“O trabalho de meu pai teve as vísceras arrancadas” – diz Christopher Tolkien

ChristopherTolkien_Valinor-EntrevistaO filho e herdeiro de J. R. R. Tolkien, e executor oficial de seu espólio e responsável pela publicação de suas obras póstumas, Christopher Tolkien, falou à imprensa pela primeira vez em décadas — para o francês  Le Monde (e também publicado no inglês WorldCrunch) — e lançou luz sobre sua relação com seu pai e partilhou seu profundo descontentamento com as adaptações cinematográficas dos livros do autor, O Senhor dos Anéis e O Hobbit, pelo diretor Peter Jackson, e com a exploração excessivamente comercial do legado de seu pai. A entrevista foi concedida em sua casa, no sul da França, em 09 em julho de 2012, à repórter francesa Raphaëlle Rérolle.

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Parece algo raro, para não dizer excepcional. Em uma época em que a maioria das pessoas vendem suas almas por notoriedade, Christopher Tolkien não fala à imprensa há 40 anos. Nada de entrevistas, nem anúncios, nem conferências – nada.

Foi uma decisão que ele tomou com a morte de seu pai, John Ronald Reuel Tolkien (1892-1973), autor inglês do imensamente famoso O Senhor dos Anéis (três volumes publicados em 1954 e 1955), e de um vasto mundo, com cerca de 150 milhões de livros vendidos e traduzido em 60 idiomas.

Este silêncio de longa data foi simplesmente por capricho? Certamente que não. O filho de J. R. R. Tolkien [hoje com 88 anos, completados em 21 de novembro de 2012] é a pessoa mais calma que se possa imaginar. Um inglês distinto e com bastante sotaque, e que se estabeleceu no sul da França, em 1975, com sua esposa Baillie e seus dois filhos. Será que ele guardava silêncio só porque não dava a mínima? Ainda menos provável. Durante todos esses anos de silêncio, a sua vida tem sido de incessante trabalho, organizando, de forma quase hercúlea, os textos inéditos de seu pai, de quem ele é o executor literário.

Nada disso. A reserva de Christopher Tolkien tem uma explicação muito diferente: a enorme distância, quase um abismo, que foi criada entre os escritos de seu pai e seus descendentes comerciais [filmes, games e etc.]. Trabalhos que ele não reconhece, especialmente desde que o cineasta Peter Jackson fez O Senhor dos Anéis, três filmes de sucesso fenomenal, entre 2001 e 2003. Ao longo dos anos, uma espécie de universo paralelo se formou em torno do trabalho de Tolkien, um mundo de imagens frenéticas e de estatuetas, baseados nos cultuados livros originais, mas muito diferente deles, como uma ilha que se afastou bastante do continente.

 Esta galáxia comercial agora é de vários bilhões de dólares – e a maior parte disso não vai para os herdeiros de Tolkien, e, portanto, dificulta a gestão de sua herança pela família, que é polarizada não sobre as imagens ou objetos, mas pelo respeito às palavras de Tolkien. Através de uma curiosa coincidência, a situação lembra o enredo de O Senhor dos Anéis, onde tudo começa com um problema herdado: Frodo Bolseiro, o herói, recebe de Bilbo o Anel mágico famoso, cuja posse atrai a cobiça em cada lugar, e consequentemente provoca o mal.

Aguardando a estreia mundial de um novo filme de Peter Jackson, desta vez inspirado no O Hobbit (1937), os Tolkien estavam se preparando para lidar com o estresse de uma infinidade de pedidos. “Nós vamos ter que erguer barricadas”, diz a esposa de C. Tolkien, Baillie, com um sorriso.

“Desespero Intelectual”

Apesar disso, porém, Christopher Tolkien aceitou falar com o Le Monde sobre este legado, um patrimônio que tem sido sua vida de trabalho, mas que também se tornou a fonte de certo “desespero intelectual.” Porque, afinal, o legado de J. R. R. Tolkien é tanto a história de uma transmissão literária extraordinária de um pai para um filho, como é a história de um mal-entendido. As mais conhecidas obras, e que têm obscurecido todo o resto, eram apenas um epifenômeno aos olhos de seu autor. Elas são só um cantinho do vasto mundo de Tolkien, cujos direitos ele mesmo vendeu, pelo menos em parte.

Em 1969, o escritor vendeu os direitos para o cinema, juntamente com os direitos de produtos derivados, de O Hobbit e O Senhor dos Anéis, para a United Artists, por 100.000 libras esterlinas, uma soma considerável na época, mas insignificante quanto ao valor atual.

Este dinheiro foi destinado à herança de seus filhos e a pagar os seus impostos, que eram muito altos durante o governo trabalhista no Reino Unido da época. Ele também temia que as mudanças nas leis de direitos autorais americanas fossem prejudicar os direitos de seus filhos. Pois O Senhor dos Anéis tinha se tornado imediatamente um sucesso meteórico, especialmente nos Estados Unidos.

Exceto em Oxford, onde as críticas de seus colegas afetaram muito o escritor, e seu trabalho foi encarado como fuga, o entusiasmo foi geral. “A mania Tolkien era muito parecida com a que se tem hoje com Harry Potter”, observa Vicente Ferré, professor na Universidade de Paris-XIII, que organiza a publicação de um Dicionário Tolkien [em francês] que irá aparecer no outono [europeu]. A partir da década de 1960, O Senhor dos Anéis se tornou um símbolo da contracultura, em particular nos Estados Unidos. “A história de um grupo de pessoas que se rebelam contra a opressão, com um fundo de fantasia, serviu como inspiração para militantes de esquerda, sobretudo, em Berkeley, na Califórnia.

Na época da guerra no Vietnã, slogans como “Gandalf para Presidente” ou “Frodo vive!” começaram a aparecer. E um sinal que mostra que a lenda persiste: durante a segunda guerra do Iraque, adesivos satíricos foram impressos que diziam: “Frodo falhou, Bush tem o Anel”.

Um Retiro na França

Exceto O Hobbit e O Senhor dos Anéis, Tolkien publicou muito pouco durante a sua vida, e certamente nada se iguala ao sucesso de seus dois best-sellers. Quando ele morreu, em 1973, uma parte gigantesca de seu trabalho permanecia inédita.

O Hobbit e O Senhor dos Anéis são realmente episódios que apenas acontecem em uma história que tem milênios. Christopher Tolkien trabalhou para trazer toda esta mitologia, parcialmente fragmentada, à luz e de uma forma muito incomum. Ao invés de contentar-se com os livros já publicados, ele foi trabalhar em algo que se tornou uma verdadeira paixão, como fica evidente quando ele mesmo fala: um trabalho de exumação literária.

Ele recebeu a repórter de forma bondosa e tranquila, em sua própria casa, que fica entre pinheiros e oliveiras. Ela é bem melhor do que uma toca hobbit escondida no chão, e não é um local fácil de encontrar. Por uma estrada longa e poeirenta, você vê uma casa cor de rosa. O lugar está entre flores silvestres e uma bonita relva, sem quaisquer sinais óbvios que indique grandes fortunas. Um ambiente calmo e atemporal reina aqui, exatamente a imagem de seus ocupantes.

O homem que vive aqui é o terceiro dos quatro filhos de J. R. R. Tolkien e, com Priscilla, sua irmã, é único sobrevivente. Christopher é o executor testamentário de seu pai e diretor-geral da Tolkien Estate, a empresa que gerencia e distribui os royalties de direitos autorais para os herdeiros: Priscilla e Christopher, seis netos e os 11 bisnetos de J. R. R. Tolkien.

A empresa é de tamanho modesto, com apenas três funcionários, um dos quais é o filho de Christopher e Baillie, Adam, e é assessorada em Oxford por um escritório de advocacia. A ela também inclui um ramo dedicado à filantropia, a Tolkien Trust, que está ocupada principalmente com projetos educacionais e humanitários.

Mas é a partir de seu retiro francês que Christopher Tolkien tem trabalhado nos livros e respondido as solicitações. O interior é simples e acolhedor, com livros e tapetes, poltronas confortáveis, e fotos da família. Em uma das imagens está J. R. R. Tolkien, seus dois filhos mais velhos, sua mulher e um bebê chamado Christopher nos braços de sua mãe. Desde o início, sem dúvida, foi o público mais receptivo para o trabalho de seu pai, e o que mais se aborreceu, mais tarde, com a sua evolução.

Uma Imaginação Extraordinária

JohnRonaldReuelTolkien_VaLiNoR2013O mal-entendido começou com O Hobbit, no meio dos anos 1930. Até então, Tolkien tinha publicado apenas um ensaio de renome, Beowulf, o grande poema épico povoado de monstros e que foi escrito na Idade Média. Sua ficção, iniciada durante a Primeira Guerra Mundial [1914-1918], permaneceu invisível.

Tolkien era um linguista brilhante, especialista em Inglês Antigo, professor em Oxford e dotado de uma extraordinária imaginação. Sua paixão foi para as línguas, e ele tinha inventado várias delas, e então construiu um mundo para protegê-las. Por “mundo” entenda-se não apenas histórias, mas a história, geografia, costumes, em um universo inteiro, que serviria como um fundo para seus contos.

Em 1937, assim que foi publicado, O Hobbit imediatamente se tornou um sucesso de crítica e público, a ponto de seu editor, então Allen and Unwin, exigir uma sequência com urgência. Tolkien, no entanto, não quis continuar na mesma linha. Ele tinha quase terminado uma narrativa dos tempos mais antigos do seu universo, o que ele chamou de O Silmarillion. Muito difícil, decretou a editora, que continuou a assediá-lo por algo novo. O escritor, um pouco sem entusiasmo, aceitou o projeto de escrever uma nova história. Na verdade, ele estava prestes a pôr em pé a primeira pedra do que viria a ser O Senhor dos Anéis.

Mas ele não se esqueceu de O Silmarillion, nem seu filho. As mais antigas memórias de Christopher Tolkien estão ligadas à história das origens de seu mundo imaginário e que seu pai gostava de compartilhar com os filhos. “Por mais estranho que possa parecer, eu cresci no mundo que ele criou”, explica. “Para mim, as cidades de O Silmarillion são mais reais do que a Babilônia”.

Em uma prateleira na sala de estar, não muito longe da bonita poltrona de madeira em que Tolkien escreveu O Senhor dos Anéis, há um estrado coberto por um pequeno bordado gasto. Este é o lugar onde Christopher, com 6 ou 7 anos, parava para ouvir as histórias de seu pai. “Meu pai não tinha dinheiro para pagar um secretário”, diz ele. “Eu fui o único que escreveu e desenhou os mapas que ele esboçou”. “À noite, recorda, ele entrou no meu quarto e me contou, parado em frente à lareira, grandes histórias, como a de Beren e Lúthien, por exemplo. Tudo que parecia interessante vinha de sua maneira de ver as coisas”.

Pouco a pouco, a partir de final de 1930, O Senhor dos Anéis tomou forma. Christopher alistou-se na Royal Air Force e partiu para uma base aérea na África do Sul, em 1943, onde a cada semana ele recebia uma longa carta de seu pai, assim como os capítulos da novela que estava a caminho. “Eu era um piloto de caça. Quando chegava, lia um capítulo”, diz ele, divertindo-se, mostrando uma carta na qual o pai pede seu conselho sobre a formação de um nome próprio.

A primeira coisa que ele se lembra de sentir após a morte de seu pai foi um senso de grande responsabilidade. Nos últimos anos de sua vida, Tolkien começou a trabalhar novamente em O Silmarillion, tentando em vão trazer alguma ordem para a narrativa, como na escrita de O Senhor dos Anéis, que foi buscar elementos dessa antiga mitologia, e que tinha causado alguns anacronismos e discrepâncias em O Silmarillion.

“Tolkien não poderia fazê-lo”, observa Baillie. Por um tempo ela havia trabalhado como assistente do escritor, e mais tarde em uma edição de suas coleções, chamada The Father Christmas Letters [As Cartas de Papai Noel, recentemente publicado no Brasil pela Editora Martins Fontes]. “Ele estava atolado em detalhes cronológicos, reescreveu tudo, tornou-se mais e mais complicado.” Entre pai e filho, entendeu-se que Christopher iria assumir a tarefa se o escritor morresse sem terminá-la.

Um Tesouro Escondido

Ele também encontrou documentos de seu pai após a morte: 70 caixas de arquivos, cada uma recheada com milhares de páginas inéditas. Narrativas, contos, palestras, poemas de 4.000 linhas mais ou menos completos, letras e mais letras, todas em uma desordem assustadora. Quase nada foi datado ou numerado, apenas caixas com um recheio desregrado.

“Ele tinha o hábito de viajar entre Oxford e Bournemouth, onde muitas vezes ficou”, relata Baillie Tolkien. “Quando ele saia, colocava montes de papéis em uma mala que sempre manteve consigo. Quando chegava, ele às vezes tirava uma folha qualquer, de forma aleatória, e começava com ela!” Por tudo isso, os manuscritos eram quase indecifráveis, porque sua letra era muito apertada.

No entanto, neste emaranhado improvável, existe um tesouro, não só O Silmarillion, mas as versões quase completas de todos os tipos de lendas apenas vislumbradas em O Hobbit e O Senhor dos Anéis – um arquipélago quase submerso, cuja existência Christopher conhecia parcialmente. Foi então que o trabalho ganhou uma segunda vida – assim como Christopher. Ele se demitiu do New College, em Oxford, onde também se tornou professor de Inglês Antigo, e atirou-se de cabeça na edição do trabalho de seu pai. Ele deixou a universidade sem arrependimentos, que (puxando pela memória, nota-se seu brilho nos olhos) chegou a jogar fora a chave que cada professor recebe e que dever ser exibida no final do ano, em uma cerimônia ritual.

Primeiro na Inglaterra, depois na França, ele remontou as partes de O Silmarillion, tornando-o mais coerente, acrescentou e preencheu aqui e ali, e publicou o livro em 1977, com algum remorso. “Imediatamente pensei que o livro estava bom, mas um pouco falso, no sentido de que eu tive que inventar algumas passagens”, explica ele. Na época, ele ainda tinha um sonho preocupante. “Eu estava no escritório do meu pai, em Oxford. Ele entrou e começou a procurar algo com grande ansiedade. Então eu percebi com horror que era O Silmarillion, e eu estava apavorado com a ideia de que ele iria descobrir o que eu tinha feito”.

Enquanto isso, a maioria dos manuscritos que ele havia trazido para a França, empilhados na traseira de seu carro, teve que voltar para Oxford. A pedido do resto da família, nervosa com esta migração, os papéis voltaram da mesma forma como eles haviam chegado, à Biblioteca Bodleian, onde eles estão atualmente mantidos e agora estão sendo digitalizados. Portanto, Christopher teve de realizar seu trabalho com fotocópias, o que foi um grande problema. Foi impossível, por exemplo, notar a cor da tinta ou a textura do papel quando se tentou datar os documentos. “Mas eu tinha a sua voz no meu ouvido”, diz Christopher Tolkien. Desta vez, ele se tornaria, diz, “o historiador do trabalho, seu intérprete”.

Trabalho Árduo e Influências

Por 18 anos trabalhou a toda velocidade em The History of Middle-Earth [“A História da Terra-média”, não publicados no Brasil], a edição gigantesca de 12 volumes que traça a evolução do mundo de Tolkien. “Durante todo esse tempo, eu o assisti datilografar com três dedos em uma máquina antiga que pertenceu a seu pai”, observa a esposa. “Você podia ouvi-lo por todo o caminho até a rua!”

Texto manuscrito para O Senhor dos Anéis
Texto manuscrito para O Senhor dos Anéis

Era uma mina de ouro da literatura, mas também um trabalho árduo, que deixou Christopher esgotado, para não dizer deprimido. Mas não se preocupe, ele não iria parar por aí. Em 2007, ele publicou Os Filhos de Húrin, um romance póstumo de Tolkien, recomposto a partir de obras que apareceram aqui e ali. Ele vendeu 500.000 cópias em inglês e foi traduzido para 20 idiomas.

Como esta nova geografia literária que se levantou de sua velha máquina de escrever, o universo de Tolkien também se proliferou no mundo exterior, de forma totalmente independente. Após a morte de Tolkien, o poder de sua imaginação logo deu origem a novas obras, e às vezes turbulentas. “A flexibilidade desses livros explica seu sucesso”, comenta Vicente Ferré. “É uma obra que cria um mundo, onde os leitores podem entrar e se tornar seus atores”.

A influência do escritor no campo literário foi sentida na fantasia em geral, onde suas criações tinham reativado um gênero que datava do século 19. A partir de 1970 e especialmente 1980, um gênero de fantasia heroica foi desenvolvido, rico em “Tolkienismo”, com fundos lendários, com elfos e dragões, magia e batalha contra as forças do mal.

“Seu mundo, como o dos contos de fadas dos irmãos Grimm, tornou-se parte do imaginário do mundo ocidental”, escreve o inglês Thomas Alan Shippey, em um ensaio dedicado a Tolkien. Na França e em outros países, muitos editores têm investido neste mercado particularmente lucrativo. Mais de quatro milhões de livros do gênero foram vendidos apenas em 2008.

Primeiro nos Estados Unidos, então em toda a Europa e mesmo na Ásia, o gênero se tornou uma indústria enorme, logo incluindo histórias em quadrinhos, jogos de RPG, jogos de video game, filmes e até mesmo música, como o rock progressivo. Na década de 2000, “fan fictions” chegaram à internet, cada uma preenchendo o mundo de Tolkien de sua própria maneira.

O Senhor dos Anéis, metamorfoseado em uma espécie de entidade autônoma, acabou vivendo sua própria vida. Ele inspirou George Lucas, autor da série Star Wars, cujo primeiro filme foi lançado em 1977. Ou o grupo de rock Led Zeppelin, que incorporou as referências ao livro em várias músicas, incluindo “The Battle of Evermore”.

Mas nada disso incomodava a família até os filmes de Peter Jackson. Foi o lançamento do primeiro filme da trilogia, em 2001, que mudou a natureza das coisas. Primeiro, ele teve um efeito prodigioso em vendas de livros.

“Em três anos, de 2001 a 2003, 25 milhões de cópias de O Senhor dos Anéis foram vendidas – 15 milhões em Inglês e 10 milhões em outras línguas. No Reino Unido, as vendas subiram 1000% após o lançamento do primeiro filme da trilogia, A Sociedade do Anel”, diz David Brawn, editor da HarperCollins, que detém os direitos de publicação dos livros de Tolkien em Língua Inglesa, exceto nos Estados Unidos.

Efeito Contagioso

Muito rapidamente, no entanto, a visão do filme, concebido na Nova Zelândia pelos conhecidos ilustradores Alan Lee e John Howe, ameaçou invadir a obra literária. Sua iconografia inspira a maioria dos jogos de video game e de merchandising. Logo, por um efeito contagioso, o próprio livro tornou-se menos uma fonte de inspiração para os autores de fantasia do que o filme, e depois os jogos inspirados no filme, e assim por diante.

O frenesi fez os advogados da família de Tolkien dar outra olhada no seu contrato, que estipulava que a Tolkien Estate deveria receber uma percentagem dos lucros se os filmes fossem rentáveis. Com as cifras incríveis alcançadas, os advogados da família sacudiram a poeira do contrato e exigiram da New Line, a produtora americana dos filmes, que havia comprado os direitos de filmagem de O Senhor dos Anéis e O Hobbit, a sua fatia do bolo. E surpresa! Cathleen Blackburn, advogada da Tolkien Estate em Oxford, relata ironicamente: “Esses filmes extremamente populares, aparentemente, não fizeram lucro algum! Recebemos declarações dizendo que os produtores não deviam à Tolkien Estate sequer um centavo”.

O caso durou de 2003 a 2006, e então as coisas tornaram-se mais complicadas. Os advogados do espólio de Tolkien, os da Tolkien Trust e da editora HarperCollins, exigiram US $ 150 milhões em danos, bem como os direitos sobre as adaptações seguintes da obra de Tolkien. Uma ação judicial foi necessária antes que um acordo fosse alcançado em 2009. Os produtores pagaram 7,5% de seus lucros para o Tolkien Estate, mas a advogada, que se recusa a dar um número, acrescenta que “é muito cedo para dizer quanto vai ser no futuro”.

No entanto, a Tolkien Estate não pode fazer nada sobre a maneira como a New Line adapta os livros. No filme O Hobbit, por exemplo, o público vai descobrir personagens que Tolkien nunca colocou lá, especialmente personagens mulheres. O mesmo vale para os produtos, que variam de toalhas de chá a caixas de nuggets, com uma infinita variedade de brinquedos, artigos de papelaria, camisetas, jogos, etc. Não apenas os títulos dos livros em si, mas também os nomes de seus personagens são marcas registradas.

“Estamos no banco de trás do carro”, comenta Cathleen Blackburn. Em outras palavras, a Tolkien Estate pode fazer pouco, apenas olhar a paisagem, exceto em casos extremos – por exemplo, recentemente foi impedido o uso do nome O Senhor dos Anéis em máquinas caça-níqueis, em Las Vegas, ou para parques de diversões. “Fomos capazes de provar que nada no contrato original estipulava esse tipo de exploração”.

PeterJacksonlordotherings-IanMcKellenFilmes de Ação

“Eu poderia escrever um livro sobre os pedidos idiotas que tenho recebido”, suspira Christopher Tolkien. Ele está tentando proteger o trabalho literário de seu pai do circo que se desenvolveu em torno dele. Em geral, a Tolkien Estate recusa quase todos os pedidos. “Normalmente, os executores do espólio querem promover um trabalho tanto quanto for possível”, observa Adam Tolkien, filho de Christopher e Baillie. “Mas nós somos exatamente o oposto. Queremos colocar os holofotes sobre o que não é O Senhor dos Anéis”.

A Tolkien Estate não foi capaz de impedir um desenho animado americano chamado “The Lord of The Beans”, mas uma versão em história em quadrinhos foi interrompida. Esta política, no entanto, não tem protegido a família da realidade de que o trabalho agora pertence a um público gigantesco, culturalmente muito longe do escritor que o concebeu.

Convidados a conhecer Peter Jackson, a família Tolkien recusou. Por quê? “Eles arrancaram as vísceras do livro, tornando-o um filme de ação para jovens entre 15 e 25 anos”, diz Christopher. “E parece que O Hobbit será o mesmo tipo de filme”.

O divórcio tem sido sistematicamente conduzido pela lógica de Hollywood. “Tolkien tornou-se um monstro, devorado por sua própria popularidade e absorvido pelo absurdo da nossa época”, Christopher Tolkien observa com tristeza. “Ampliou o abismo entre a beleza e a seriedade do trabalho, e o que ele se tornou. E já foi longe demais para mim. A comercialização reduziu o impacto estético e filosófico da obra a nada. Há apenas uma solução para mim: Virar meu rosto para outro lado”.

É difícil dizer quem ganhou essa batalha silenciosa entre a popularidade e o respeito para com o texto. Nem quem, finalmente, tem o Anel. Uma coisa é certa: de pai para filho, uma grande parte da obra de J. R. R. Tolkien já emergiu de suas caixas, graças à infinita perseverança de seu filho.

Comentários

  1. […] em 2012, depois de um longo período sem fazer declarações à imprensa, Christopher Tolkien concedeu uma entrevista ao jornal francês Le Monde em que falou com profunda tristeza sobre a exploração excessivamente comercial do legado de seu […]

  2. Na minha opinião é um babaca o filho do Tolkien. Um dia vai ser de domínio público ai vão fazer Silmarillion e vai ser muito legal. Tolkien não é dono de nada, após a obra publicada é de quem ler. Palhaçada. Se tivesse passando necessidade tava lambendo o rabo do PJ pra fazer o filme. O mundo só conhece as obras por causa do cinema e do RPG.

  3. Concordo plenamente com Christopher Tolkien, pois entendo o que ele quis dizer. Leio e releio a obra de seu pai há mais de 20 anos, e como amante de cinema (já chegando a trabalhar com análise de roteiros e computação gráfica para a televisão), sempre sonhei em ver sua obra no cinema. E confesso que fiquei decepcionado com o que vi no cinema. Tolkien não escreveu simples histórias, mas transmitiu valores, conceitos, inclusive filosofia e muitas vezes usando linguagens metafóricas para esse fim. Não são histórias vazias.
    Peter Jackson (que considero um bom diretor), falhou em compreender isso, e levado por cifras, transformou a obra de Tolkien em uma epopeia que chega ao ridículo, distorcendo a personalidade dos personagens e eventos. Ele reescreveu a história sem nenhum respeito à obra original. – Esqueçamos o visual dos filmes e trilha sonora. Falo de roteiro e arquétipos dos personagens. – Não consigo reconhecer a maioria dos personagens do livro.
    Um exemplo bobo: Em Fangorn, Aragorn (inexperiente, assustado e sem valores) tomando Gandalf por Saruman, sugere a Legolas e Gimli a ataca-lo enquanto esse estava despercebido. Já na história original, Gimli sugere que Legolas o acerte com uma flecha e Legolas hesita. Aragorn (experiente, paciente, sábio e nutrido de valores) concorda com Legolas, de que é errado. “Não podemos atirar num velho desse modo, traiçoeiramente e sem desafio, qualquer que seja o medo ou a dúvida que tenhamos. Olhem e esperem!”
    Adaptações literárias para o cinema são necessárias, pois a mídia é outra, mas a maioria dos produtores de Hollywood não se preocupam em se manter fiel ao legado do autor, ou respeitar seus leitores. Um bom exemplo de obra bem adaptada, é a trilogia Nárnia de C S Lewis. Apesar de mudanças nos roteiros, às tramas e os personagens são fiéis aos livros.
    Visualmente os filmes são impressionantes, considero uma das melhores produções de cinematográficas. Em termos de cenários e figurinos, a equipe de produção fez uma excelente criação visual da Terra Média, mas infelizmente, só.
    Christopher Tolkien quer que a obra do pai faça sucesso, mas sem ser distorcida e deformada. Quer que o público admire o seu pai, realmente, escreveu.
    Só mais uma nota. Já vi pessoas que se tornaram fã do filme, desprezando a obra literária.

  4. Eu meio que concordo com o C. Tolkien, mas conheci o livro à partir do filme – fiquei com vontade de ler o livro para entender melhor a história, e também porque sempre ficava muito tarde pra assistir aí eu perdia o final…
    Não posso dizer muito sobre SdA, porque vi antes o filme, mas quanto ao Hobbit…
    Fiquei muito decepcionado com o Thorin do filme, por exemplo – eu esperava uma anão típico, com barba enorme, jeito esperto, cabeça-dura, digno de ser amigo de Gandalf – que se tornou um cavaleiro medieval (do tipo que aparece muito no cinema) qualquer (alguém aí viu o machado dele ??? Ou os anões sem barba ??? COMO???).

    É, também prefiro os livros.

  5. Não é por nada não, mas dá umas 11h de filme facilmente as 3 versões extendidas.
    E quem tem, assistam acho que o primeiro disco de extras, lá se fala dos motivos que levaram os filmes a serem o que são, não tem como colocar tudo dos livros em filme, tem coisa que atrapalha o andamento do filme e tal.
    Enfim, fica melhor assistir do que tentar reproduzir aqui.

  6. Isso me soa como um grande preciosismo…

    Ele teve muito retorno(seja vendendo livros, ou divulgando o seu pai e suas idéias) dos filmes e sendo franco a coisa chegou num patamar que tentar controlar se a filosofia está sendo passada ja é querer demais…

  7. Caramba parece que sou o único fã de Tolkien que gostou do filme o hobbit?
    Não concordo com o filho de tolkien. Gosto dos filmes e muito dos livros e sou fã de tudo que esteja relacionado.(quem jogar guerra no norte vai ver o que é distorção da obra de qualquer modo eu gostei)

    gente se liga Peter soube adaptar as obras muito bem e o sucesso só aumenta a honra de tolkien!!!

  8. Bom, eu to na pele da familia de Tolkien e nem to por dentro de tudo que aconteceu com eles e/ou com o Tolkien por causa de todo esse trabalho dele que é mais que espetacular, mas acho que no fundo, tudo se resume as cifras msm $$$$

    O filho de Tolkien, minha opinião, pegou um pouco pesado ao falar q os filmes e tals destruiram praticamente todo o trabalho do pai e sua essencia! cara, sinceramente, se não fosse pelos filmes, eu uma penca de gente que virão fã de tolkien nunca ia descobri a grandiosidade de seu trabalho!!!
    em muitas coisas, o tolkien filho até tem razão, mas convenhamos, ele tá querendo dizer q o q, as pessoas q conheceram o trabalho do pai dele a partir dos filmes ñ sabem dar o verdadeiro valor q toda a obra tem? Acho q ele tá levando tudo muito a ferro e fogo… a gent sabe q qndo se fala em $$$ o buraco acaba sendo mais embaixo…. por mais nobre que tenha sido toda a dedicação dele a obra pai, no fim das contas as discussões acabam seguindo outro rumo além da preservação do espólio…

    fiquei meio sentida ao ler a opinião do filho sobre tudo isso… sou tão grata ao PJ pelas adaptações, pq se ñ fossem elas eu teria conhecido a obra de Tolkien… :-/

  9. Ainda bem que os direitos do Silmarillion estão reservados, pois eu não queria ver a “Bíblia” da Terra-média detonada pelo capitalismo ou uma adaptação catastrófica. Peter J. sabe dirigir muito bem, sou fã dele, mas só de ver este O Hobbit em três partes já dá para ver que a empresa cinematográfica visou mais lucro do que tudo. Se adaptarem o Silmarillion teria 10 filmes, e não seria bons filmes, seria mais enchimento de linguiça do que adaptação, como estamos vendo em O Hobbit. Acho que a New Line deveria ter dado mais crédito aos filhos de Tolkien, pois eles são os guardiões do legado.

  10. Fiquei até com pena do pobre Christopher. Confesso que sempre achei que ele era um velho encrenqueiro e ranzinza por não querer que os filmes fossem produzidos da maneira como foram. Mas, vendo o lado dele e como ele cresceu junto com a obra do pai, não há como não se compadecer.

    Mas uma coisa que ele tem que entender é que a criação literária, uma vez escrita, deixa de pertencer a quem a escreveu (do ponto de vista intelectual) e passa a fazer parte do mundo. Não adianta querer monopolizar a interpretação e a forma de se observar uma obra.

  11. Tirou a essência da obra? Eu conheço mts fãs que nem ligam para os filmes, como ele mesmo disse: E só virar o rosto para o lado.

  12. É TIPICO DE UMA MENTE RETROGOTA, pois os filmes o efeito foi exatamente o contrario ajudou a popularizar mais ainda os livros de tolkein (VALORIZAR MAIS AINDA O PATRIMONIO DA FAMILIA TOLKEIN). Quantas pessoas eu conheço inclusive eu que resolver buscar os livros depois de ver o primeiro filme e tomar conhecimento da sua obra extensa. Agora é facil falar sem ele ter visto com todo o respeito e ao pai dele, mas poderia a valiar friamente que para os livros não ficou tão ruim assim na telona para um bom leitor saberia definir isso assim.

  13. Apesar de haver um apelo obvio a grande massa nas adaptações produzidas para o cinema, principalmente por si tratar de hollywood, mas partindo pra repercurssão da obra em si. A alegação do C. Tolkien me parece sempre no intuito de idealizar aquilo que o pai escreveu quando na realidade ele mesmo se sentiu culpado ao modificar e acrescentar coisas no proprio silmarilion, o sonho em que ele diz que viu o pai procurando, a tensão e aparente culpa demonstra isso por ter de alguma forma “transgredido”, desobedecido, ou indo além dos manuscritos, acrescentando algo pessoal,n algo dele ali,claro que resguardando as formas, é a mesma coisa que acontece quando alguém lê a obra e se emociona, se sente movido por ela, há um recriação particular e subjetiva e que tem tudo haver a experiencia de vida de cada um e a experiencia ao ler portanto. Além disso parece que quanto mais apaixonado pela obra mais o fã se vê inclinado muitas vezes a produzir algo efetivo como no caso das fanfics ou de músicas e poemas, onde há ali não a percepção do autor original, considerando que isso seja possivel (o que para mim não é), mas a percepção do leitor sobre determinado aspecto da obra.
    Pra mim no momento em que uma produção criativa é destinada ao público, este também passa a fazer parte dela, não pertecendo somente ao autor original, já que no fim das contas quem dá sentido a obra é o proprio publico, ou melhor, a subjetividade de cada leitor, aquilo que te toca pessoalmente.
    A meu ver a critica negativa à influencia mercadologica tem sentido até certo ponto,pois percebe-se visivelmente que PJ assim como as demais roteiristas são extremente fãs de Tolkien, a qualidade dos filmes e o reconhecimento perante a critica de cinema está ai para provar isso, ressaltando que não a que se comparar com o livro, visto que é a produção de um fã e não há como se cobrar que as ideias de tolkien estejam ali por inteiro, nem o proprio filho do autor resistiu a modificar a obra do pai, ao passo que tenta passar uma imagem quase dogmática do respeito as palavras de JRRTolkien, isso me soa meio hipócrita…

    Perdão se meu comentário ficou muito grande e meio confuso talvez

  14. Eu acho muito egoísta o que o C. Tolkien falou, o Peter Jackson já disse várias vezes que ele é um verdadeiro fã dos livros e que o trabalho dele é nada mais que um projeto de fã. Sem falar que a equipe inteira dos filmes se dedicaram muito, não é justo.

    Mas isso não importa, não muda minha opinião sobre os filmes. Amo os livros e os filmes, e acho que ele foi muito infeliz.

  15. Hum… Concordo em termos com a visão de Christopher Tolkien. Ele está protegendo a integrinidade intelectual da obra do pai, os filmes são muito mais ação blockbuster do que a estética e intenção filosófica dos filmes. É verdade. Mas me parece que ele está tão revoltado com isso que se esquece do que essa, a primeira vista, comercialização desenfreada trouxe junto como consequência: A divulgação da obra.

    Ele devia, ao invés de fazer bico, aproveitar o momento e atrair a atenção desse público ávido por Tolkien e conduzi-los para além disso. “Vocês vieram via os filmes? Ótimo, sabia que Tolkien é muito mais complexo que isso? Leiam os livros, estudem, se aprofundem… ”

    Não encaro os subprodutos do SdA e afins como uma ofença à obra e sim como uma porta de entrada para algo muito maior e melhor.

    #fica_a_dica_Christopher
    heheh.

  16. Ainda bem que o Tolkien não está vivo pra ver o absurdo que estão fazendo com as obras dele. Estão arruinando tudo.

  17. Deixando a parte comercial de lado, falando estreitamente da obra, C. Tolkien mostra um tom um tanto egoísta e preconceituoso. Ele nos dá a entender que a obra de seu pai não é coisa para jovens e não deveria se massificar como aconteceu por causa dos filmes. Posso estar interpretando mal, mas de qualquer jeito, ele poderia ter escolhido melhor as palavras. Concordo que O Hobbit me decepcionu um pouco, as mudanças em relação ao livro são bem maiores quem em SdA, onde já não eram pequenas. Mas ele não parece entender que no cinema, o que é feito não é, como dito anteriormente em outros comentários, a transcrição da obra para o roteiro, mas uma adaptação, por razões óbvias. E PJ fez muito mais do que outros cineastas fariam, produzindo três filmes com mais de 9 horas somadas em suas versões normais e mais de 11 horas nas versões extendidas.

    E ainda mais equivocada, na minha opinião, é a de que os filmes mudaram a imagem da Terra-Média. Para aqueles que nunca leram os livros, é a única imagem que eles conhecem. Para os outros que já haviam lido antes do filme, dúvido que tenham mudado a imagem da Terra-Média em suas cabeças por causa do livro. E milhões de pessoas que viram os filmes e, por isso, leram a obra de Tolkien (eu incluso nesse grupo), não só SdA, mas O Hobbit, O Silmarillion, CI, Os Filhos de Húrin, etc, vão ter que imaginar suas próprias imagens da Terra-Média, pois vários locações nos livros não aparecem nos filmes, e os que aparecem, em muitos casos, são bem diferentes. E sem os livros, por exemplo, não teríamos tantas obras traduzidas no Brasil e em vários outros países, que em muitos casos tinham apenas O Hobbit e SdA traduzidos.

  18. Vamos encarar os fatos.

    1. o envolvimento de de C Tolkien com as histórias contadas por seu pai (J Tolkien) é pessoal, para não dizer que formou grande parte de sua infância, seus sonhos, suas ideias. Para ele aquelas histórias, do jeito que o pai dele contou, são uma realidade palpável e acolhedora.

    2. o envolvimento de PJ com J Tolkien é o de fã, o fã não quer apenas ler/se deliciar ele quer se lambuzar na coisa toda, fazer parte, comentar, seguir no facebook e assim por diante. A forma como ele conseguiu isso foi convencendo Hollywood (através do estúdio New Line) que eles iam lucrar muito com isso.

    A relação PJ X CT poderia ser analisada como, CT tem um sentimento de afeição ao conteúdo filosófico estipulado pelo pai, o apelo de tradição/pacifismo X progresso/guerra que é um dos focos mais evidentes do SdA fica em segundo plano na obra de PJ. A crítica de CT é baseada em suas sensações perante a massificação de um conceito “ralo”. É como descrever um carro pelo conceito “caixa com rodas” não deixa de ser, mas vai muito além, o conceito “caixa com rodas” não contempla em nada, por exemplo auto-esporte.

    Por sua vez PJ sofre do que todo fã sofre, o sonho de tocar no palco com sua banda favorita, ele quer cantar junto, mas ocorre que sua “voz” é sensivelmente mais alta que a do próprio J Tolkien (principalmente pelo fato de todo o marketing envolvendo seus filmes).

    A relação entre os 2 seria a mesma que ocorre entre os antagonistas de SdA. De um lado vemos CT bucólico, tradicional, tentando sobreviver com sua herança de familia (emocional, transmitida em sua infância pelo seu pai) e PJ progressista, pró-ativo e forçando uma massificação.
    Chega a assustar que a comparação nos leve a concluir que na história de SdA quem leva a “melhor” no final é o bucólico e tradicional Frodo perante as imensas forças do próprio senhor escuro, Sauron. Dúvido que no mundo real tenhamos esse tipo de desfecho, pena.

  19. Bem… eu entendo o Sr. Christopher, não podemos “medi-lo pelos parâmetros que temos agora como medida”, ele é um vovô de 80 anos que vem de uma época e uma criação muito diferente da nossa, não sei se julgo sua desaprovação dos filmes com tanto rigor. Creio que se estivesse no lugar dele faria o mesmo… “é ele pai também”, pai de um trabalho sem paralelo que para ele é muito mais profundo que qualquer filme, tela de pintura ou jogo digital, assim como é para cada um de nós que está escrevendo aqui, os filmes são uma parte do todo que nós ajuda a ver a Terra Média, mas todos nós sabemos em nossos corações que a Terra Média é infinitamente mais que isso, acho que o maior medo do Sr. Christopher, é que o público troque o “certo pelo duvidoso”, o filme nunca será o livro e é importante que se leia para que se possa entender a magia!

    Levando em conta o tema proposto por Tolkien, tema este que deveria servir de base mitológica para criação de outras manifestações artísticas, os filmes servem a este propósito com toda certeza. (mas acho que o Sr. Christopher não vê assim)

    Parabéns a Valinor pelo excelente post, um verdadeiro documento histórico para nós fãs da obra do querido professor.

  20. Eu gosto muito dos filmes, e só li os livros porque adorei os filmes. Acho super válida a ideia de uma adaptação cinematográfica para conquistar as novas gerações. Peter Jackson fez um excelente trabalho e está de parabéns. E torço muito para que “O Silmarillion” apareça na telinha. Quem sabe um dia…

  21. Desculpem pelo comentário longo acima, exagerei…
    Só queria manifestar tb q depois de 40 anos sem dar entrevista, esta materia do Le Monde foi um desperdicio, uma baita chance jogada fora… falou mais do mesmo… parecia q a reporter estava sendo apresentada pela primeira vez à saga dos Tolkien vs estúdios… tinha muito mais a se falar

  22. Como entretenimento as versões de PJ no cinema são muito boas, mas como fã de Tolkien, ei de concordar com seu filho.
    A descaracterização dos livros não são reflexo meramente de dificuldade de adaptação de uma obra elaborada para ser lida, ou mesmo de uma visão especifica do diretor. As entranhas, a alma do livro foram violadas no cinema quando desvirtua-se o perfil de personagens, suas reações e motivações, além de destacar aspectos menores em detrimento da profundidade do livro, a visão e entrelinhas que eram objetivo último do autor ao desenvolver sua obra. Tudo isso por meras opções comerciais, lucro máximo, criar um blockbuster que arraste milhoes aos cinemas e consuma ao máximo suas franquias…

    Isso acontece em SdA em infindáveis exemplos que já foram muito discutidos, distorçoes absurdas (desde um Frodo juvenil, passando por Merry e Pipin patetas, Gimli como alivio comico, elfos superpoderosos, dilemas inexistentes e desnecessários…. deixa pra lá… vai longe). Contudo sempre fui favorável a PJ por entender que dadas as condições ele, ainda assim, seria oq melhor fizesse os filmes, mas na verdade o filme não é só dele e a crítica, minha e de Christopher, não se dirigem só a ele, mas a toda a indunstria envolvida, produtores, distribuidores… Hollywood como um todo e a necessidade de massificação para mais ganhar, só que nesse processo fugir da mediocridade é extremamente dificil quando se trabalha com uma obra prima, pq o público geral é mediocre, o gosto médio é horroroso, ainda mais o americano (é só vermos os maiores sucessos de bilheteria nos últimos anos, longe de uma obra cinematografica de referencia).

    Assisti o Hobbit e digo que essa trilogia, por maior que seja o capricho de produção, desandou. Não so por trazer o espirito de SdA (filme)para o Hobbit, mas também por nem tentar disfarçar mais que seu intuito é faturar o máximo que der, abraçar clichês, fórmulas fáceis e repitidas, tentar “explicar” oq Tolkien não explicou, criar personagens desnecessários para atender parcelas do público.

    Infelizmente concordo com Christopher!!!! E lamentávelmente tenho medo do que farão no dia que colocarem a mão nos direitos de Silmarilion (vão fazer um Game of Thrones pra atender a demanda do público massificado ? não duvido, isso será a daqui muitos anos, mas já ouço “os tempos são diferentes, precisamos atender ao publico contemporaneo”)

    1. Finalmente achei alguém que pensa do mesmo modo que eu! Eu gosto dos filmes, mas depois que li os livros vi que a coisa é bem outra. SdA ainda tinha seu mérito. O Hobbit é completamente vendido.

  23. Apesar de entender perfeitamente a posição de C. Tolkien, acho que ele deve levantar as mãos pro céu por não fazerem com o SdA e o Hobbit o que fizeram com as Crônicas de Nárnia.

  24. Um Valar tem direito de falar o que quiser , pois ele é filho de Eru. Acho que o Christopher considera o P.J o próprio Melkor rsrsrs… Os livros tem uma fantasia infinita no meu ver, acho que o filme faz o livro seguir uma certa linha e formar uma visão direta, creio que o Christopher queria que cada um criasse a sua própria terra média ao ler cada livro…

    1. Muito bom cara, Pj como Melkor de morgoth, foi muito foda, eu ri muito!
      Parabéns pela criatividade e tambem concordo com você!

  25. Ao meu entender, creio que o que deixou ele(Christopher Tolkien) chateado deve ter sido o fato de que a adaptação do PJ mostrou uma coisa diferente do que ele realmente esperava e quando ele foi tirar satisfação( aquela disputa dos advogados pelos espólios do filme) ele teve uma desagradável surpresa. Tudo isso, somado, deve ter desencadeado essa revolta dele contra as obras cinematográficas.

  26. Bom, agora sério. Eu era criança, conheci a obra de Tolkien a partir dos filmes. Eu amo os filmes de SdA, realmente são muito bons. Já o Hobbit acho extremamente vendido. Hollywoodizado do começo ao fim, mas ainda gosto dele, no geral. Porém tenho que concordar em muito com o Christopher. Depois que conheci a obra a fundo vejo como a popularização dela fez com que fosse tratada com desrespeito por muitos. Para muitas pessoas é só mais um livro de fantasia para adolescentes, mais uma história para se tornar filme. A obra chegou ao público de uma forma que as pessoas não conhecem a profundidade e o significado dela. É uma das maiores obras de literatura do século XX e para muitos ela não difere dos vários livros adaptados para o cinema. Isso me entristece muito, o desprezo na voz das pessoas que acreditam que você é fã viciado de mais um crepúsculo da vida.

    1. Mas isso não é culpa do PJ ou dos filmes, é culpa das pessoas ignorantes que não tem um pingo de conhecimento sobre o que estão falando. Hoje muito dos fãs de Tolkien só são fãs e tiveram a oportunidade de conhecer os livros por causa dos filmes.

      1. Sim, como eu disse, não sou contra os filmes. Mas sou contra o resultado deles. Os filmes em si são ótimos, o problema é que a coisa ficou vendida demais. Principalmente agora com O Hobbit.

    2. Mas eu acho que o problema é esse, se preocupar com o que as pessoas que não leram os livros fazem ou deixam de fazer. Se elas desrespeitam, acham que é uma porcaria, problema delas. Nada no mundo é unanimidade, NADA, o que resta é você ter suas convicções, mas ao mesmo tempo aceitar a opinião dos outros, o que C. Tolkien aparentemente não faz.

      No fundo, essa mágoa me parece ter muito a ver com os direitos sobre os lucros dos filmes.

      1. Não é questão de se preucupar com o que os outros pensaem. Como o fã que eu acredito que você seja, deve saber qual é o real objetivo do legendarium. Deve conhecer as convicções do autor. Se conhece, deve saber que a obra merece respeito, e o que existe hoje é uma banalização dela. Se a vida do meu pai tivesse sido dedicada a algo que foi completamente distorcido depois eu ficaria profundamente chateada.

      2. Imagino que você tenha lido os livros, imagino que seja um profundo conhecedor… Mas o que o C. Tolkien quer dizer, é que de modo algum o livro deveria ter sido transformado em filme, pois como ele disse, “muito do que tem no filme O Hobbit, não tem no livro”, muitos elementos do livro se perderam na criação do filme… o PJ pego o legado do pai dele, e trabalhou como bem entendesse, não respeitaram a obra em si… E é como a Mariana disse, se meu pai trabalhasse a vida inteira em algo que foi totalmente distorcido, eu ficaria chateado… O C. Tolkien tem razão no que pensa, ele nem ao menos foi avisado que o Livro se tornaria um filme.

  27. Acho que uma obra literária publicada cria vida por si só. A imaginação das pessoas muda o que o autor pensou, e isso é o caminho natural de qualquer livro famoso, quanto mais um adaptado para o cinema.

    Entendo que o filho de Tolkien e seus descendentes vejam toda a obra mais como algo que pertença a eles do que como um livro escrito para todos lerem. Mas ao ler a reportagem só me veio a cabeça um poema do F P sobre interpretação de poemas, depois que o texto vai para o papel para de pertender ai imaginário somente de quem criou… e isso pode gerar todo tipo de adaptação.

  28. Isso é cosia de inglês chato… no final das contas tudo parece ser porque não ganharam os espólios que achavam que tinham que ganhar, ou seja, grana, claro que hollywood é uma bandida que lucra absurdamente e não paga nem um terço do que ganha. Mas os Tolkiens poderiam ter sido mais esperto e saido a frente e granhado com várias outras coisas além dos direitos autorais. Mas eles são “britanicos” demais para isso. NUNCA UM FILME VAI TER A GRANDIOSIDADE DO LIVRO. MAS O CENÁRIO DO FILME É INDISCUTIVEL!!!!

    1. Exatamente o que eu pensei! Eles falam como se os filmes tivessem ficado ridículos e totalmente artificiais. Só eu vejo que poderia ser muito pior? Escolherem todos os atores pela sua beleza, fazerem cenas de ação vazias, ligar pouco para a arte, debochar das línguas e nomes, trilha sonora genérica, efeitos especiais toscos, desrespeito total à história, podiam fazer um circo de uma obra tão famosa! Mas não fizeram! Eu acho que o PJ sinceramente tentou adaptar o melhor que pode para uma linguagem completamente diferente, que é o cinema, ele é um grande admirador de Tolkien, não acho que visava só o lucro, foram filmes de fantasia que conseguiram ganhar oscars! Mas é um trabaçho complexo demais para ficar perfeito. Dessa entrevista aí, li muito choro. Claro, respeito o C. Tolkien pelo trabalho e consideração com os fãs que teve de reunir e publicar tudo que o pai deixou. Mas ele não soube ter o respeito necessário, ao meu ver, para lidar com as extensões da obra do pai. Quem sabe se ele tivesse sido menos carrancudo, não o tivessem deixado supervisionar o trabalho feito nos filmes, dar suas opiniões? Afinal, deixam muitos autores fazerem isso.

  29. o filme é só mais uma adaptação como eu posso desenhar um legolas aqui em casa e vai ser só mais uma adaptação.
    os livros vao estar sempre la.
    o PJ faz os filmes como quer e teorizando sobre o que outros diretores poderiam fazer com SDA, o PJ é o melhor adapatador desse mundo! :)

    1. Concordo com vc. OS filmes não tem que seguir o livro ao pé da letra. Isso é impossível! Como contar o Senhor dos Anéis em apenas 3 filmes. Teriam que ser em uma série com vários capítulos e mesmo assim, certamente ele não agradaria todos os fãs dos livros. Vamos lembrar que um livro é muito mais poderoso que uma história em quadrinhos ou filme. Um contador de histórias ou um livro, mexem muito com a imaginação das pessoas. Digo isso pq o Gandalf que eu imaginei pode ou não ser sempre diferente do imaginado pelas outras pessoas, inclusive pelo autor. O barato do livro é esse! Não está na capa, ou na fonte escolhida. Está em como ele faz a gente imaginar a história. Isso que é o legal. Na realidade o Peter Jackson simplesmente colocou a opinião de como ele imagina o SdA. Daqui a uns 10 anos certamente farão uma re-filmagem, ou re-leitura, do livro e novamente veremos outro ponto de vista, de outro diretor, ou até mesmo do próprio! Não sei, mas acho isso muito pessoal!

      1. Era isso que Christopher se refere, Peter tirou as visceras do que realmente Tolkien queria passar …
        E infelizmente a maioria das pessoas conhece Tolkien somente pelos filmes, causando assim uma distorção de autores, ele diz que Peter banalizou o trabalho de seu pai e muitos acham que era exatamente isso que Tolkien passou pros livros quando na verdade nao é.
        Peter distorceu essa imagem pra muitas pessoas … o Senhor dos anéis não é aquilo, aquilo é uma versão particular da história mas muitos não acreditam nisso. Por isso ele renega tanto o que ele fez e esta fazendo.

        1. Como pode dizer uma obra foi banalizada para pessoas que nem a conheceriam de qualquer outra forma?? Digo isso pelo simples fato de que quem tem a vontade de ler os livros simplesmente irão lê-los!! Eu sou grata pelos filmes, uma por que os admiro como obra cinematográfica e outra por que graças a eles eu pude conhecer o trabalho incrível escrito pelo Tolkien!

          1. Galera, acho que para o filme de Tolkien, a questão não é como os filmes foram feitos, mas o simples fato de terem sido feitos. Ao que parece, ele (e Tolkien também) não queria adaptações das obras para o cinema.

          2. Bruna, vc tocou no ponto crucial, que é o fato de que talvez 25 milhões de pessoas (ver no texto o número de exemplares vendidos após a trilogia) só vieram a saber do SDA e Hobbit através dos filmes do PJ. Supondo que pelo menos um terço desse pessoal gostou do que leu e se tomou de amores pelo Tolkien, acho que o objetivo de todo autor foi alcançado: ter seus livros lidos por muitos!

            Claro que todos nós que conhecemos minimamente o SDA e O Hobbit temos críticas a fazer sobre as alterações que o PJ fez. Mas defendo aqui uma máxima não muito simpática a todos: os fins justificam os meios! Pelo menos neste caso…

        2. Infelizmente, apesar do respeito que tenho por Christopher Tolkien sou obrigado a discordar.

          Se não fosse pelos filmes de Peter Jackson, eu possivelmente NUNCA teria contato com as obras fantásticas do Professor Tolkien.

          Foram os melhores filmes que assisti….apesar das mudanças do roteiro, contaram a história (com “H”, porque com “E” é apenas um anglicismo deplorável) de forma respeitosa e me motivaram a comprar e ler os livros…..e os livros são melhores ainda que os filmes.

          Foram os melhores livros que li….ou seja, pelos filmes eu tive contato e interesse pelo universo de Tolkien….não sei onde isto possa ser ruim.

  30. Compartilho o mesmo pensamento de C. Tolkien desde a primeira vez que assisti aos filmes do SdA. Entretanto, como alguém na faixa entre 15-25 (24), considero os filmes divertidos (principalmente as versões estendidas), mesmo que nada, ou quase nada, tenham da poderosa obra original.

  31. O Senhor dos anéis foi uma melhor adaptação em comparação com esse primeiro filme; acho que era isso que Tolkien e seu filho temia, a banalização da história para seguir os preceitos americanos.
    O Hobbit tem muito mais clichê que SDA e alguns personagens foi tirado o espirito para criar situações óbvias demais para atrair mais publico, ficou um filme para pessoas de 15 a 25 anos como ele disse, perde-se muito da filosofia da obra pra seguir o padrão americano.
    Era preciso por se tratar de uma adaptação, contudo gostei muito de SDA e um pouco menos de O Hobbit, espero que os próximos dois filmes não tenha tanto clichê, mas desejo muito que O Silmarillion nunca caia nas mãos dos estúdios americanos!

  32. Acho difícil tudo isso, como não querer que O Senhor dos Anéis faça sucesso ? O pai dele escreveu esses livros pensando nisso ( e em outras coisas que não vem ao caso) mas, a mitologia criada por Tolkien era de certa forma uma coisa oculta, quero dizer, apenas uma parte da sociedade contemporânea havia lido o livro, e foi ( alguns podem até discordar) os filmes de PJ ( na minha opnião) que deram uma maior visibilidade ao universo criado por ele. Eu sou um desses, confesso que nunca tinha escutado falar de O Senhor dos Anéis ou O Hobbit ou Silmarillion ou Contos Inacabados, a Terra-Média era desconhecida de minha parte, tinha +/- uns 10 ou 11 anos ( não me lembro bem a idade) na época em que o filme A Sociedade do Anel foi lançado, só depois de me tornar um fã ( ao ponto de saber de cor e salteado a fala de todos os personagens nos 3 filmes ) tive a curiosidade de ler o livro, também pudera, era apenas uma criança na época, enfim, eu li, achei fascinante, amei, e desde então a Terra-Média virou um vício para mim. Mas o filho dele dizer que esse sucesso foi ruim ? Arrancaram as víceras do conteúdo e tudo mais ? Não acredito, todas as adaptações de livros para o cinema tem suas modificações, o próprio PJ disse isso, não haveria como adaptar um livro que no total tem mais de 1200 páginas em apenas três filmes, até porque se tal coisa acontecesse deixaria de ser uma adaptação literária e passaria a ser uma transcrição literária para o cinema. Posso estar errado, mas essa é minha opnião, não sou o cara mais “expert” em O Senhor dos Anéis, mas, sei que o mundo dele me fascinou e sempre me fascinará e adapta-lo ao cinema é a coisa mais certa a se fazer, afinal ele não deve se importar com o que as Empresas Cinematográficas pensam a respeito, dane-se se elas só pensam nos lucros, o importante é que NÓS gostamos e isso faz com que NÓS amemos mais ainda todo esse Universo.

    1. LUCASOSDAOSDA

      JRR Tolkien não criou histórias visando sucesso ou lucro. Quando os filhos nasceram ele começou a escrever pequenos (“pequenos”) contos para que ele tivesse histórias melhores para contar para eles, em vez de usar os contos já escritos até aquela época. O que aconteceu foi que, com sua genialidade, ele passou a criar links entre todas as histórias, estendeu O Senhor Dos Anéis, transformando-o num épico, Silmarillion veio pra contar detalhes sobre aquele universo, O Hobbit, que foi o primeiro, descrevia a história de Bilbo Bolsero, como todos sabem, tio de Frodo, que protagonizou SDA. O que ele começou como uma forma de solucionar um pequeno problema de família tornou-se uma grande obra, sendo que ele optou por publicar seus dois primeiros livros. Depois, ainda, um terceiro. Christopher, depois da morte do pai, ainda tentou organizar os escritos que ficaram perdidos, dando origem a Contos Inacabados, o maior livro da série, com histórias sobre inúmeros personagens e locais. Tudo isso criado, em princípio, como “histórias para fazer os filhos dormirem” =)

    2. Creio que o ponto principal do desgosto do filho de Tolkien com as adaptações das obras de seu pai é que a parte filosófica de O Senhor Dos Anéis e de O Hobbit foram praticamente deixadas de lado por Peter Jacson. Em minha opinião ele tem razão, os filmes faltam com essa parte. Não que não sejam excelentes os filmes, somente essa parte faltou.