Afinal, quem era Ungoliant?

O grande problema é que não existe afirmação alguma que seja categórica, do tipo “Ungoliant, a Maia, se aproximou de Telperion”. Mas o que podemos (e devemos) fazer é tentar raciocinar em cima dos materiais que foram publicados a respeito da “senhora de sua própria luxúria”.

De cara, podemos descartar a possibilidade de que ela fosse uma Vala. Conhecemos todos os Poderes Angélicos, e deles apenas Melkor se corrompeu. E os primeiros companheiros de queda de Melkor foram outras criaturas “angélicas”, da ordem dos Ainur, que se deixaram atrair pelo poder e majestade originais do mais poderoso dos Valar. Sem sombra de dúvida todas essas criaturas eram Maiar. E, embora os Eldar não soubessem com certeza de onde viera Ungoliant, eles acreditavam que “ela descera da escuridão que jaz à volta de Arda, quando Melkor pela primeira vez olhara com inveja para o Reino de Manwë, e que no princípio ela era uma dos que ele corrompeu para seu serviço” (O Silmarillion, “Do Escurecimento de Valinor”).

O que pouca gente sabe, contudo, é que a passagem continuava nos manuscritos de Tolkien, narrando com mais detalhes a conversa de Melkor e Ungoliant quando ambos planejavam a destruição das Árvores. Tal conversa foi finalmente reproduzida no livro “Morgoth´s Ring”, da série “The History of Middle-earth”. Eis um trecho dos mais significativos: “´Vem para fora!´, disse ele [Melkor]. ´Três vezes tola: primeiro por deixar-me, depois por viver aqui em torpor estando ao alcance de riquezas incontáveis, e agora por evitar-me, Provedor de Dádivas, tua única esperança!´”.

A implicação dessas passagens é que Ungoliant era realmente um espírito que Morgoth corrompera antes mesmo que Arda fosse feita, e que posteriormente tentou tornar-se independente de seu comando. Essas evidências me levam a crer, portanto, que a Destruidora das Árvores era realmente uma Maia.