Em entrevista à MTV, Richard Armitage fala sobre o anão Thorin

A MTV conversou com o líder dos aventureiros anões de O Hobbit, Thorin Escudo de Carvalho, que é interpretado por Richard Armitage, que fez uma breve aparição no recente Capitão América. Porém, segundo ele, O Hobbit é seu maior trabalho e, talvez, tenha lhe dado o papel de sua vida. O ator britânico também desempenhou um papel chave no trailer lançado no mês passado e em breve se juntará às fileiras dos ilustres personagens de Tolkien – que ganharam vida no cinema por meio de Peter Jackson. Na entrevista Armitage falou também sobre a dificuldade de trabalhar sob pesada maquiagem. E atenção! Há um pequeno spoiler no meio da entrevista! Se você ainda não leu o livro, cuidado, pois o ator revela algo sobre o destino de Thorin.

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MTV: Onde você está atualmente no cronograma de filmagem?

Armitage: Acabamos de terminar o nosso segundo bloco, então começaremos novamente no final de janeiro, e então nós vamos – achamos – até o final de julho. Também há um pouco mais em 2013, calculamos.

MTV: Como é estar em um único projeto por tanto tempo?

Armitage: É realmente estranho, porque quando começamos tínhamos essa enorme montanha para escalar, mas, na verdade, está indo muito rápido. Acho que chegamos no meio do caminho agora. Tem sido muito intenso, mas muito emocionante. Nós acabamos de filmar nas locações, onde estivemos na estrada visitando a maior parte da Nova Zelândia. Foi de longe a melhor coisa que eu já trabalhei na minha vida.

 MTV: É fácil esquecer que você está atuando e se perder no mundo que a produção cria?

Armitage: Nos estúdios que eles fizeram em Wellington, na maior parte do tempo, você não sente que está trabalhando em um set. Mesmo quando há uma tela verde lá, a visão e descrição de Peter são muito claras. A CGI que a pré-produção criou realmente estimula a sua imaginação. Começamos com esse tipo de filmagem. Nas locações você programa estas imagens surpreendentes em sua cabeça, então podemos agora voltar para o estúdio.

 MTV: Será que vai ser difícil deixar para trás o que você criou?

Armitage: Não acho que isso seja possível para mim, deixá-lo para trás. Acho que este é um daqueles personagens que sempre vai ficar com você, porque você passa tanto tempo com ele que é uma transformação. Eu estou no personagem a cada dia, e eu me tornei muito familiarizado com ele. Eu meio que sei como ele pensa. Eu me sinto muito próximo do personagem, e ele vai continuar para além deste trabalho, [spoiler adiante] embora, ele morra no final do filme. Eu acho que ele é um personagem fascinante. Provavelmente, vou acordar daqui seis anos e me pegar pensando nele novamente. É realmente emocionante.

MTV: Como foi que soube da mudança na história e como você chegou a Thorin?

Armitage: Eu li [O Hobbit] algumas vezes quando era jovem. Eu acho que voltar a ele como um adulto é realmente interessante, porque é um livro que foi, acho, escrito para as crianças de Tolkien, mas quando você está criando um papel desta magnitude, você tem que realmente visualizá-lo para um público muito mais amplo. Acho que essa é a beleza de Tolkien. Ele cria personagens bem acabados e até bastante perigosos para interpretar. Corre-se o risco de assustar as crianças. Ele é o criador original da fantasia, e eu acho que você tem que investir nesses personagens com a mesma intensidade, como se estivesse fazendo um papel para adultos. Foi interessante voltar a ele como um adulto e relê-lo novamente, porque ele tinha uma simplicidade, que eu realmente gosto, mas senti que poderíamos pegar esses personagens e realmente desenvolvê-los para além do livro.

 MTV: Você acabou no meio termo em relação à quantidade de maquiagem. Você se sente com sorte?

Armitage: Foi uma evolução. Todos nós começamos com uma versão bastante extrema de nós mesmos. Acho que é porque meu personagem passa muito tempo na tela e você realmente tem que entender o que ele está passando emocionalmente. Ficou muito claro que se fizéssemos as próteses o mais parecidas possível com as minhas próprias feições, mas ainda tornando-o um anão, seria mais fácil ler o personagem. Ele tem que ir na tal viagem, que é algo realmente importante para isso. Eu aumentei minha própria barba após o primeiro bloco, porque eu senti que [a falsa] estava limitando o meu rosto. A mandíbula é tão ligada à emoção que eu queria ter isso livre. Fez uma enorme diferença.

É realmente estranho agora, porque eu não posso interpretar o personagem quando eu não consigo vê-lo. É muito difícil ensaiar quando você não está no traje, quando você não tem as próteses, mas eu olho no espelho quando está tudo terminado e eu não vejo isso. Eu não consigo ver onde começa e onde termina. Acabei de ver o personagem. Eu nunca tive isso antes. É uma experiência única. É um rosto que não pertence a mim. Ele pertence aos criadores, os profissionais da WETA Workshop.

 MTV: Como foi no set com tantos atores interpretando anões?

Armitage: Eu adoro isso. Eu absolutamente amo trabalhar como um membro de um grupo, e realmente somos um grupo. Há muita amizade entre todos os caras. Há uma tal diversidade de cultura e de fundo. Estamos trabalhando com um monte de Kiwis e há uma combinação de atores britânicos que vêm da televisão, teatro e cinema. É exatamente como os anões são. Quando Thorin monta sua demanda, ele pega anões de todos os diferentes lugares para ir nessa missão. Isso é refletido em quem somos como atores.

Comentários

  1. O que o Armitage fala sobre a maquiagem é interessante, de fato a quantidade excessiva dela limita um pouco a interpretação dos atores com relação às expressões faciais. O John Rhys-Davis declarou uma vez que para conseguir o mínimo de expressão do rosto do Gimli ele precisava exagerar muito as suas próprias expressões debaixo de tanta maquiagem prostética no seu rosto. Mesmo concordando com a justificativa, penso que alguns dos anões poderiam no mínimo ter um pouco mais de barba.

    Outra coisa legal é ele ter mencionado que as próteses existentes foram feitas de acordo com os traços do rosto dos próprios atores, isso os torna muito mais reconhecíveis do que o Rhys-Davies como Gimli. Legal também foi ele lembrar que os atores são tão diversificados como os anões. Thorin escolhe parentes próximos ou não, que pertencem a uma “casta” um pouco mais elevada de anões (Kili, Fili, Glóin, Balin, Dwalin, Óin), digamos, mas também anões “plebeus”, sem origem nobre (Bombur, Bofur, Bifur). O legal é que o elenco todo é bem variado também. Está certo que a maioria compartilha a língua inglesa como língua materna (ou uma das), pois fora o cara que faz o Beorn (sueco), o elenco tem neozelandeses, australianos, estadunidenses, canadenses, ingleses, escoceses, irlandeses e galeses. Isso faz do filme um caleidoscópio de culturas e sotaques bem interessante, IMO.

  2. Acredito que depois de dez anos do primeiro filme, os fãs de Tolkien e os amantes do cinema fantasia medieval, vão retornar em grande estilo para este mundo maravilhoso, trabalhado com muita perfeição por Peter Jackson. Já aguardo ansioso pelo extras que com certeza não estarão no cinema. Mas em ótimo blue ray.