O Senhor dos Anéis e Saturno-Plutão

Da mesma forma que formigas inconscientes aglomeram-se em torno de um
banco de areia com comida abundante, nós nos entupimos em cinemas que
mostrem filmes que melhor expressem e racionalizem as características
de um determinado período da história, com temas arquétipos. Nosso
tempo atual exemplifica esta ação. O Senhor dos Anéis, com sua
demanda heróica; sua intensamente dramática batalha épica entre a luz e
a escuridão; sua exploração do uso correto do poder e a atração que ele
exerce; e a seriedade contagiante da narração; tudo isso amplifica a
configuração arquétipa atualmente ativa no globo, e espelhada na
oposição de Saturno e Plutão. Nós enchemos os cinemas que mostram O Senhor dos Anéis
não apenas porque é o produto de grande realização cinematográfica, não
apenas devido à tremenda popularidade do livro, e não apenas porque o
filme “por coincidência� faz paralelos com o tema “bem contra o mal�
que acontece por todo o planeta. Mas, no nível mais arraigado, somos
atraídos para o filme devido à profunda incorporação de um matrix
arquétipo que está correntemente ativo na psique coletiva.
 
 
 
Este breve ensaio é um exame dos padrões e motivos
da combinação arquétipa de Saturno-Plutão, vista através dos temas e
experiências de ao se assistir O Senhor dos Anéis. Quando uma trilogia de filmes como O Senhor dos Anéis
incorpora tão perfeitamente uma combinação arquétipa como
Saturno-Plutão, normalmente é uma indicação de que a história, criação
e figuras cruciais que cercam o trabalho também estão dotados da marca
de Saturno-Plutão, em significante relação angular. O Senhor dos Anéis
não é exceção. Com o filme na calota de um carro, podemos observar uma
série de raios periféricos que conectam os criadores de filmes,
períodos cruciais na história, aficionados por Tolkien e seus
predecessores, tudo através dos temas arquétipos de Saturno-Plutão e
alinhamentos planetários. A partir daí, o ensaio explorará
períodos-chave na Evolução de O Senhor dos Anéis e personagens principais na saga e lenda de DAS: Ralph Bakshi, Robert Plant, Peter Jackson e Richard Wagner.

O Senhor dos Anéis e o filme Saturno-Plutão

Sombrios, pesados, sérios e épicos por objetivo, os filmes que melhor
exemplificam o matrix arquétipo de Saturno-Plutão são geralmente os
grandes e memoráveis dramas que falam dos conflitos supremos da
condição humana. Filmes Saturno-Plutão, que exploram temas coletivos,
são geralmente poderosos e fascinantes, tratam de tópicos intensos e
maduros, investigam – ou melhor, desenterram e revelam – os grandes
conflitos e tragédias eternos: guerra, intriga política e escândalo, a
corrupção e abuso de poder, tempos de crises, e lutas titânicas contra
o destino iminente ou ameaças à sobrevivência.

Numa escala
pessoal, os filmes Saturno-Plutão penetram no coração da sombra humana.
Os protagonistas destes filmes geralmente suportam os fardos da culpa,
autojulgamento, dúvida sobre si mesmo, e tormento interno. Estes são,
em geral, filmes confessionais, nos quais os personagens principais
admitem vergonha, humilhação, e expõem brutalmente sua auto-avaliação.
Na ponta oposta dessa gama, filmes Saturno-Plutão muitas vezes ilustram
como as circunstâncias externas geralmente forçam, moldam e forjam uma
pessoa para corresponder a seu grande potencial diante de
probabilidades quase que insuperáveis. Saturno-Plutão como um complexo
arquétipo é um complexo que compõe almas, levando seu herói em
potencial através de uma longa jornada, a via longíssima, na qual
disciplina, força, resistência e caráter moral são moldados prova a
prova.

Estes filmes são persuasivos. Eles servem para nos
inspirar a atingir nossa própria grandeza. Podemos deixar o cinema com
sentimentos múltiplos e algo paradoxais. Por um lado, podemos ficar
inspirados para enfrentar nossos medos com honestidade, e nos
sentiremos absolutamente persuadidos a melhorar nossa situação na vida
com espírito renovado. No entanto, uma vez que esses filmes falam
diretamente a nosso superego, talvez também sintamos o aumento em nossa
auto-crítica e vergonha, uma vez que não correspondemos à verdadeira
grandeza que acabamos de testemunhar na tela.

Filmes criados a lançados durante as oposições e conjunções Saturno-plutão do século XX incluem: Birth of a Nation (1915; conjunção Saturno-Plutão) All Quiet on the Western Front e M (1930 e 1932 respectivamente; oposição Saturno-Plutão); Hamlet (1948; conjunção Saturno-Plutão); A Man For All Seasons (1965; oposição Saturno-Plutão) e Das Boot, Reds, Gandhi e o filme para televisão The Day After (todos os filmes criados e lançados sob a conjunção Saturno-Plutão de 1981-1983).

A trilogia O Senhor dos Anéis,
produzida e lançada sob a corrente oposição Saturno-Plutão de
2001-2002, é o mais recente grupo de filmes a carregar a tocha desta
profunda e significante combinação arquétipa. Embora moldado na
fantasia, O Senhor dos Anéis não é leitura leve, mas sim um
épico profundo e de peso que fala de um tema fundamental da humanidade:
força, resistência e perseverança diante do mal, tentação e trabalho
duro quase que insuperáveis. Além disso – razão que torna o filme um
exemplo primordial do fenômeno Saturno-Plutão – trata-se de maravilhosa
exploração da assumida e fundamental batalha da “luz versus escuridão�
e “bem versus mal� desse mundo.

Conforme muitos comentaristas já disseram, o objetivo de Tolkien ao escrever O Senhor dos Anéis
não era alegórico e referente a sua própria crença cristã mas, no
entanto, ele acabou usando a obra como veículo de mito e história para
repassar verdades perenes e transcendentais. Uma dessas verdades
transcendentais nas quais Tolkien acreditava era a realidade metafísica
de que o mundo polariza a si mesmo em luz e sombra, a fim de realizar
sua própria redenção e renascimento, que é o que Tolkien chamava de
“eucatástrofe� – um feliz e inesperado resultado originado por testes
de fé e luta. O Senhor dos Anéis possui pouca ou nenhuma
ambigüidade em sua relação com o bem e com o mal: Orcs, Saruman e os
Espectros do Anel são maus até a alma, enquanto que Frodo, Gandalf e os
elfos de Valfenda são virtuosos, bem-intencionados, confiáveis e
desafiam a tentação.

Durante os períodos em que Saturno e
Plutão relacionam-se em significantes relacionamentos angulares, parece
que a situação global realiza suas maiores polarizações, com cada
facção declarando que a outra é má e corrupta, e cada lado afirmando
ser dono da verdade, moralidade e retidão. Exatamente como no mundo dos
Anéis, há pouca ambigüidade entre “bem� e “mal� durante as
configurações Saturno-Plutão. Durante a oposição Saturno-Plutão de
1914-1916, a Europa dividiu-se entre a batalha “do Huno� e dos
“Bárbaros� da Alemanha, enquanto que tropas da Fatherland lutavam
contra as forças aliadas. Sob o quadrilátero Saturno-Plutão de
1939-1941, a solução final foi pensada quando a “Raça Superior�
tencionava aniquilar todo um povo. Enquanto a Guerra Fria atingia seu
ápice durante a conjunção Saturno-Plutão de 1981-1984, “O Império do
Mal�, que era a União Soviética, ameaçava a solidariedade e liberdade
do mundo ocidental. E em nosso tempo recente, sob uma oposição de
Saturno-Plutão, o mundo mais uma vez divide-se em “bem e mal�, já que
cada lado dos múltiplos conflitos globais se vê como o portador de tudo
que é bom e verdadeiro, e considerando a força oposta como a agregação
de todo o mal.

Mais do que apenas uma brilhante exposição
dos temas da configuração Saturno-Plutão, a qualidade visual, sensorial
e experimental de O Senhor dos Anéis é altamente indicativa do
teor arquétipo de Saturno e Plutão em combinação. Há, em Saturno e
Plutão, tanto uma qualidade experimental sombria, pesada e “robusta�
quanto um profundo e penetrante senso infernal para a combinação. Esta
é a combinação arquétipa de fogo e enxofre; monstros grotescos,
máquinas que matam, e exterminadores; “heavy metal�; autoridade
puritana; aço e concreto; tijolos e argamassa, masmorras e armaduras,
fortalezas impenetráveis, trabalho escravo e em más condições;
confrontos do tipo “faça ou morra�, Battle Royale a la Armaggedon. Com
Saturno e Plutão, erotismo, sedução poder evolucionário e força da vida
(Plutão) colidem com Chumbo, escuridão, densidade e gravidade
(Saturno); esta é, de fato, a mais pesada combinação experimental na
astrologia; e este tipo de imagem permeia todo O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel:
os moinhos satânicos de Saruman, o mal misterioso dos Cavaleiros
Negros, o demoníaco Balrog, o poderoso cara-a-cara entre Gandalf e
Saruman, a arquitetura densa e sem cor; substanciais barris de cerveja
, machados de batalha e malha de correntes de aço.

No entanto, talvez a maior expressão de Saturno-Plutão em O Senhor dos Anéis
seja o próprio anel. Forjado nas entranhas da Terra-média, o anel
brilha com um erotismo misterioso, sombrio e gótico, que possui uma
força incrivelmente sedutora, apenas com sua mera presença. Este poder
concentrado, no entanto, promete duas coisas: primeiro, a corrupção, o
vazio e a destruição daqueles que optam por dominar o poder do anel;
segundo, a redenção final e liberdade daqueles que transcendem e
destroem o poder do anel. No anel, nós enxergamos a natureza bipolar,
ou de dupla face, da combinação arquétipa: a capacidade destrutiva que
tudo consome de um certo tipo de poder, e a promessa de força moral,
caráter e heroísmo se a tentação de usar o poder de forma falsa for
evitada.

Correlações Saturno-Plutão e O Senhor dos Anéis

O Senhor dos Anéis
não apenas incorpora os temas da corrente oposição Saturno-Plutão, mas
também tem sua história ligada com os alinhamentos destes dois
planetas. A completude, publicação e súbito aumento da popularidade de O Senhor dos Anéis,
tudo isso ocorreu quando Saturno e Plutão estavam em “aspecto rígido�
(uma conjunção, quadrado ou oposição) um em relação ao outro. Podemos
dizer que a constelação Saturno-Plutão é o campo invisível ou ímã que
agrupam os temas encontrados dentro desta fantasia sombria.

A escrita e revisão épica de O Senhor dos Anéis,
que é apenas superada pela jornada de Frodo em termos de demandas
heróicas, foi completada em 1948, após 16 anos de meticulosa atenção
dada à história por parte de Tolkien (veja gráfico). Todavia, não houve
entusiasmo inicial para aquele que seria depois chamado de “Livro do
Século XX�. Publicações e popularidade só floresceram anos depois de
finalmente completa a trilogia. Depois que os editores da Collins
concordaram em lançar O Senhor dos Anéis, a versão final da trilogia O Senhor dos Anéis
foi publicada em 1955, sob um quadrado de Saturno-Plutão (relação
angular de 90 graus) (ver gráfico). Após um período de hibernação,
levaria dez anos antes que o fenômeno do cult de Tolkien se
incendiasse. A popularidade de Tolkien não veio inteiramente da torre
de marfim dos intelectuais; a nata de seus leitores mais ávidos veio da
juventude da explosão contra-cultural dos anos sessenta. Uma versão de
capa mole da trilogia, não-autorizada, porém acessível, foi lançada em
1965, e naquele mesmo ano, a popularidade do trabalho foi às alturas.
Mais uma vez, Saturno e Plutão estão correlacionados com o lançamento
desse mito, dessa vez na forma de uma oposição (ver gráfico).

Embora esse fato resida nas lembranças dos conhecedores de O Senhor dos Anéis,
muitos fãs casuais que vêem os filmes atuais não se dão conta de que
houve uma tentativa anterior de se criar uma versão do clássico de
Tolkien para a tela. No final dos anos setenta, o talentoso criador de
desenhos animados Ralph Bakshi transformou a fantasia numa admirável
obra de “live action�. O filme dividiu opiniões, e o fato de que Bakshi
não pôde concluir toda a história devido à razões financeiras quase que
automaticamente foi descontado no filme, o que o impediu de ser
classificado como uma obra-prima. No entanto, várias imagens do filme,
particularmente a versão dos Cavaleiros Negros, permanecem marcadas de
forma indelével na imaginação da juventude que viu o filme. Bakshi –
anti-Disney que é – é o rei da animação “underworld�, e tudo que há nos
seus filmes – desde os lugares, temas e estilo – é sombrio e maduro.
Não é de surpreender que ele tenha certa ligação com O Senhor dos Anéis, uma vez que ele nasceu sob um quadrado-t Saturno-Sol-Plutão.

Peter Jackson, os diretor da Nova Zelândia que ficou com a imensa responsabilidade de realizar uma versão em carne-e-osso dos Anéis
para a tela, pode ter parecido uma escolha improvável para fazer
justiça à obra de Tolkien. É certo que sua habilidade para trazer à
baila o lado profano de O Senhor dos Anéis e sua vívida imaginação em seus filmes pessoais, tais como Bad Taste e Meet The Feebles,
refletiu-se em sua indiscutível capacidade de criar seres horríveis de
todas as formas e tamanhos. Todavia, a gravidade do tema principal de O Senhor dos Anéis
e o tamanho do projeto requeriam um diretor saído mais dos moldes de
David Lean ou D.W. Griffith do que John Carpenter ou Tod Browning.
Contudo, Jackson prensou as vozes dos fãs que duvidavam dele após o
lançamento inicial de O Senhor dos Anéis, e recebeu aprovação quase que unânime dos groupies
de Tolkien. Embora não tenha nascido com um aspecto Saturno-Plutão
significante, a progressão* Sol, Marte e Mercúrio em Sagitário formaram
uma estreita conjunção sob a corrente oposição Saturno-Plutão. Uma vez
que um gráfico progressivo é uma reflexão transcendental de suas
condições internas e externas, Jackson não apenas estava num humor
subjetivo congruente com os temas e motivos da trilogia, mas a força e
determinação que os arquétipos Saturno e Plutão podem forjar estão, sem
dúvida, correlacionadas com a energia necessária para conduzir uma das
maiores filmagens da história.

A Conexão Zeppelin

Decifrar as verdadeiras intenções das letras de Led Zepellin
equipara-se com a controvérsia “Paul está morto� dos Beatles e a
sincronização de “Dark Side of The Rainbow� do Pink Floyd como sendo os
mistérios do rock clássico de todos os tempos. Alusões ao trabalho de
Tolkien estão espalhadas ao longo de toda a obra de Led Zeppelin (vide este link).
“Over the Hills and Far Away�, “Misty Mountain Hop�, “Battle of
Evermore� e “Ramble On� são canções que não apenas fazem referências
diretas ao trabalho clássico de Tolkien em suas letras, mas também
poderiam facilmente ser a trilha sonora que acompanha Frodo e a
sociedade em sua longa jornada. O cantor principal do Zeppelin, Robert
Plant, era um fã inatingível de Tolkien, uma vez que este sintetizada o
amor de Plant pela fantasia, natureza, mitos Celtas e Nórdicos, e
mágica em um pacote completo. Robert Plant nasceu durante uma conjunção
Sol, Saturno e Plutão em 1948, ano em que Tolkien finalmente terminou
sua obra-prima da fantasia. Uma vez que a identidade pessoal de Plant,
simbolizada pelo Sol, estava interconectada com o matrix arquétipo de
Saturno e Plutão, é adequado que tenha havido uma certa ressonância e
atração aos temas, personagens e situações das paisagens de Tolkien.

Um Conto de Dois Anéis

Tolkien não gostava das suposições de que ele escrevera O Senhor dos Anéis
como reação direta à II Guerra Mundial, mas ficou ainda mais aborrecido
com as comparações ao Ciclo do Anel de Wagner, e com as afirmações de
que seu mundo de fantasia era uma mera reformulação das quatro famosas
óperas de Wagner. Em uma carta para seu editor, Tolkien escreveu sobre
a comparação: “Ambos os anéis eram redondos, e aí cessa a comparação� .
Antipatia pessoal à parte, as comparações são inevitáveis e têm sido
assunto de vários ensaios acadêmicos e de pesquisa. Embora a motivação
filosófica para estes dois épicos tenha sido diferente sim, os temas,
motivos, sentimentos e experiências destas grandes narrativas de época
são altamente ressonantes. O tema de poder incrível concentrado em um
anel, a apropriação de mitologia nórdica, os desafios morais do
possuidor original do anel, e o alegre e surpreendente final após uma
batalha entre as forças da luz e da sombra estão presentes em ambas as
narrativas.

Igualmente importante, o sentimento e imagens que envolvem o anel de Wagner lembram O Senhor dos Anéis.
A orquestração dessas óperas é pesada, densa, e bombástica em alguns
momentos. Os cantores no palco são cercados pelo som dos pratos,
cornetas e armaduras. As pessoas saem do teatro exauridas, cansadas e
inspiradas, à medida que testemunham a apoteose de um homem em sua
superação de um Godhead teutônico. É quase um fardo como espetáculo.
Curiosamente, Wagner iniciou e completou sua tetralogia operática em um
ciclo completo de Saturno, conceituando o ciclo operático à medida que
Saturno juntava-se com seu Plutão natal em 1948, e realizou a premiére
de sua obra-prima no Festival de Bayreuth em agosto de 1876, enquanto
Saturno retornava para a órbita de sua colocação original (vide este link).

Conclusão

Fantasia e mito não são apenas reflexões corretas de nossas
experiências vividas; mas fantasia e mitos de qualidade podem também
informar nossas realidades. Se de fato Tolkien acertou na mosca com sua
profunda verdade metafísica da “eucatástrofe� – a mudança ou
renascimento inesperados após o enfrentamento de forças antagônicas –
então podemos supor que arte e mito estão nos dizendo algo bastante
significativo a respeito de nossa situação global. O ciclo
Saturno-Plutão, testemunhado em nosso próprio tempo – tempo de batalhas
épicas, privações e caráter sendo moldado – não pode ser visto
isoladamente, mas sim sob a ótica de um contexto maior. Parece que,
nestes tempos de guerra, retração econômica, defesa nacional e
segurança são partes de um processo natural contínuo e que são
necessários para o subseqüente rejuvenescimento, renascimento e
renovação. Embora isso possa ser tão simples quanto dizer que para cada
primavera há primeiro um inverno, parece que, coletivamente, nos
tornamos inconscientes dessa verdade, supondo, de alguma forma, que
nossa situação global já transcendeu e não possui correlação com esses
processos muito naturais e muito verdadeiros.

Isso não é
afirmar que Guerra, conflito e fatos são predeterminados e passam por
conclusões quando Saturno e Plutão realizam relações angulares um com o
outro. Pelo contrário; ao nos tornarmos conscientes da repetição dos
ciclos arquétipos, melhoramos nossa liberdade de escolha e criamos uma
paleta mais ampla para expressar o espírito destes tempos. Em uma
cosmologia astrologicamente informada, pode ser considerado verdade que
o fundamento de ser, arquétipo do inconsciente coletivo, ou anima
mundi- todos estes conceitos relacionados, alusivos à mesma coisa –
podem estar sendo influenciados por certos padrões em certos momentos,
mas há um incrível grau de livre arbítrio em potencial cercando a
expressão desta energia. Não é surpreendente, então, que quanto maior a
consciência coletiva, mais rarefeita é a expressão.O Senhor dos Anéis
– o filme e o livro – são maravilhosos canais por permitir o drama
sombrio, heroísmo épico e o apelo e sedução do profundo poder da
combinação Saturno-Plutão para brilhar através de tudo, porém sem
sucumbir à diluição ou demonização deste poderoso complexo arquétipo.

*Progressões,
ou progressões secundárias, é uma técnica segundo a qual as posições
planetárias para cada dia após o nascimento representam um ano após o
nascimento. Portanto, posições planetárias 45 dias depois de seu
nascimento refletem, em parte, sua experiência psicológica e estado de
coisas aos 45 anos de idade. Falando de forma geral, progressões são
mais sutis e não têm tanto impacto quanto transições; seus padrões são
um pouco menos discerníveis.