onde está a chance pra chutar o barbudo na barriga ? Quer saber? Não sei quanto a vocês mas pra mim PJ me chamou de idiota.Ele duvidou da minha capacidade de entender aquilo que está tão claro na obra de Tolkien. O discurso final de Sam, começa citando o livro.Tá tudo bem até que o barbudo (não o presidente,o outro) resolve contribuir com sua fantástica eloquência (valeu Mormegil). Pois no livro, Sam diz mais o menos isso: "Acho que eles (os personagens das grandes histórias) , como nós tiveram um monte de oportunidade de dar as costas e não o fizeram.E se tivessem feito não saberíamos pois eles seriam esquecidos".
Pois isso não basta ?Isso não revela mais do que suficiente sobre o autruísmo dos personagens. A escolha de continuar em frente não está sendo feita apesar de ser a mais difícil? Mas PJ emenda um final de discurso sobre "bem no mundo e que vale a pena lutar por ele". Pera lá…Isso é necessário?Será que o discurso original não torna isso implícito? Mas o barbudo (o deles, não o nosso) acredita que a gente não pode entender isso, e então mastiga tudo bem bonitinho pra gente.Ele torna o filme descritivo em excesso, subestimando a capacidade de entendimento da platéia. Por que? Isso é formula.É a tal necessidade de garantir que todo mundo entenda tudinho ,tim tim por tim tim. Como se isso não bastasse ainda tem outro problema.Sean Austin não é Ian McKellen, pra segurar um "monólogo" daqueles, e as imagens se tornam um resumo do clímax das três narrativas que tem obrigatoriamente que culminar no mesmo ponto.Copolla fez isso em "O Poderoso Chefão", mas foi mais feliz e mais autônomo. Pois em "As duas torres" , exatamente onde o lírico clama por uma metáfora visual que liberte a platéia, PJ é acadêmico e comercial, pois opta por simplificar e limitar a capacidade imaginativa do expectador. Onde Tolkien é forte,ou seja no subtexto,no pequeno detalhe e no minimalismo, PJ é obvio demais. É como pegar uma peça de Tcheckov, que construía seus personagens mais pelo que escondia do que revelava, e desenvolver uma narração em off contando exatamente o que cada personagem sentia. Onde estão os planos gerais como metáfora da confrontação entre a pequenez dos personagens e a grandiosidade do cenário no qual estes mesmos personagens parecessem diminutos em suas jornadas? Pois eu respondo…Naufragaram na necessidade de seguir uma formula. Funciona?Sim.Mas Kelly Key também funciona. Então, baba baby, baba.
The end.
Claro que a gente deve olhar para as opções do barbudo (o largado, não o do Armani) e tentar entender as razões e pressões escusas que este sofreu.Talvez PJ tenha sido forçado a seguir a "formula" , desde o inicio ,quando apresentou o roteiro original para os três filmes. Quanta expectativa não criei ao saber do sucesso de bilheteria do primeiro filme, o que teoricamente daria a PJ mais liberdade para "As Duas Torres". Hoje deposito minhas esperanças na hipótese do barbudo (o de lá, não o de cá) ter escolhido o segundo filme como destino para a maioria das limitações criativas impostas por Hollywood. É complicado analisar um filme que só se completa com as três partes e as 9 horas de duração previstas. Porem fica a sensação de que "As Duas Torres", como um filme independente dos outros dois, seguiu muito mais no seguro caminho das formulas comerciais do que seu antecessor.Fica a sensação de que se ousou menos do que merecia o filme.Ainda mais em um filme que tem como idéia central, resistir a tentação da escolha mais fácil, e seguir o caminho correto. Principalmente por que a escolha mais fácil seria dar as costas, voltar pra casa e ser esquecido.
Sim,sim,sim…apêndice.De quem é a culpa afinal? Pois se você. continua a favor do filme, continua a favor das modificações, pois elegeu PJ como seu representante na realização do filme. Era ele, ou ele…Não tinha muita opção.E ele ganhou.Foi dele a idéia de filmar a obra, o que pôs si só já é uma ousadia.Pois é…eu fiquei alguns meses esperando pelo filme. Então entrei o clima, assumi o filme e elegi o PJ. Era isso ou nada.Eu escolhi o isso, e não o nada. Então eu esqueço o dólar , esqueço o Gianechinni, esqueço os capitalistas de Hollywoo
d e o Syd Field. Pois é…Também esqueço o PJ e assumo a culpa.Num fui eu que pedi o filme? Então esse sapo barbudo (o deles não o nosso) eu vou ter que engolir. Alguém mais tá servido ?
[Duque DécioZico95 Calça J. Quadradix]














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