As Duas Torres (com spoilers!)

"Meu Deus! O filme não tem começo e nem fim!" Com certeza essa será a frase mais ouvida nos cinemas neste verão. O que não deixa de ser verdade já que “O Senhor dos Anéis As Duas Torres” não tem nem sequer um pequeno prólogo lembrando dos acontecimentos do primeiro filme, portanto antes de ir ao cinema vale uma passada na locadora para relembrar a história mostrada em “A Sociedade do Anel”, para quem já não ta cansado de saber. A trilogia com certeza já é um sucesso, o primeiro filme, lançado em janeiro de 2002 no Brasil, arrecadou US$ 860 milhões em todo mundo e recebeu 13 indicações para o Oscar das quais venceu quatro, entre elas, Melhor Efeito Visual.
 

O novo filme tem o mesmo ritmo do primeiro, alternando seqüências de ação com cenas mais calmas, mas mantendo sempre o perfeito equilíbrio entre a história e os efeitos especiais, que nesse filme estão mais presentes. O diretor Peter Jackson teve o cuidado de construir a maior parte possível dos cenários, seja em tamanho real como a cidade de Edoras que foi construída em uma montanha perdida no meio da Nova Zelândia, ou a fortaleza do Abismo de Helm feita em miniatura, dando assim um ar mais realista ao filme.

Novos atores juntam-se ao elenco original, que está praticamente todo presente, como Miranda Otto no papel da corajosa Éowyn sobrinha do Rei de Rohan, Bernard Hill como o Rei de Rohan Théoden, Brad Dourif no papel de Gríma Língua de Cobra conselheiro do rei e servo de Saruman, David Wenham interpreta Faramir, irmão de Boromir, de Gondor e Karl Urban no papel de Éomer, sobrinho do Rei. Todos estão muito bem nos seus papeis, mas Éowyn merece um destaque especial, assim como Gríma.

Andy Serkis merece um destaque na pele do miserável Gollum/ Sméagol um antigo hobbit consumido e obcecado pelo Um Anel. Já foi divulgado que a New Line está apostando alto no personagem e teria inscrito Serkis para disputar uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, o que seria algo inédito já que Gollum é um personagem digital feito em cima da atuação de Serkis. Mas o estúdio está certo, Gollum atingiu um nível de perfeição inédito no cinema. Os animadores da WETA Digital conseguiram criar um personagem extremamente real, expressivo e que chega a causar pena pela sua aparência miserável e corrompida. Gollum é perfeito quando começa a ter crises de identidade, ou persegue peixes nos lagos. O engraçado é que o personagem, que devia ser alvo de pena, já que é um ser atormentado, chega a dividir a parte cômica com Gimli.

Outro destaque dos efeitos digitais são os Ents, eles são perfeitos, lentos e aterradores. A fúria de Barbárvore ao invocar a marcha dos Ents é assustadora. Pena que não mostraram nada referente a bebida dos Ents e nem as entesposas. As imagens do personagem foram totalmente geradas por computação gráfica e a voz é do ator John Rhys-Davies, o mesmo que interpreta o anão Gimli. É lindo ver a marcha dos Ents ou presenciar, por mais rápido que seja, o Entebate.
A destruição de Isengard é mostrada inteira praticamente, os Ents arremessando as pedras, pisando nos Orcs e inundando o circulo de Orthanc e enquanto isso Saruman com cara de “não acredito” olhando de cima da torre. Só achei que podia ter tido mais cenas com Barbárvore e os hobbits, e que os Ents estavam “rápidos” demais.

O ponto alto do filme é a batalha do Abismo de Helm, um combate entre os exércitos de Rohan junto com um grupo de Elfos, liderados por Haldir de Lorien, contra 10 mil Orcs Uruk-hai enviados por Saruman para destruir o mundo dos Homens. Nela a equipe da WETA pode mostrar todo o potencial do software Massive, capaz de criar batalhas grandiosas e realistas, onde mais de dez mil personagens se movem e lutam por contra própria. Uma amostra dessa tecnologia foi mostrada no começo do primeiro filme, durante a batalha da Última Aliança. É simplesmente magnífico ver aquela multidão de Orcs avançando contra as muralhas. A desculpa de que Elrond e Galadriel resolvem reviver a antiga aliança entre elfos e homens mandando um grupo de arqueiros para a fortaleza de Helm, vai contra tudo o que Tolkien dizia nos livros, que os elfos eram poucos e estavam se retirando da Terra-Média, mas mesmo assim, o exercito de elfos torna mais credível que um grupo tão pequeno de homens derrote um exército tão monstruoso.

O que fica devendo é Faramir. A primeira cena onde ele encontra Frodo e Sam quando atacam os orientais a caminho de Mordor é muito bem feita. Os Olifantes são um show. Mas a parte boa fica ai. Tudo que não queríamos que acontecesse aconteceu, Faramir não resiste ao anel e leva Frodo, Sam e Gollum, que foi capturado no lago proibido, para Osgiliath, sim a cidade ainda não foi atacada! É só lá, quando Frodo quase entrega o anel a um Nazgul alado que Faramir decide deixa-lo partir com Gollum.

As cenas que mostram Valfenda e a partida dos elfos é bem bonita, triste, mas com uma quantidade desnecessária de “Arwen Pensativa”. Eu achei legal, eles terem ampliado o papel dela na SDA mas nesse filme não precisava. Não posso acabar sem falar de Scadufax!!! Sim o cavalo é mais um personagem que não será esquecido tão facilmente.

Realmente é um filme mais sombrio e violento que o primeiro, já que a guerra realmente começou. Os cenários, as paisagens são de tirar o fôlego, as batalhas, graças à computação gráfica, são as mais realistas possíveis. O que incomoda um pouco é a quantidade de alterações em relação à história original escrita por J.R.R. Tolkien feita neste segundo capítulo da saga. Jackson já havia avisado que este filme foi o que ele teve mais liberdade de realizar alterações, mas ele realmente exagerou um pouco, apagando seqüências inteiras do livro e acrescentando outras totalmente novas. Mas mesmo assim o filme é excelente e vai satisfazer muitos fãs inteligentes de Tolkien. Agora só falta mais um…