THR conversa com Peter Jackson e atores e revela imagens de bastidores de “O Hobbit”

O ianque The Hollywood Reporter divulgou em um extenso artigo algumas imagens de bastidores de O Hobbit. Confira algumas delas abaixo e trechos significativos do texto.

 

Peter Jackson:

Como os atores terminaram um take, a voz de Peter Jackson foi ouvida, quase divina, através de alto-falantes no set. Felizmente, ele é uma divindade educada. “Você pode ser muito mais ofegante no início?” ele pede aos anões. “Todos vocês estão cansados”. Afinal, eles acabaram de escapar das garras da morte. Dada a sugestão, o peito começar a inchar. “OK”, diz Jackson. “Ofegantes, arfando, exaustos e ação!”

O que o preocupava em fazer O Hobbit era o material. Havia a questão de equilibrar o tom: O Hobbit é uma fábula para crianças, enquanto Jackson sentia que estava mergulhado nos tons mais escuros de O Senhor dos Anéis, que é sobre a influência da tecnologia desumanizante e a bravura, face aos horrores da guerra.

 

 Filme “cabeludo”:

Mas o mais difícil foi a multidão de personagens do livro – nada menos que 13 anões, que tiveram de ser distinguíveis para o público, mesmo à distância – que juntaram forças com Bilbo e o mago Gandalf. Uma grande parte da solução, não era um novo truque de computador, mas o cabelo – montes deles. Todos os anões usam perucas feitas de cabelo humano importados da Rússia, que tem a textura certa para personagens que têm um visual do Norte da Europa. Para cada um dos anões, havia seis perucas e oito barbas (perucas para os atores, perucas para dublês, perucas para dublês que são pequenos em estatura e que aparecem em cenas filmadas para estabelecer escala). “Eu nunca tinha feito um filme tão cabeludo”, diz o maquiador e designer Peter King. “Em todo lugar que você olhe, há mesas e prateleiras de perucas e barbas.”

 

Martin Freeman é “hobbitesco”:

… Jackson queria ficar com [Martin] Freeman, que era o principal candidato para o papel título. Jackson sentiu que Freeman tinha a indizível qualidade que o fazia certo para o papel. “Ele é muito ‘hobbitesco’ na vida real”, diz Jackson. “Eu também sou. E me orgulho disso. Você não anda muito longe de sua casa, não se envolve em nada muito aventureiro ou perigoso. Na maior parte das vezes eu gosto de ficar em casa com os pés para cima, e Martin tem muitas dessas qualidades.” [...] Freeman parece discordar. “Eu acho que ele é mais ‘hobbitesco’ do que eu”, diz ele. “Ele provavelmente perdeu a chance de interpretar Bilbo.”

 

McKellen não queria mais ser Gandalf:

“Era como voltar a algo que não seria necessariamente desafiador”, disse o ator de 73 anos ao THR, durante uma pausa nas filmagens.  “Gandalf ainda está dentro de mim, assim como esteve antes, então eu sentia que eu estaria perdendo a oportunidade de conhecer um personagem diferente”. E, diferente de O Senhor dos Anéis, [O Hobbit] não ia ser um compromisso de muitos anos, durante o qual o ator estaria trabalhando na Nova Zelândia muito, muito longe de sua casa na Inglaterra. (Embora pausas tenham sido estabelecidas, o compromisso acabou por ser mais longo do que o previsto: originalmente concebido como dois filmes, O Hobbit é agora também uma trilogia. Tendo começado a filmar em março de 2011, a filmagem do terceiro não será concluída até algum tempo depois de junho de 2013.) Mas um amigo perguntou a McKellen como ele poderia se explicar para os fãs, se ele saísse do projeto. “Daí, você pensa: ‘quantos milhões de pessoas esperam por isso? Eles não iriam entender se você não estivesse tão empolgado quanto eles’”.

Então McKellen diz que decidiu, no último minuto, assinar o contrato. Pelo menos desta vez ele não tem que ser Gandalf, o Branco, que era mais sério. “Peter Jackson e eu preferimos muito mais Gandalf, o Cinzento, que era um homem que sabia se divertir”, diz McKellen. Na verdade, McKellen parece ser um brincalhão no set, fazendo palhaçadas entre as tomadas. Mas ele sabe que é importante levar a missão a sério. “Eu estava brincando e um dos outros atores disse: ‘Pare com isso, Ian’”, McKellen diz. “E ele estava certo.”

 

 De filme nenhum para três filmes:

No final de junho, [Alan] Horn [presidente da Warner Bros.] e os principais executivos da New Line fizeram uma visita à Nova Zelândia e assistiram a um corte do primeiro filme. Em seguida, Jackson e seus colaboradores lançaram a ideia de fazer não dois, mas três filmes O Hobbit. Horn [...] admite que a proposta veio como um choque. A questão, diz ele, foi: “pode cada filme ser uma refeição completa?” O grupo concordou que o plano de Jackson funcionava.

Então, agora, quase por milagre, haverá três filmes O Hobbit em vez de nenhum [fazendo alusão aos graves e constantes problemas que atingiram a produção no decorrer dos últimos anos: falência da MGM, processos judiciais, saída de Guillermo Del Toro da direção, boicote do sindicato dos atores e etc.] – o que muitas vezes pareceu ser a opção mais fácil. Mas a tentação de voltar a Tolkien era grande demais para resistir. “Em cada cruzamento, alguém tinha que dizer, ‘Eu sei que é um problema, mas vamos em frente’”, diz Horn. “Ou, ‘Eu sei que é mais caro do que pensávamos que seria, mas vale a pena’.” Obviamente, Horn reconhece que só ficará claro se a luta valeu a pena quando os filmes saírem. “O público vai decidir”, diz ele. “Mas eu vi o primeiro filme – e é uma alegria estar de volta a esse mundo.”

 

 

Leia o artigo completo (em inglês) no The Hollywood Reporter e veja mais imagens em sua galeria!

Comentários

  1. Eu sempre disse – SEMPRE – que Freeman era perfeito par ao papel, pois era hobbitesco (na aparência, não nos habitos) mesmo sem caracterização nenhuma. Ele tem mais cara de hobbit que Elijah Wood e Ian Holm juntos. É quase um Sean Astin!

    E MacKellen não querer mais ser Gandalf foi uma surpresa. Entendo que bons atores gostem de desafios, de conhecer personagens novos e tal. Mas para um fã como eu, é impossível entender como um ator não queria voltar ao maior papel de sua vida, àquele que mais lhe gerou o sentimento de carinho dos fãs.

    E, caramba, eu já nem me lembrava mais de alguns problemas pelos quais a produção passou. Tive que puxar do fundo da memória para me lembrar dessa história do boicote do sindicato dos atores. Porém, o que mais me impressiona (desde SdA) é a capacidade e coragem de Peter Jackson para levar toda a máquina hollywoodiana para outro hemisfério e do outro lado do mundo. Não consigo imaginar outro exemplo dessa façanha (Cameron com seu Avatar não conta, pois ele apenas seguiu PJ).

    1. Foi um choque pra mim também saber que Sir. Ian MacKellen não queria mais ser Gandalf! Eu como fã tenho a mesma visão sua, era inimaginável para mim ele não querer!

      Tá chegando galera!!!!!