“O Hobbit”: Omelete entrevista Peter Jackson!

No aniversário de 51 anos de Peter Jackson, o Omelete publica em primeira mão no Brasil, a entrevista que o diretor concedeu a seu correspondente, Steve Weintraub, na ocasião de sua visita aos sets do filme, no meio deste ano. Confira os trechos mais significativos.

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 É importante pra você que este filme seja parecido com O Senhor dos Anéis ou você quer que eles sejam coisas completamente diferentes?

Nenhum dos dois, na verdade, É claro que eles não devem parecer tão distantes, mas ao mesmo tempo temos os personagens… Quando decidi me envolver em O Hobbit como diretor, me prometi que retomaria a história exatamente da mesma forma como fiz O Senhor dos Anéis – como se estivesse retornando à Terra-média. É como se aquele fosse um lugar real, estou ali para contar uma história diferente, mas os personagens dentro daquele universo, por serem anões, dão uma entonação diferente aos lugares que já vimos anteriormente. O Senhor dos Anéis era incrivelmente bom e mau, preto e branco. O mundo estava em perigo por causa de Sauron, era tudo muito básico e a tensão indicava o caminho que a trama tomaria. Já O Hobbit tem uma qualidade mais como um conto de fadas, matando dragões e saindo em busca do ouro da montanha. Os elementos da história dão espaço para que exista uma alteração na entonação da história, mas quanto ao visual e ao estilo de direção, eu queria manter tudo parecido, trazendo o sentimento de que estamos no mesmo universo.

Quando o assunto é continuidade, no livro, por exemplo, quando Bilbo põe o anel, ele não sente seus efeitos negativos. Já nocaso de Frodo, tudo muda de figura. É esse tipo de coisa que você vai pensar e tentar consertar durante O Hobbit?

Sim. É óbvio que está tudo presente nos livros, Tolkien não sabia nada do anel quando escreveu O Hobbit. Aí, 20 anos depois, ele escreveu toda uma trilogia sobre o anel. O modo como as coisas são racionalizadas, e acho que foi desta forma que as pessoas no mundo de Tolkien as racionalizaram, é que o anel não ganha seus poderes até que Sauron volta à ativa e começa a procurá-lo. Então ele ficou adormecido por um tempo e, durante os tempos de Frodo, ele começa a ficar agitado querendo encontrar Sauron. Estamos nos baseando nisso. Mas já vamos gradualmente mostrando os efeitos do anel durante o filme. Na primeira vez que [Bilbo] põe o anel, ele é simplesmente um artefato mágico. Mas conforme ele vai o colocando outras vezes, os efeitos o atingem cada vez mais. Estamos construindo uma história a partir disso.

Ainda vai ser aquele efeito em que ele está em um mundo de sombras?

Bem, ele estará em um mundo de sombras, mas que não será tão atormentado quanto era o de O Senhor dos Anéis. Ali existia uma maior influência de Sauron e do Olho de Sauron – não vamos lidar com isso dessa vez, mas sim com o início disso.

Fale um pouco sobre a expansão da trama de Gandalf. Quando se lê O Hobbit, parece que ele tomou uma atitude aleatória quando escolheu Bilbo. Ouvimos dizer que agora haverá um motivo por trás da escolha, do porque Galdalf está atrás dele. Não só os resgatar de problemas do nada. Qual a necessidade de explicar questões em uma história que não realmente…

É interessante. Tudo volta para a questão de que Tolkien escreveu O Hobbit como um livro infantil em 1937, e mais tarde escreveu O Senhor dos Anéis. É óbvio que este universo se expandiu em sua mente, o que o levou a pensar, durante muitos anos, a reescrever e republicar O Hobbit, fazendo com que uma história tivesse ligação direta com a outra. Isso nunca aconteceu, mas muito do material acabou no apêndice das edições mais recentes de O Retorno do Rei. Tolkien estava em um estágio no qual ele continuava a trabalhar ao contrário, tentando revisar O Hobbit e ligá-lo a O Senhor dos Anéis. Nós tivemos acesso a esse material e pudemos vasculhar esses apêndices em busca de pequenas dicas sobre a história – e muita coisa sã apenas ideias não finalizadas. Dá pra sentir que se ele tivesse realmente tirado tempo para finalizar tudo, hoje nós teríamos muito mais informações. Para mim, ações em filmes não devem ter um ponto de partida aleatório. Sempre fico frustrado quando acontece alguma coisa do nada e não há uma explicação por trás disso.

Sim, Gandalf visita o Condado, ele ama hobbits, lembra que eles são provincianos e contidos. Eles são desconfiados das terras fora do Condado e Gandalf se lembra apenas desse pequeno hobbit, Bilbo Baggins, uma criança que adorava aventuras, perigos, histórias assustadoras… O único hobbit extrovertido. Então quando ele vai atrás de um hobbit para ser o ladrão de sua aventura, ele volta ao Condado muitos anos depois e encontra Bilbo. Ele deliberadamente procura por Bilbo, pois esse é o hobbit que ele acha ser o melhor para o cargo. Ele fica chocado quando descobre que, dezoito anos depois, Bilbo se tornou super conservador, nada parecido com o garoto que ele se lembra. Esse é o início da relação dos dois.

Então a bondade e inocência naturais dos hobbits tem algum papel em tudo isso?

Sim. Muitos dos personagens dessa história tem interesses próprios. Anões querem suas terras de volta. Thranduil quer sua parte do que está na montanha, o que ele considera seu. Bilbo é o único que não tem interesses desse tipo, mas ele acaba se envolvendo em uma louca aventura, com personagens com quem ele deve lidar e aceitar. É bem interessante.

Em O Hobbit, Tolkien explora a fundo os ideais modernos e antigos de heroísmo. Isso é algo que você vai abordar? Temos Bilbo e Legolas, que seguem em frente para a próxima história, mas Thorin não continua. Você entra no assunto do que faz heróis serem bem sucedidos contra heróis mal sucedidos?

O livro aborda, sim, alguns desses temas. Em alguns aspectos, Thorin é como um anti-herói. Ele acabou ficando tão obcecado com aquilo que acredita ser certo que passou dos limites com sua ganância pelo ouro do dragão. Os hobbits são os melhores heróis, pois são como nós. São os heróis improváveis que são atirados em um terrível perigo sem escolha, mas usam da bondade e da força que vem dentro de si para tentar sobreviver. Eles não são o tipo de pessoa que você tomaria como capaz de enfrentar um dragão, mas quando os vê em ação… Acho que esse tipo de heroísmo cabe muito bem em filmes, além de ficar muito interessante. Legolas é apenas mais um herói, não me identifico tanto assim com ele. Eu apenas deixo Orlando [Bloom] fazer aquilo que sabe fazer de melhor, o que é ótimo para o filme.

 Leia a entrevista completa no Omelete: Acesse: O Hobbit – Uma Jornada Inesperada | Omelete entrevista Peter Jackson

(Agradecemos a dica de Fefe_Helena)

Comentários

  1. Pessoal alguma informação da versão HFR 3D aqui na Terra Brasilis? Vamos pesquisar com os amigos, nos cinemas que frequentamos, etc!